Anvisa deve decidir nesta sexta (15) se mantém suspensão de produtos da Ypê

A Diretoria Colegiada da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deve analisar nesta sexta-feira (13) o recurso apresentado pela Química Amparo, fabricante dos produtos da marca Ypê, contra a decisão da própria agência que suspendeu a fabricação e determinou o recolhimento de lotes de detergente lava-louças, sabão líquido para roupas e desinfetante.

A análise deve começar por volta das 9h30, na sede da Anvisa em Brasília.

⚖️ ENTENDA: A Diretoria Colegiada da Anvisa é a instância máxima de decisão da agência reguladora. Os diretores votam temas como registro de medicamentos, vacinas e normas sanitárias. As deliberações ocorrem em reuniões oficiais do órgão.

A medida contestada pela empresa é a Resolução 1.834/2026, publicada em 5 de maio, que atingiu todos os lotes desses três produtos com numeração final 1.

A decisão foi tomada a partir de uma avaliação técnica de risco sanitário conduzida pela Anvisa em articulação com o Sistema Nacional de Vigilância Sanitária, após inspeção conjunta com o Centro de Vigilância Sanitária de São Paulo e a Vigilância Sanitária de Amparo, no interior paulista, onde fica a unidade da Química Amparo.

Durante a inspeção, segundo a Anvisa, foram constatados descumprimentos relevantes em etapas críticas do processo produtivo, incluindo falhas nos sistemas de garantia da qualidade, produção e controle de qualidade.

 

Os problemas identificados comprometem o atendimento aos requisitos das chamadas Boas Práticas de Fabricação de saneantes e indicam risco à segurança sanitária dos produtos, com possibilidade de contaminação microbiológica — a presença indesejada de microrganismos que podem causar doenças, como a Pseudomonas aeruginosa, bactéria que foi identificada em mais de 100 lotes de produtos acabados da marca.

📝ENTENDA: As Boas Práticas de Fabricação (BPF) da Anvisa são um conjunto de normas, princípios e procedimentos técnicos obrigatórios que garantem a segurança, qualidade e eficácia de produtos como medicamentos, alimentos, cosméticos e saneantes.

Após a publicação da resolução, a empresa apresentou recurso administrativo com pedido de efeito suspensivo, o que paralisa as obrigações impostas pela Anvisa até que a Diretoria Colegiada delibere sobre o caso.

Em nota divulgada no dia 8 de maio, a agência informou que mantém a avaliação técnica de risco e orientou os consumidores a NÃO utilizarem os produtos atingidos pela medida, mesmo durante o período em que o recolhimento está suspenso.

A responsabilidade de orientar a população sobre troca, devolução ou ressarcimento, segundo a Anvisa, é da própria empresa, por meio do Serviço de Atendimento ao Consumidor, que vem apresentando problemas.

Imagens mostram inspeção sanitária realizada na fábrica da Ypê — Foto: Reprodução/TV Globo

Imagens mostram inspeção sanitária realizada na fábrica da Ypê — Foto: Reprodução/TV Globo

Entenda riscos

 

A determinação da Anvisa levantou uma série de dúvidas entre consumidores que usaram os produtos nos últimos meses.

As principais perguntas giram em torno do risco para a saúde, da necessidade de procurar um atendimento médico e do que fazer com utensílios domésticos que tiveram contato com os itens recolhidos, como a esponja da pia.

Mas para entender o tamanho do risco, é preciso conhecer primeiro a bactéria associada ao caso.

Pseudomonas aeruginosa foi identificada pela própria fabricante em lotes de lava-roupas em novembro de 2025. Ela é um microrganismo comum no ambiente, encontrado em água, solo e superfícies úmidas.

Contudo, para a maioria das pessoas, o risco é considerado BAIXO, segundo especialistas ouvidos pelo.

Em nota na segunda (11) a Ypê também afirmou que as imagens da inspeção sanitária realizada em sua fábrica de Amparo (SP) e divulgadas no último domingo (10) pelo Fantástico retratam locais que não têm contato com os produtos comercializados pela empresa.

A fabricante também sustentou que a inspeção da Anvisa “não encontrou contaminação” em seus itens.

A inspeção, realizada no fim de abril em conjunto com o Centro de Vigilância Sanitária (CVS) de São Paulo, identificou o que a Anvisa classificou como “descumprimentos relevantes em etapas críticas do processo produtivo”, incluindo falhas nos sistemas de garantia da qualidade, produção e controle de qualidade.

O relatório aponta sinais de corrosão em equipamentos usados na fabricação de detergentes e lava-roupas líquidos, problemas no estado de conservação do tanque de manipulação de produtos para lavar louças e o registro de restos de produtos armazenados e devolvidos às linhas de envase.

Segundo a Ypê, as áreas mostradas nas fotos integram um “plano robusto de melhorias” em curso na unidade.

Entenda mais abaixo.

Prédio da Anvisa em Brasília — Foto: Adriano Machado/Reuters

Prédio da Anvisa em Brasília — Foto: Adriano Machado/Reuters

Quem corre mais risco?

 

Segundo os especialistas, a maior preocupação é com pessoas que têm alguma condição que reduza as defesas do organismo ou facilite a entrada de microorganismos.

“Para a população em geral, é pouco provável [que o contato com a bactéria cause uma infecção]. O risco aumenta quando há alguma porta de entrada, como uma lesão de pele mais grave ou uma cicatriz cirúrgica”, afirma Alberto Chebabo, presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia.

 

A infectologista Thaís Guimarães, presidente da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar do Instituto Central do Hospital das Clínicas da FMUSP, também afirma que o simples contato com a pele íntegra, na maior parte das vezes, NÃO costuma causar doença.

“O risco aumenta principalmente quando há contato com olhos, mucosas, feridas, queimaduras ou dermatites, ou em pessoas imunossuprimidas”, explica.

 

Entram nesse grupo os chamados pacientes imunossuprimidos, pessoas em tratamento contra câncer, transplantados, pacientes que usam medicamentos imunossupressores, pessoas com feridas, queimaduras, dermatites ou lesões de pele.

Bebês pequenos e idosos mais fragilizados também merecem atenção maior.

Chebabo explica que a bactéria pode causar diferentes tipos de infecção, mas o risco aumenta principalmente quando a pessoa já tem uma condição de saúde que a torna mais vulnerável.

“No caso das pessoas imunossuprimidas, isso realmente aumenta o risco de infecção, porque são pessoas muito mais frágeis”, afirma.

 

Segundo ele, a exposição tende a ocorrer mais por contato com a pele ou com objetos que tiveram contato com os produtos, como roupas, pratos, talheres e utensílios de cozinha.

O risco por inalação é considerado menos provável.

Produtos Ypê recolhidos de supermercado — Foto: Reprodução/EPTV

Produtos Ypê recolhidos de supermercado — Foto: Reprodução/EPTV

Quem usou o produto precisa procurar um médico?

 

De forma geral, NÃO.

Quem usou um produto do lote afetado, mas não apresentou sintomas, não precisa procurar atendimento médico apenas por causa do uso.

A orientação dos especialistas é interromper o uso do produto, seguir as instruções de recolhimento e observar se aparece algum sinal de irritação ou infecção.

“Quando a pessoa utiliza o produto, a princípio só tem que observar o aparecimento de sinais e sintomas que possam justificar um quadro infeccioso. Não precisa buscar o médico só porque usou o produto”, diz Chebabo.

Procure atendimento se houver:

  • Irritação importante na pele, vermelhidão persistente, dor, secreção ou lesões;
  • Coceira intensa, piora de dermatite ou sinais de infecção em feridas;
  • Irritação nos olhos, conjuntivite, dor, secreção ou alteração visual;
  • Febre ou mal-estar após contato com o produto;
  • Qualquer sinal de infecção em pessoas imunossuprimidas, transplantadas ou em tratamento contra câncer.

 

Em caso de contato com olhos, boca, feridas ou mucosas, a recomendação é lavar o local imediatamente com água abundante e observar se há ardência persistente, vermelhidão, secreção, dor, inchaço ou alteração visual.

Se os sintomas persistirem ou piorarem, a pessoa deve procurar avaliação médica.

Pseudomonas aeruginosa com pigmento fluorescente em luz UV — Foto: BiotechMichael/Divulgação

Pseudomonas aeruginosa com pigmento fluorescente em luz UV — Foto: BiotechMichael/Divulgação

E roupas, toalhas e itens de bebê?

 

Produtos como lava-roupas e detergentes levantaram outra dúvida: há risco maior quando o item foi usado em roupas íntimas, toalhas, roupas de cama ou peças de bebê?

Segundo Thaís Guimarães, esses itens merecem atenção porque ficam em contato mais próximo e prolongado com a pele e, em alguns casos, com mucosas.

Isso vale especialmente para bebês, pessoas com dermatite, feridas, imunossupressão ou pele mais sensível.

Ainda assim, para a maioria das pessoas saudáveis, o risco continua sendo considerado baixo quando não há sintomas ou fatores de risco importantes.

Na prática, especialistas recomendam atenção maior a roupas íntimas, toalhas e peças usadas por pessoas vulneráveis.

Caso haja dúvida, uma medida simples é lavar novamente essas peças com outro produto, especialmente se forem de bebês, idosos fragilizados ou pessoas imunossuprimidas.

Especialistas recomendam atenção maior a roupas íntimas, toalhas e peças usadas por pessoas vulneráveis.  — Foto: Divulgação

Especialistas recomendam atenção maior a roupas íntimas, toalhas e peças usadas por pessoas vulneráveis. — Foto: Divulgação

Precisa trocar a esponja da pia?

 

Outra pergunta frequente é se a pessoa que usou detergente de lote final 1 precisa trocar a esponja da pia.

Para Chebabo, o ideal é descartar a esponja se ela foi usada junto com um dos produtos recolhidos.

“É importante que haja troca da esponja se ela foi utilizada junto com um desses produtos, porque a bactéria pode ficar ali e se manter mesmo depois da troca do detergente”, afirma.

Segundo ele, a orientação mais segura é trocar o produto e usar uma esponja nova

Pano de prato, esponja e paninho de pia concentram fungos e bactérias se não forem higienizados; — Foto: Patrícia Teixeira/g1

Pano de prato, esponja e paninho de pia concentram fungos e bactérias se não forem higienizados; — Foto: Patrícia Teixeira/g1

O que diz a Ypê

 

Na última quinta, a Ypê manifestou “indignação com a decisão“, classificou a medida como “arbitrária e desproporcional” e recorreu da decisão.

Segundo a empresa, com a apresentação do recurso, a proibição de fabricar e comercializar produtos das categorias lava-louças, lava-louças concentrado, lava-roupas líquido e desinfetantes teve seus efeitos automaticamente suspensos até novo pronunciamento da Anvisa.

 

A fabricante diz que baseia esse entendimento no artigo 17 da RDC 266/2019 da própria agência.

“Ainda que a interposição do recurso tenha resultado na suspensão dos efeitos da medida anterior, a Ypê reforça que a segurança dos seus consumidores é — e sempre será — sua maior prioridade”, afirmou a empresa em nota.

 

O recurso da Ypê deverá ser julgado nos próximos dias pela Diretoria Colegiada da Anvisa.

O que é a bactéria encontrada em novembro

 

Pseudomonas aeruginosa é um microrganismo comum no ambiente. Está presente no ar, na água, no solo e pode ser encontrada inclusive na pele de pessoas saudáveis.

Ela é classificada na literatura médica como uma bactéria oportunista: raramente causa infecção em pessoas saudáveis, mas pode provocar ou agravar quadros infecciosos em pessoas com o sistema imunológico comprometido.

De acordo com o Manual MSD, referência em informações médicas, “essas bactérias são favorecidas por áreas úmidas, como lavatórios, sanitários, banheiras de hidromassagem e piscinas com cloro inadequado, e soluções antissépticas vencidas ou inativadas. Às vezes, essas bactérias estão presentes nas axilas e na área genital de pessoas saudáveis”.

As infecções por Pseudomonas aeruginosa variam de infecções externas pequenas a distúrbios sérios com risco de morte, segundo a MSD.

Fábrica da Ypê em Amparo (SP) — Foto: Ypê/Divulgação

Fábrica da Ypê em Amparo (SP) — Foto: Ypê/Divulgação

Quem são os imunossuprimidos

 

São pessoas cujo sistema de defesa do organismo está enfraquecido, seja por doenças ou por tratamentos. Entram nesse grupo, por exemplo:

  • Pacientes em tratamento contra o câncer (quimioterapia, radioterapia)
  • Pessoas transplantadas que usam imunossupressores
  • Pessoas com HIV/aids sem controle adequado
  • Pacientes em uso prolongado de corticoides ou outros imunossupressores
  • Pessoas com doenças autoimunes em tratamento

 

Nesses casos, microrganismos que normalmente não causariam problema podem representar um risco maior.

De acordo com a MSD, as infecções ocorrem com mais frequência e tendem a ser mais severas em pessoas que:

  • Estão enfraquecidas (debilitadas) por certos distúrbios graves
  • Têm diabetes ou fibrose cística
  • Estão hospitalizadas
  • Têm um distúrbio que enfraquece o sistema imunológico, como infecção avançada pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV)
  • Tomam medicamentos para suprimir o sistema imunológico, como aqueles usados para tratar câncer ou para evitar a rejeição de um órgão transplantado

 

Anvisa determinou suspensão da fabricação e recolhimento de produtos da marca Ypê — Foto: Divulgação

Anvisa determinou suspensão da fabricação e recolhimento de produtos da marca Ypê — Foto: Divulgação

O que diz a empresa sobre os riscos

 

Em um comunicado divulgado em novembro, a fabricante afirmou que:

  • O uso normal do produto, diluído na água da máquina de lavar, reduz drasticamente qualquer carga bacteriana
  • Não há registro na literatura médica de infecção causada por roupas lavadas com detergentes domésticos, mesmo em cenários de contaminação
  • A bactéria não se volatiliza, não é transportada por fragrâncias e não oferece risco por inalação
  • O maior cuidado deve ser evitar contato direto e prolongado do produto concentrado com a pele, especialmente em pessoas imunossuprimidas com feridas abertas

A orientação é lavar as mãos após o manuseio e garantir que as roupas estejam bem enxaguadas e secas antes do uso.

Fonte: G1

Confira também

  • Governo prevê aumento de etanol na gasolina de 30% para até 32%

    O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, anunciou, nesta terça-feira (9), que submeterá ao Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) uma proposta para elevar a mistura de etanol anidro na gasolina dos atuais 30% (E30) para até 32% (E32). A medida atende a uma demanda do setor de biocombustíveis e deve ser avaliada nos próximos 15 dias.

    A declaração ocorreu após reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, outros ministros de Estado e líderes de associações e empresários do setor, no Palácio do Planalto.

    “Sabemos que podemos ir até E35, mas os estudos técnicos necessários para se avançar na mistura nos permitem ir até o E32. Foi uma reivindicação trazida hoje pelo setor”, disse Silveira.

    De acordo com o ministro, a iniciativa faz parte da agenda de descarbonização e fortalecimento da segurança energética do país, impulsionada pela Lei Combustível do Futuro, que incentiva a produção e uso de combustíveis sustentáveis. Ele destacou que o aumento da mistura reduzirá a dependência externa do país, estimando uma economia de 450 milhões de litros de gasolina importada.

    “É segurança energética, é modicidade no preço do combustível, é descarbonização, é desenvolvimento nacional, é mais plantio, é mais emprego, é mais renda. São políticas públicas focadas no desenvolvimento do país”, afirmou Silveira, reforçando que a medida ainda minimiza as oscilações de preço dos combustíveis causadas por conflitos internacionais.

    Representantes da indústria de biocombustíveis que participaram do encontro classificaram a reunião como muito produtiva e reforçaram o papel do etanol na segurança energética do país e na redução de preços ao consumidor.

    “Hoje, o litro do etanol custa em média R$ 2,40 menos do que o litro da gasolina. Ou seja, um aumento da mistura de 2% vai trazer uma redução equivalente a essa para o consumidor”, explicou o presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), Evandro Gussi.

    Ele acrescentou que, nos últimos três meses, desde o início do conflito no Irã, a diferença de preço entre etanol e gasolina gerou uma economia de cerca de R$ 2 bilhões aos consumidores brasileiros e evitou o gasto de R$ 8 bilhões do país com importações de gasolina.

    Sobre os debates em torno do comportamento dos motores com a nova composição do combustível, Gussi garante a viabilidade técnica da mudança e destacou que a mistura de 32% já foi testada com sucesso quando houve o aumento para 30%, em junho do ano passado.

    Ainda, sobre a permanente demanda por etanol anidro no país e os impactos na produção agrícola, o presidente da Bioenergia Brasil, Mário Campos, afirmou que as políticas públicas estruturadas nos últimos anos impulsionaram o setor. Para este ano, ele projeta um acréscimo de mais de 4 bilhões de litros de etanol na produção.

    “Então, é uma oportunidade para o Brasil, para descarbonizar ainda mais a nossa matriz de transporte, e para o consumidor brasileiro é um excelente momento de, realmente, utilizar a tecnologia que ele tem no veículo e optar por etanol, que está mais barato do que a gasolina em diversas regiões”, disse Campos.

    Fonte: Agência Brasil

  • Audiência cobra fim da proibição de CNH a pessoas que não sabem ler

    A Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte realizou, na tarde desta terça-feira (9), uma audiência pública para discutir a desburocratização do processo de emissão da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) para pessoas semianalfabetas ou com baixo nível de letramento. A iniciativa foi do deputado estadual Nelter Queiroz (PP) e reuniu representantes do Departamento Estadual de Trânsito (Detran/RN), trabalhadores rurais, entidades da sociedade civil e demais segmentos interessados no tema. Os participantes cobraram uma atualização das normas federais.

    O debate teve como foco as dificuldades enfrentadas por homens e mulheres do campo e cidadãos de menor escolaridade para obter a habilitação, especialmente em municípios do interior, onde o veículo automotor é frequentemente utilizado como instrumento de trabalho, deslocamento e sustento familiar.

    Ao abrir a audiência, o deputado Nelter Queiroz destacou a importância de promover inclusão social e garantir que pessoas com pouca escolaridade tenham acesso ao direito de dirigir dentro da legalidade.

    “Essas pessoas estão perdendo oportunidades de trabalhar ou andando na clandestinidade, com medo. Esse povo não tem mais tempo de estudar. Tem que trabalhar. Esse povo que lê pouco é mais responsável do que doutores que sabem ler. Minha defesa será eternamente em defesa dessas pessoas excluídas que querem tirar sua habilitação”, disse Nelter Queiroz.

    Segundo o parlamentar, milhares de norte-rio-grandenses acabam excluídos do processo de habilitação em razão das barreiras educacionais e burocráticas atualmente existentes, apesar de dependerem diariamente da condução de veículos para exercer suas atividades profissionais.

    “Eu não sei ler em inglês, mas se vou para os Estados Unidos eu posso dirigir com a minha habilitação do Brasil. O que prova que é possível, sim, dirigir dessa maneira, reconhecendo os sinais que são universais. Temos que parar com essa humilhação. As leis não precisam ser tão rígidas”, argumentou o deputado.

    Durante a audiência, representantes da população relataram as dificuldades enfrentadas por trabalhadores rurais e moradores de comunidades mais afastadas para cumprir todas as etapas exigidas para obtenção da CNH, defendendo alternativas que garantam inclusão sem comprometer a segurança no trânsito.

    O agricultor Adeilton Medeiros, conhecido como Galeguinho de Góes, expôs as dificuldades que a população vem enfrentando. Para ele, a proposta da “CNH Matuta” seria uma forma de colaborar para que essas pessoas não fossem excluídas e conseguissem trabalhar de maneira legal, já que muitos utilizam carros para levar mercadorias do campo para a cidade, e também há os que perdem oportunidades de emprego devido à exigência de habilitação.

    “Sei que se o deputado Nelter fosse da bancada federal ele iria lutar para dar andamento a essa proposta. E se chamam ele de doido por encampar essa discussão, eu digo que é melhor ser doido lutando contra essa humilhação do que se fazer de doido e não colaborar”, disse Galeguinho de Góes.

    A proposta discutida no encontro busca avaliar mecanismos que possam tornar o processo mais acessível para cidadãos com baixo nível de escolaridade, tema que ficou conhecido popularmente como “CNH Matuta”. A iniciativa já havia sido debatida em âmbito federal em anos anteriores, mas volta agora à pauta para discussão no contexto estadual.

    Representantes do Detran/RN participaram do debate e apresentaram o posicionamento do órgão sobre a viabilidade de eventuais mudanças, além dos desafios relacionados à legislação de trânsito e à segurança viária.

    “Existe a necessidade de colaborarmos e facilitar a vida dessas pessoas. É uma realidade que devemos mudar e esperamos que a iniciativa do deputado Nelter chegue ao Congresso e facilite a vida das pessoas que precisam. É uma porta de emprego para os jovens. Há oportunidades e as empresas precisam que essas pessoas estejam habilitadas. O Detran abraça o CNH Matuto e estaremos sempre abertos para construir esse próximo passo”, disse o coordenador do Detran Seridoense, Rodrigo Fernandes.

    Ao final da audiência, os participantes defenderam a continuidade das discussões e a construção de propostas que conciliem inclusão social, cidadania e segurança no trânsito, levando em consideração a realidade de milhares de trabalhadores e moradores das áreas rurais do Rio Grande do Norte. O representante da população, Galeguinho de Góes, sugeriu, entre outras coisas, que fosse sugerida uma nova legislação, com uma habilitação especial para esse público, sem a obrigatoriedade de saber lei para a emissão e em que a prova escrita fosse substituída pela prova oral.

    “O que depender do nosso mandato, estaremos abertos para colaborar, assim como colaboramos na questão das motocicletas que estavam atrasadas, na isenção de IPVA para carros com mais de 10 anos e em outras pautas ligadas à população mais carente. Contem comigo”, garantiu Nelter Queiroz.

  • FEMURN manifesta apoio aos municípios potiguares diante dos desafios na adequação às novas regras de transparência das emendas parlamentares

    A Federação dos Municípios do Rio Grande do Norte (FEMURN) divulgou neste último sábado (06) uma nota de apoio institucional aos municípios potiguares que vêm enfrentando dificuldades operacionais na implementação das novas exigências de transparência e rastreabilidade relacionadas às emendas parlamentares.

    No documento, a entidade manifesta solidariedade ao município de Caicó e às demais prefeituras do Estado que estão passando por um período de adaptação às mudanças decorrentes das decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) nº 854, bem como das regulamentações estabelecidas pelos órgãos de controle.

    A FEMURN ressalta que reconhece e apoia integralmente os avanços relacionados à transparência, publicidade e rastreabilidade dos recursos públicos, mas destaca que muitos municípios, especialmente os de pequeno porte, ainda enfrentam desafios técnicos, operacionais e tecnológicos para cumprir integralmente as novas determinações.

    Segundo a Federação, a realidade prática demonstra que diversas prefeituras ainda estão adequando sistemas de gestão, portais da transparência, fluxos administrativos e mecanismos de prestação de contas, além da integração com plataformas exigidas pelos órgãos de controle.

    A entidade reforça que a situação não representa resistência ao cumprimento das normas, mas sim um período de transição institucional que demanda orientação, uniformização de procedimentos e cooperação entre os entes públicos e os órgãos fiscalizadores.

    Como encaminhamento, a FEMURN informou que buscará diálogo institucional junto ao Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Norte (TCE-RN), com o objetivo de apresentar as dificuldades enfrentadas pelos municípios, discutir medidas de orientação e construir soluções que possibilitem o cumprimento efetivo das novas exigências legais.

    Ao final, a Federação reafirma seu compromisso com a transparência pública, a correta aplicação dos recursos oriundos de emendas parlamentares e a defesa dos interesses municipalistas.

  • Portaria atualiza regras para acompanhamento das condicionalidades de saúde do Bolsa Família

    Valor mínimo para cada família é R$ 400 Foto: Reprodução

    A publicação da Portaria Interministerial MDS/MS nº 38/2026, no Diário Oficial da União (DOU), trouxe novas diretrizes, critérios e procedimentos para o acompanhamento das condicionalidades de saúde do Programa Bolsa Família (PBF). A medida reforça a responsabilidade compartilhada entre União, Estados, Distrito Federal e Municípios no monitoramento das famílias beneficiárias e destaca a importância da integração entre as áreas de saúde e assistência social.

    A Federação dos Municípios do Rio Grande do Norte (FEMURN) chama a atenção dos gestores municipais para as mudanças estabelecidas pela normativa, uma vez que as informações coletadas e registradas impactam diretamente no repasse de recursos federais destinados à operacionalização da gestão do Cadastro Único e do Programa Bolsa Família.

    O acompanhamento das condicionalidades de saúde é fundamental para garantir a permanência das famílias no programa. A ausência ou inconsistência das informações pode gerar repercussões para os beneficiários, incluindo a suspensão ou até mesmo o cancelamento do benefício.

    Pela nova portaria, o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) ficará responsável pela disponibilização da base de dados dos beneficiários, consolidação dos resultados do acompanhamento, gestão das repercussões decorrentes do descumprimento das condicionalidades e apoio à capacitação dos gestores e profissionais envolvidos na execução do programa.

    Já o Ministério da Saúde assume papel central na coordenação técnica e operacional do acompanhamento, incluindo a gestão do Sistema do Programa Bolsa Família na Saúde, a elaboração de orientações técnicas, a capacitação das equipes de saúde e a divulgação periódica dos resultados do monitoramento.

    Responsabilidades dos Municípios

    Os Municípios são responsáveis pela organização e execução das ações de acompanhamento das condicionalidades de saúde. Entre as atribuições das gestões municipais estão a garantia da oferta dos serviços de Atenção Primária à Saúde, o registro semestral das informações dos beneficiários e a realização de ações de mobilização junto às famílias atendidas pelo programa.

    Além disso, as administrações municipais deverão fortalecer a articulação entre as áreas de saúde e assistência social, especialmente nos casos em que forem identificadas situações de vulnerabilidade social, insegurança alimentar ou dificuldades de acesso aos serviços públicos.

    A Confederação Nacional de Municípios (CNM) alerta que todas as informações registradas nos sistemas de saúde são integradas ao Sistema de Condicionalidades (Sicon), vinculado ao Sistema de Gestão do Programa Bolsa Família (SIGPBF). Por isso, é fundamental que os gestores municipais observem a qualidade, a consistência dos dados e o cumprimento dos prazos estabelecidos para os registros.

    Defasagem no financiamento preocupa Municípios

    A CNM também destaca que os Municípios continuam enfrentando dificuldades para custear as ações relacionadas à gestão do Cadastro Único e do Programa Bolsa Família. Atualmente, o governo federal repassa R$ 3,35 por cadastro por meio do Índice de Gestão Descentralizada (IGD-PBF), valor considerado insuficiente para cobrir os custos operacionais do programa.

    Segundo a entidade, considerando a correção inflacionária, o valor adequado para o índice deveria ser de R$ 7,39 por cadastro, evidenciando uma defasagem significativa no financiamento das atividades executadas pelas administrações municipais.

    Apoio técnico dos Estados

    A Portaria também reforça o papel das Secretarias Estaduais de Saúde, que deverão atuar como instâncias de apoio técnico e institucional aos Municípios. Entre as atribuições estão a promoção de capacitações, a oferta de orientações operacionais e o monitoramento dos dados registrados pelos entes municipais.

    Os Estados também serão responsáveis pela divulgação periódica de informações consolidadas sobre o acompanhamento das famílias beneficiárias, contribuindo para a identificação de territórios e grupos populacionais em situação de maior vulnerabilidade social.

    A FEMURN orienta os gestores municipais a conhecerem detalhadamente as novas regras e a fortalecerem os processos de acompanhamento das condicionalidades de saúde, garantindo a correta execução do Programa Bolsa Família e a manutenção dos recursos destinados às políticas de assistência social e inclusão das famílias beneficiárias.

  • Forças de segurança fazem balanço positivo do primeiro fim de semana de MCJ 2026

    Foto: Walmir Alves (Secom/PMM)

    Na manhã desta terça-feira (9), representantes das forças de segurança realizaram uma reunião para avaliação do primeiro fim de semana do “Mossoró Cidade Junina” (MCJ) 2026. No encontro, realizado no Teatro Municipal Dix-huit Rosado, os agentes de segurança destacaram a tranquilidade do evento.

    Durante a reunião, as instituições públicas avaliaram os principais pontos referentes à segurança do “Pingo da Mei Dia”, Arena das Quadrilhas Deodete Dias e Arraiá do Povo Poeta Zé Lima.

    “Uma reunião importante de alinhamento destacando principais pontos do evento no fim de semana, mantendo os pontos positivos e avaliando alguns ajustes a serem feitos. Um momento para projetar ações futuras também, buscando ouvir os representantes de todas as instituições já com encaminhamentos para os próximos dias. Esperamos que o evento siga com muita paz e tranquilidade para que as pessoas se sintam seguras”, Coronel Walmary Costa, secretário da SESDEM.

    As autoridades enalteceram a edição 2026 do “Pingo da Mei Dia” como a mais segura da história do MCJ. “Nosso balanço, enquanto Polícia Civil, aponta cerca de 50% de redução de ocorrências, em relação a furtos de celulares. Acreditamos que o ‘Pingo’ foi o mais seguro dos últimos anos”, evidenciou Rafael Arraes, delegado de Polícia Civil do Rio Grande do Norte.

    No “Pingo da Mei Dia” deste ano, realizado no último sábado (6), 1.500 agentes de segurança atuaram no evento. “Nós iniciamos o ‘Mossoró Cidade Junina’ com o ‘Pingo da Mei Dia’, maior bloco junino do mundo, e estamos muito felizes com os resultados que alcançamos. Nós tivemos redução de ocorrências, conseguimos ver no rosto das pessoas a alegria, a felicidade. Seguimos no dia posterior para o ‘Arraiá do Povo’ que também registrou sucesso, com público elevado. Isso mostra que o nosso planejamento e trabalho vem sendo bem realizado”, explicou Gabriela Granjeiro, comandante da Guarda Civil Municipal.

  • SÃO PAULO DO POTENGI: Prefeito Pacelli, até quando a população vai conviver com animais soltos nas ruas?

    A grande quantidade de cães e gatos circulando pelas ruas de São Paulo do Potengi voltou a gerar reclamações entre moradores. O assunto não é novo, já foi debatido diversas vezes pela população e por este veículo de comunicação.

    Nesta semana, sendo mais específico, hoje – um morador relatou em um grupo de WhatsApp que um cachorro teria avançado contra uma senhora durante a manhã. O episódio reacendeu o alerta sobre uma situação que vem preocupando quem precisa caminhar diariamente pelas ruas da cidade.

    O problema vai além do incômodo. Moradores relatam medo de ataques, acidentes e preocupações relacionadas à saúde pública. Ao mesmo tempo, os próprios animais também acabam sendo vítimas do abandono e da falta de políticas públicas permanentes voltadas para o controle populacional e proteção animal.

    A pergunta que muitos fazem é simples: até quando essa situação continuará sem uma solução efetiva?

    São Paulo do Potengi precisa de medidas concretas. A população cobra providências, enquanto os relatos continuam surgindo quase diariamente.

    E, enquanto uma solução definitiva não aparece, quem circula pelas ruas segue convivendo com um problema que já passou da hora de ser enfrentado.

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