Saneamento de Natal está estagnado e só haverá ampliação em 2023, diz presidente da Caern

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A Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte (Caern) esteve no foco da discussão da classe política potiguar nos últimos dias. Em discussões com a Fecomércio, a possibilidade de privatização da companhia foi debatida com os candidatos ao Governo do Estado. O presidente da Caern, Roberto Linhares, é contra a hipótese. Em entrevista ao Jornal da Manhã, da Jovem Pan News Natal (93,5 FM), na manhã desta terça-feira (16), Linhares explicou seus motivos para rejeitar a chance de privatização e falou sobre os principais problemas enfrentados pela companhia. O saneamento básico em Natal é um deles, com o percentual de cobertura estagnado há quatro anos devido à dificuldade de conclusão de novas estações de tratamento. O presidente “culpa” o Governo Federal.

Segundo o presidente da companhia, a Caern tem avaliação de R$ 3,1 bilhões, com R$ 1,7 bilhão em patrimônio líquido, mas o valor para venda não superaria os R$ 800 milhões. Na opinião de Linhares, quem comprasse a companhia não teria interesse nas áreas menos rentáveis e faria com que o Governo do Estado precisasse assumir essas áreas, que gerariam gasto mensal de R$ 50 milhões, o que resultaria no gasto do valor arrecadado com a venda em um ano e meio.

Questionado se não poderia haver, como há em outras concessões, como nos transportes, a obrigatoriedade de se assumir junto às áreas rentáveis locais que são deficitários, o presidente da Caern disse que 120 das 167 cidades do estado são deficitárias financeiramente com relação aos serviços de abastecimento de água e saneamento básico. Por isso, na opinião dele, não haveria interesse das companhias.

“O pessoal compara com o setor de energia, mas desde o nascedouro é diferente. Energia a concessão é estadual. Água e esgotos é do município. A titularidade é dos municípios. A diferença já é significativa a partir desse ponto. A empresa que compra pode ficar só no ‘filé’. Poderia (licitar locais rentáveis com menos rentáveis), mas não gera interesse econômico. Foi o que aconteceu com o Rio de Janeiro, que passou por problemas”, disse Linhares, citando ainda como exemplos mal sucedidos de privatizações os estados do Amazonas, Rio Grande do Sul e Minas Gerais.

Na entrevista, Roberto Linhares também falou sobre a dificuldade de se fazer investimentos em infraestrutura, desde a distribuição (adução) de água, até as ações de saneamento. Na área de saneamento, inclusive, Linhares disse que o percentual de cobertura em Natal é de 51%, o mesmo desde o início da gestão do Governo do Rio Grande do Norte. Segundo ele, não houve avanço porque não foram concluídas as estações de tratamento de esgotos previstas.

“Somos um Governo do PT com um Governo Federal totalmente contrário. A gente não encontra facilidade no Ministério do Desenvolvimento Regional”, disse. Questionado sobre os anúncios de repasses realizados pelo MDR para o Rio Grande do Norte, com inauguração de obras importantes na área de segurança hídrica, Linhares disse que não foi para o saneamento. “Estou parado para readequação contratual há cinco meses e não se encontra facilidade para fazer a readequação. Até na Caixa temos dificuldade em tratar de determinados temas”, disse Linhares, afirmando que o objetivo seria fazer a readequação do contrato para usar o restante dos recursos na compra de equipamentos. A obra está em curso desde 2013.

De acordo com o presidente da Caern, enquanto não forem concluídas as duas estações de tratamento prontas, “não cresce um por cento” o saneamento. A ETE Jaguaribe está com 95% de obra concluída e deve ser concluída em 2023. Já a dos Guarapes, a expectativa é que seja finalizada somente em 2024.

Tribuna do Norte

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