Governo entra em campo por aumento do valor do fundo eleitoral de 2022

Sede da AGU Foto: Reprodução Sérgio Lima

A Advocacia-Geral da União (AGU) defendeu, em manifestação enviada ontem ao Supremo Tribunal Federal (STF), a constitucionalidade do aumento do valor do fundo eleitoral de 2022, que vai financiar, com dinheiro público, as próximas campanhas políticas. O órgão também pediu à Corte que rejeite a ação em que o partido Novo pede a revogação da aprovação do fundo. Na argumentação, a AGU nega que tenha sido feito um “novo cálculo” fora dos parâmetros legais.

Em dezembro, o Congresso Nacional aprovou o relatório final do Orçamento de 2022, com previsão de R$ 4,9 bilhões para o fundo eleitoral. Mas o valor final pode ficar ainda maior, caso avancem as negociações do ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, junto ao Ministério da Economia, para que as campanhas eleitorais deste ano contem com R$ 5,7 bilhões. A equipe econômica busca uma forma de remanejar R$ 800 milhões para turbinar o fundo dentro da revisão da Lei de Diretrizes Orçamentárias.

Segundo a manifestação da AGU, “não se apresenta razoável partir da premissa de que a destinação de recursos para campanhas eleitorais, definida por critérios legais, estaria a depender de um sarrafo quantitativo para sabermos se atende ou não ao princípio constitucional da moralidade”. O órgão afirma que os critérios para a distribuição dos recursos do fundo estão “delineados em lei”.

“O que se fez foi estabelecer a diretriz para o projeto de lei orçamentária de 2022, no caso, como se discriminam as dotações destinadas ao Fundo, em convergência com o piso e com os critérios estabelecidos na Lei nº 9.504/1997. Não se criou nova fórmula de cálculo para o aumento discricionário do Fundo”, acrescenta a AGU.

Conforme o órgão, “a forma de distribuição dos recursos, por sua vez, guarda uma métrica objetiva e legalmente prevista, de modo que adotar a premissa de que, quanto maior for o valor destinado para as campanhas, maior será o desvio de finalidade, seria, por si só, um equívoco, sobretudo, por estarmos diante da ausência de elementos concretos para tanto”.

Argumentação
Na ação no Supremo, o Novo argumenta que o dispositivo criado no Congresso para aumentar a verba do fundo eleitoral, prevista inicialmente em R$ 2,1 bilhões, seria inconstitucional por invadir a competência do presidente da República — a quem cabe enviar a proposta orçamentária, incluindo os critérios para se definir o valor do fundo.

O ministro André Mendonça, recém-empossado no STF, é o relator da ação movida pelo Novo. Na semana passada, o magistrado, que já foi advogado-geral da União do atual governo, pediu informações à Presidência e ao Congresso e levará o assunto à apreciação do plenário da Corte.

O Executivo passou a negociar o aumento das verbas do fundo eleitoral após pressões de caciques do Centrão, grupo de partidos que apoiam o governo e o projeto do presidente Jair Bolsonaro (PL) de se reeleger.

Ao mesmo tempo, lideranças do bloco articulam para que seus interesses eleitorais não sejam atingidos pelo corte de R$ 9 bilhões que o Ministério da Economia precisa fazer no Orçamento 2022 para ajustar as contas. Segundo a equipe do ministro Paulo Guedes, o corte é necessário para cobrir despesas que foram subestimadas pelo Congresso durante a tramitação do Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias deste ano. Bolsonaro tem até a sexta-feira para sancionar o Orçamento, com ou sem cortes.

De acordo com apuração do Correio junto a integrantes do Centrão, que falaram na condição de anonimato, o principal interesse do grupo é poupar dos cortes os recursos de emendas parlamentares, com as quais deputados e senadores enviam benefícios para seus redutos eleitorais. As chamadas emendas do relator, por exemplo, que não têm transparência e servem para o governo barganhar apoio no Congresso, contam com uma previsão de R$ 16,5 bilhões para este ano.

Proteção
Na avaliação do economista Ciro de Avelar, a discussão sobre os cortes no Orçamento tem se desenrolado de maneira a garantir que Ciro Nogueira, um dos caciques do Centrão, comande as rédeas dos ajustes de forma a não causar prejuízos ao grupo político. “Isso ficou claro com as emendas do relator, que não serão cortadas e já estão destinadas, de, aproximadamente, R$ 16 bilhões”, disse. “O corte de R$ 9 bilhões tende a não prejudicar parceiros e aliados que serão muito importantes este ano para a base eleitoral do presidente”, frisou.

Avelar destacou que Nogueira está mapeando quais são os parlamentares fiéis ao governo nas votações do Congresso. “Esse corte deve vir, principalmente, nas emendas que não são de interesse do governo ou que não devem refletir numa perspectiva positiva a Bolsonaro”, avaliou.

Renato Ribeiro de Almeida, advogado especialista em direito eleitoral, teme que por trás dessas discussões haja “apenas uma manobra eleitoreira, favorecendo emendas parlamentares, em detrimento da necessidade de apertar os gastos orçamentários do ano”.

Crítica ao aumento do fundão
O senador Izalci Lucas (PSDB-DF) criticou a tentativa do Centrão de ampliar o já turbinado Fundo Eleitoral, de R$ 4,9 bilhões para R$ 5,7 bilhões. “Eu vejo como inviável. Acho que no Senado não passa. Não tem sentido aumentar”, afirmou, em entrevista ao programa CB.Poder, parceria entre o Correio e a TV Brasília. A iniciativa de aumentar o chamado fundão é liderada pelo ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, um dos caciques do Centrão. O movimento começou depois que o presidente Jair Bolsonaro entregou o controle do Orçamento ao político do PP. Izalci destacou, porém, que não basta a vontade de Nogueira de aumentar o fundão. “A suplementação desse valor passa pelo Congresso. Teria de ser por um PLN (Projeto de Lei do Congresso Nacional), teria de passar pela CMO (Comissão Mista de Orçamento) e, depois, ir à votação.”

Com informações do Correio Braziliense

 

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  • IFRN SPP: Incubadora abre seleção contínua para empresas inovadoras

    O Campus São Paulo do Potengi abriu processo seletivo, em fluxo contínuo, para empresas interessadas em ingressar no Programa de Incubação da Incubadora Tecnológica do Potengi (IT Potengi). As inscrições seguem abertas até 31 de dezembro de 2026 e devem ser realizadas por meio de formulário eletrônico.

    A seleção é destinada a empreendimentos com propostas inovadoras – em estágio de ideação ou já estruturados – que apresentem viabilidade técnica e potencial de mercado. Podem participar estudantes, egressos, servidores da instituição e também pessoas da comunidade externa.

    O edital contempla duas modalidades: empresas residentes, com uso da estrutura física da incubadora, e não residentes, acompanhadas de forma remota. A definição final será feita pela equipe gestora, considerando o perfil do empreendimento e a disponibilidade de vagas.

    Ecossistema de inovação
    O processo seletivo ocorre em etapas sucessivas: submissão da proposta, análise inicial, apresentação do modelo de negócio (pitch) e entrevista. A classificação considera critérios como inovação, viabilidade e potencial de mercado, com convocação conforme disponibilidade de vagas, característica do modelo de fluxo contínuo.

    As empresas selecionadas terão acesso a mentorias, capacitações, consultorias especializadas e conexões com o ecossistema de inovação. Também poderão utilizar espaços e infraestrutura do campus, conforme a modalidade de incubação.

    O período de incubação é de até doze meses, podendo ser prorrogado por igual período mediante avaliação de desempenho. A participação envolve taxa mensal de R$ 150 para empresas residentes e R$ 60 para não residentes, com possibilidade de isenção inicial para projetos em fase de ideação.

    Acesse

    Página do processo seletivo

  • ALRN debate projeto inédito no Brasil contra promoção de acusados de feminicídio

    O presidente da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte, Ezequiel Ferreira, recebeu nesta semana uma comitiva formada pelas deputadas Divaneide Basílio, presidente da Comissão de Direitos Humanos; Cristiane Dantas, procuradora especial da Mulher, e Terezinha Maia, para tratar da tramitação do Projeto de Lei Complementar que prevê a suspensão e a vedação de promoção de servidores acusados de feminicídio e demais crimes hediondos. A proposta altera dispositivos das Leis Complementares Estaduais nº 463/2012, nº 515/2014, nº 566/2016, nº 571/2016 e nº 122/1994, fortalecendo os mecanismos administrativos de enfrentamento à violência de gênero no âmbito do serviço público estadual.

    Considerado o primeiro projeto de lei do Brasil com esse alcance específico, o texto estabelece que servidores acusados de feminicídio ou crimes hediondos não poderão receber promoções enquanto estiverem respondendo judicialmente pelos crimes. Em caso de absolvição, a progressão funcional ocorrerá de forma retroativa, assegurando os direitos do servidor inocentado. A proposta surge como um novo instrumento de proteção institucional às mulheres e de combate à impunidade na esfera administrativa.

    Durante a reunião, o presidente da Casa Legislativa se comprometeu em dar celeridade à tramitação da matéria, que já se encontra em andamento na Assembleia Legislativa. Para Ezequiel Ferreira, a pauta representa um compromisso permanente da Casa com o fortalecimento das políticas públicas voltadas às mulheres.

    “O empoderamento das mulheres está enraizado na minha história, com o exemplo da minha mãe, que foi uma mulher à frente do seu tempo. Essa pauta será sempre prioridade. Sabemos que temos progredido, mas ainda temos um longo caminho a seguir, e essa lei vem contribuir com esse avanço”, destacou o parlamentar.

    A deputada Divaneide Basílio ressaltou o simbolismo da proposta, especialmente diante do aumento dos casos de violência contra a mulher no país. “É uma resposta para todas as mulheres e, no mês das mães, uma resposta para as mães que perderam suas filhas para o feminicídio”, afirmou a parlamentar, destacando ainda a importância do alinhamento entre os poderes e os órgãos de proteção às mulheres para garantir avanços concretos no enfrentamento à violência de gênero.

    Já a deputada Cristiane Dantas lembrou que o Rio Grande do Norte já possui legislação estadual que impede a contratação de acusados de feminicídio para cargos públicos, e afirmou que o novo projeto amplia essa proteção institucional. “Essa proposta vem complementar a legislação já existente e fortalecer o compromisso do Estado no enfrentamento à violência contra a mulher”, pontuou.

    A deputada Terezinha Maia também destacou a importância da iniciativa e parabenizou a governadora do Estado pelo encaminhamento do projeto à Assembleia Legislativa, reforçando a necessidade de união entre os poderes para consolidar políticas públicas efetivas de proteção às mulheres.

    Participaram ainda da reunião a secretária estadual das Mulheres, da Juventude, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos, Julia Arruda; a subsecretária de Políticas para as Mulheres do RN, Joseane Bezerra; a assessora jurídica da Semjidh, Érica Araripe; a assessora parlamentar Luciene Santana Peralta; e a presidente do Conselho Estadual dos Direitos das Mulheres do RN, Joana Lopes.

    Segundo a justificativa apresentada pelo Governo do Estado, o Projeto de Lei Complementar insere-se no contexto do compromisso permanente do poder público com o fortalecimento das medidas de enfrentamento à violência de gênero e combate à impunidade na esfera administrativa. O caso da jovem Zaira Cruz foi citado durante a reunião como exemplo da necessidade de endurecimento das medidas administrativas em situações nas quais acusados seguem recebendo benefícios funcionais enquanto respondem judicialmente pelos crimes.

    Ao final do encontro, as parlamentares agradeceram a sensibilidade do presidente da Assembleia Legislativa em priorizar pautas voltadas à proteção das mulheres e ao fortalecimento das políticas públicas de defesa dos direitos femininos no Rio Grande do Norte.

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    Os presidentes também discutiram assuntos ligados à geopolítica internacional, ao papel da ONU, às tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos e à cooperação bilateral.

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  • Estudo da UFRN aponta potencial da semente de tamarindo no controle da glicose

    Um estudo desenvolvido na Universidade Federal do Rio Grande do Norte identificou que um composto extraído da semente de tamarindo pode ajudar no controle do açúcar no sangue. A pesquisa aponta que a substância atua na redução da atividade de uma enzima ligada à digestão de carboidratos, o que pode influenciar nos níveis de glicose após as refeições.

    O trabalho foi realizado no Programa de Pós-Graduação em Nutrição da universidade e analisou o inibidor de tripsina presente na semente do tamarindo. Segundo os pesquisadores, o composto conseguiu reduzir em mais de 37% a atividade da enzima α-amilase, responsável pela quebra dos carboidratos em açúcares simples.

    Os experimentos envolveram análises em laboratório e simulações computacionais feitas com apoio do Núcleo de Processamento de Alto Desempenho da UFRN, permitindo observar como as moléculas interagem com a enzima.

    De acordo com a equipe responsável, os resultados reforçam estudos anteriores que já apontavam possíveis benefícios metabólicos associados ao extrato da semente de tamarindo, incluindo efeitos relacionados à saciedade e processos inflamatórios.

    Apesar dos resultados promissores, os pesquisadores ressaltam que os dados ainda estão em fase experimental e não representam aplicação clínica imediata. A expectativa é que novos estudos avancem na avaliação da segurança e da eficácia do composto, além de possíveis usos em alimentos funcionais e nutracêuticos.

  • Governo do RN promove 735 oficiais e praças da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros

    Reforçando as ações de valorização das Forças de Segurança Pública do Estado, o Governo do Rio Grande do Norte oficializou, nesta quarta-feira (6), a promoção de 735 membros da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros.

    As promoções contemplam 624 integrantes da Polícia Militar — sendo 619 praças e cinco oficiais — e 111 integrantes do Corpo de Bombeiros, beneficiando 94 praças e 17 oficiais. As promoções dos servidores públicos serão oficializadas através de publicações no Diário Oficial do Estado ainda nesta semana.

    Segundo a governadora Fátima Bezerra, as promoções consolidam a política de valorização dos servidores da segurança pública no Rio Grande do Norte. “Entendemos que este é um ato de reconhecimento do trabalho desses profissionais. Lembrando, ainda, que seguimos com investimentos em estrutura e equipamentos, garantindo condições cada vez melhores de trabalho aos nossos militares”, disse.

    O secretário de Segurança Pública, coronel Francisco Araújo, destacou o empenho do Governo do Estado para garantir o reconhecimento de cada servidor. “É uma medida de reconhecimento e de valorização do nosso capital humano, que são os servidores das nossas forças de segurança”, saudou.

    Para o comandante da Polícia Militar, coronel Alarico José Pessoa Azevedo Júnior, as promoções fazem parte da política do Governo do Estado voltada à valorização das praças e dos oficiais. “Estamos promovendo 619 praças e cinco oficiais, totalizando 19.275 promoções desde 2019”, comemorou.

    O comandante do Corpo de Bombeiros, coronel Luiz Monteiro da Silva, destacou que, no período entre janeiro de 2019 e abril de 2026, a instituição somou 1.581 promoções totais. “São 168 oficiais e 1.413 praças que progrediram na hierarquia da corporação”, encerrou.

  • Governo do RN assina convênio para construção de 40 casas nos municípios de Paraná e Santa Maria

    Os municípios de Paraná, na região do Alto Oeste do RN, e Santa Maria, na região Agreste, vão ganhar 40 novas moradias para atender a população em situação de vulnerabilidade. Contrato neste sentido foi assinado nesta terça-feira, 06, pela governadora Fátima Bezerra com os prefeitos das respectivas cidades e com a Caixa Econômica Federal.

    Cada município vai receber 20 residências do programa Minha Casa Minha Vida (MCMV) com investimento de R$ 2,7 milhões por município, totalizando R$ 5,4 milhões. O Governo do RN participa da iniciativa através da Companhia Estadual de Habitação (Cehab) em parceria com as prefeituras e a Caixa Econômica Federal. Os recursos são oriundos do Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social (FNHIS).

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