Posto de anti-Bolsonaro é disputado por quatro

A primeira pesquisa feita pelo Ibope depois que o TSE retirou Lula do baralho sucessório indica que 22% dos eleitores manifestam a intenção de impor a presença de Jair Bolsonaro no segundo turno. Mantendo-se essa tendência, a campanha será marcada nas próximas semanas por uma disputa pela única vaga à disposição no momento —a vaga de anti-Bolsonaro. Os dados revelam também que quatro candidatos guerreiam por esse posto: Marina Silva (12%), Ciro Gomes (12%) Geraldo Alckmin (9%) e Fernando Haddad (6%).

No grupo dos presidenciáveis ditos competitivos, todos oscilaram para cima, exceto Marina, que manteve o mesmo percentual que ostentava na pesquisa divulgada em 20 de agosto. Entre os que cresceram, todos escalaram dois pontos percentuais, à exceção de Ciro, que subiu três. Assim, o candidato que promete tirar 63 milhões de eleitores do SPC foi o único a ultrapassar os limites da margem de erro da pesquisa, que é de dois pontos. Um indicativo de que, em tempos de crise, uma mensagem capaz de se comunicar com o bolso pode render dividendos.

O vínculo com Lula, outra fonte de votos na disputa de 2018, ainda não impulsionou o desempenho de Haddad. Ele continua frequentando o noticiário e o horário político no rádio e na TV como estepe do líder preso. O PT planeja formalizar a troca de Lula por Haddad apenas na próxima terça-feira (11). Com isso, o novo poste terá escassos 26 dias para reivindicar os votos do padrinho, hoje dispersos. O egoísmo deixa Lula em posição confortável. Se Haddad chegar ao segundo turno, deverá o feito à divindade presidiária. Eventual infortúnio será debitado à falta de carisma do candidato-laranja.

JOSIAS DE SOUZA

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