Economia

No Brasil, o preconceito com a maternidade ainda poda executivas

Para chegar à posição de vice-presidente da multinacional brasileira de tecnologia CI&T e à de integrante dos conselhos de administração da Telefônica/Vivo e da Locamerica, Solange Sobral não só teve de atravessar barreiras extras por ser mulher e negra, mas também por ser mãe e atuar em uma área predominantemente masculina, a de tecnologia. A maternidade e o setor de atuação são dois dos grandes obstáculos que as mulheres enfrentam e, em muitos casos, estancam a trajetória das executivas, conforme especialistas.

Foto: Alex Régis

“Quando você vai para alguns setores, como de tecnologia ou financeiro, e, dentro dessas áreas escolhe o ‘core business’ (atividade principal), vai rareando cada vez mais o número de mulheres. E vai ficando cada vez mais difícil você ascender nesse ambiente”, diz Solange.

A professora do Insper Ana Diniz explica que a participação reduzida das mulheres nas áreas consideradas mais estratégicas é consequência da divisão sexual do conhecimento. Se antes as mulheres ficavam em casa cuidando dos filhos e, após romper essa primeira barreira, tornaram-se professoras e enfermeiras, agora é praticamente natural que a lógica do cuidado continue sendo reproduzida.

Diretora financeira e de relações com investidores da TIM, Camille Loyo Faria é uma das poucas mulheres no País que quebraram essa lógica. Formada em Engenharia Química, ela fez carreira no setor financeiro. Quando jovem, sentia que sua visão diferente incomodava a maioria masculina das equipes. “Também cheguei a ouvir que havia alcançado certa posição porque estava tendo um caso com o chefe. Queriam dizer que não tinha competência.”

Hoje, Camille diz que se sente respeitada nos ambientes de trabalho, mas acredita que mulheres que cresceram em áreas tidas como mais femininas podem ter se sentido mais confortáveis com suas equipes. “Quando você está cercada de pessoas diferentes, pode haver menos empatia. Não acho que uma profissional de RH tenha menos dificuldade do que eu, mas é mais fácil lidar com as dificuldades quando se têm colegas que vivenciam as mesmas experiências.”

A executiva Vanessa Lobato, vice-presidente de varejo do Santander, diz não conhecer outra mulher que ocupe posição semelhante a sua no mercado bancário brasileiro. Vanessa começou sua trajetória na liderança como gerente de banco, foi superintendente e acabou migrando para a diretoria de recursos humanos – antes de se tornar vice-presidente de varejo.

“É como se fosse mais permitido a mulher se desenvolver nas áreas de suporte. É um viés inconsciente. É como se a mulher fosse menos capaz de lidar com números e entrega e mais capaz para lidar com contextos. Que grande bobagem”, diz a executiva, que lidera 30 mil pessoas.

Vanessa reconhece que, no comando do varejo, a maior parte da diretoria que responde a ela é formada por homens, diferentemente do que ocorria quando estava na área de RH. Na posição atual, tem trabalhado para suas equipes comprarem a pauta da diversidade de forma genuína e não tem perdido as oportunidades para mudar a cara da liderança.

“Quando uma cadeira (de diretoria) fica vazia, temos de procurar alguém com o olhar da diversidade. Não vou sair demitindo homens, mas temos de ter coragem para ter ações afirmativas”, acrescenta. “Oito anos atrás, se você me chamasse para uma reunião de diversidade, eu talvez não fosse. Mas tive o privilégio de estudar o tema, de olhar para minha vida e perceber o quanto de machismo já enfrentei. Já estive numa sala com homens que fingiram que eu não estava ali, mas, na época, eu nem percebia isso.”

Para Solange, conselheira da Telefônica e da Locamerica, projetos que estimulem mulheres a mergulhar na tecnologia e que mostrem as perspectivas que podem trazer para esses setores podem ajudar a elevar a presença feminina em áreas estratégicas. Dar espaço para as mulheres em eventos, contando suas histórias, também é importante, diz. “Tenho certeza de que, por trás de muita história das empresas de tecnologia, há mulheres fazendo a diferença. São poucas, e elas não aparecem. Mas essa é uma forma de outras mulheres verem que é possível.”

As barreiras da ascensão profissional
A maternidade é apontada pelas executivas como uma das maiores barreiras para a ascensão. De acordo com Margareth Goldenberg, gestora executiva do Mulher 360 (movimento empresarial que trabalha por empoderamento feminino e equidade de gênero), é mais comum que mulheres cheguem à liderança quando não têm filhos. Isso significa que muitas precisam abrir mão das ambições pessoais para serem executivas. “Não é justo que elas tenham de optar. As barreiras da maternidade são imensas na jornada de desenvolvimento profissional. Portanto, as empresas precisam adotar práticas acolhedoras, como horário flexível.”

A diretora de relações governamentais do Mulheres do Brasil (grupo que trabalha na defesa dos interesses das mulheres e é liderado pela empresária Luiza Trajano, do Magazine Luiza), Lígia Pinto, reconhece que, em algumas áreas, como as engenharias, há menos mulheres sendo formadas. Daí a necessidade de, ainda nas primeiras fases da escola, conscientizar as meninas de que elas podem estar onde quiserem.

“Homens e mulheres são diferentes e exercem a liderança de formas diferentes, mas é preciso saber, desde a infância, que é muito grave o discurso de que homem veste azul e mulher, rosa. As meninas precisam ser inseridas também nas aulas de robótica”, diz Ligia, também professora da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Ligia Pinto conta que, em um trabalho para uma grande consultoria, observou que as mulheres da lista dos dez principais candidatos a se tornar sócios da empresa não tinham filhos. As candidatas com filhos apareciam nas últimas posições de um ranking com 40 profissionais. Isso acontecia porque a metodologia adotada para analisar os futuros sócios considerava o faturamento que os profissionais tinham conseguido gerar em 12 anos. Mulheres que haviam tirado licença-maternidade tinham faturamento zero por quatro ou oito meses, conforme o número de filhos que tinham tido.

“Eles não levavam em consideração o período de afastamento. Quando era desconsiderado o período de licença-maternidade, essas mulheres subiam no ranking e entravam de verdade na disputa pela vaga de sócia. Essa questão da maternidade é estrutural, mas esse exemplo mostra quanto até o padrão de avaliação pode ser machista”, diz Lígia.

Professora de gestão de pessoas na FGV, Vanessa Cepellos conta que muitas mulheres acabam sendo forçadas a deixar seus empregos quando têm filhos e, ao tentar retornar ao mercado, percebem que suas habilidades ficaram obsoletas. Para aquelas que conseguem permanecer no trabalho, é comum que passem a ser mal avaliadas pelos superiores por terem de dividir a atenção com as obrigações domésticas.

No caso de Solange Sobral, a ascensão profissional e a maternidade só foram possíveis porque ela teve a oportunidade de discutir com os chefes, antes da licença, como seria seu retorno Solange conta também que o apoio da mãe e do marido foi fundamental. “Tive o privilégio de ter parceiros e filhos que entenderam que, em alguns momentos, não estaria presente porque, para me sentir completa, tinha também o lado profissional.”
Via Agência Estado

Em três anos de execução no RN, o AgroNordeste transforma o campo

Mesmo com o início da pandemia, o agronegócio do Rio Grande do Norte não parou. As principais lavouras e produção pecuária foram escoadas para consumo interno e principalmente para estados vizinhos. O acesso a mercados não soa com problema para produtores rurais do Estado. Os entraves são outros. Além da escassez hídrica natural do semiárido, os fatores que mais impendem a expansão do agronegócio potiguar estão relacionados ao acesso ao crédito para custeio das atividades no período de entressafra ou aquisição de implementos agrícolas, atuação de atravessadores, que impõem baixo preço de compra das mercadorias, e ainda a falta de mão de obra qualificada para trabalhar no campo.

Foto: FRED VERAS

Isso foi o que revelou uma pesquisa qualitativa inédita promovida pelo Sebrae no Rio Grande do Norte avaliar a situação dos produtores rurais em relação ao mercado, comercialização, gestão da atividade rural e resultado das ações do projeto AgroNordeste, que é executado desde outubro de 2019 pela instituição, em parceria com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), para impulsionar o desenvolvimento econômico, social e sustentável do meio rural da região a partir de cadeias produtivas para as quais a região tem aptidão. O estudo foi executado junto a grupos focais, formados com 34 produtores de culturas variadas – como a apicultura, cajucultura, fruticultura, avicultura pecuária de leite e de corte – dos municípios de Florânia, Touros, Severiano Melo e Serra do Mel participantes do projeto.

O levantamento comprovou que as ações desenvolvidas por meio do programa têm sido importantes para minimizar os entraves vividos pelo setor e para promover maior competitividade às propriedades rurais do Rio Grande do Norte.

O programa tem servido de base para os participantes se atualizarem acerca da atividade e obterem novos conhecimentos com o compartilhamento de boas práticas recursos, produção e insumos. No Rio Grande do Norte, o AgroNordeste tem ofertado assistência e consultoria técnicas para o manejo da propriedade rural, soluções para obtenção do licenciamento ambiental, uso adequado dos insumos e da água, redução nos custos de produção e aumento da lucratividade, melhoramento genético dos animais e aumento da produtividade.

“Temos a satisfação de comprovar a percepção positiva do programa entre os produtores beneficiados. Isso é o resultado de todo um planejamento estratégico do projeto, que está em curso e já e gera resultados relevantes em termos de boas práticas e referência, tanto na esfera regional quanto nacional”, diz o gestor do projeto AgroNordeste no RN, Elton Alves. O gestor explica que diante das dificuldades apontadas, o Sebrae buscou alternativas para suavizar os gargalos verificados no estudo.

“Desenvolvemos ações como o Circuito do RN Solar Rural para estimular a mudança de matriz energética das propriedades, inserção dos produtores em compras públicas e a integração dos apicultores de todo o estado. Concentramos esforços para a implementação de políticas públicas capazes de fomentar o agronegócio no Rio Grande do Norte”.

Além disso, a inciativa levou a real noção de que uma propriedade é um tipo de negócio, e que, por isso, requer gestão. Isso porque as consultorias ofertadas trabalham a administração financeira da propriedade, desde o controle do preço de venda, dos insumos e sobretudo do desperdício, como ferramenta no processo de tomada de decisão.

O mesmo acontece com a gestão ambiental, que é trabalhada junto aos produtores atendidos pelo projeto. Eles aprendem a adotar técnicas de reuso de água (incluindo as águas cinzas, aquelas resultantes do uso doméstico diário), da energia fotovoltaica, da utilização de biofertilizantes e outras tecnologias sociais.

Principais dificuldades incluem acesso ao crédito
Segundo relatos dos produtores sondados na pesquisa, realizada em abril, a atividade se manteve em níveis habituais mesmo em período de pandemia e praticamente toda a produção vem sendo comercializada no Rio Grande do Norte e estados vizinhos como Alagoas, Ceará, Pernambuco e até São Paulo, como é o caso da comercialização da castanha de caju. Segundo os produtores mercado não é problema, o gargalo hoje é a dependência do atravessador que define o preço de compra, gerando dificuldade para cobrir os custos de produção e manter a propriedade rural.

De acordo com o analista técnico da Unidade de Gestão Estratégica do Sebrae-RN e responsável pelo levantamento, Paulo Ricardo Bezerra, as principais dificuldades citadas no estudo incluem também o acesso ao crédito para custeio da atividade no período de entressafra e para aquisição de máquinas e equipamentos, sem contar com os custos com logística, energia elétrica e alto valor dos insumos.

“Os resultados indicam claramente que a atuação do Sebrae é importante, mas isoladamente ainda não suficiente para gerar uma transformação mais robusta. É necessário a adesão de outras instituições para atacar os pontos que necessitam de melhorias, como para capacitação de mão de obra e disponibilização de crédito orientado e regularização fundiária”, pontua.

Via Tribuna do Norte

Passagem aérea sobe 88% em um ano: veja como comprar mais barato

Foto: Edu Garcia/R7

O preço das passagens aéreas subiu 18,33% em maio, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Nos últimos 12 meses, o aumento acumulado é de 88,65%. O principal motivo é o aumento do preço do combustível.

Dados da Anac (Agência Nacional de Aviação) mostram que o querosene da aviação registrou alta de 82,7% no primeiro trimestre de 2022, em relação ao mesmo período de 2019. Já a cotação do dólar em relação ao real, que também influencia no preço da passagem, aumentou de 38,7%. Desde então, o preço da passagem aérea variou 21%.

Escolha voos em horários mais baratos

Prefira viajar em horários em que a passagem é mais barata. Baseado em estudos do Kayak, o diretor da empresa no Brasil, Gustavo Vedovato, destaca que em “voos internacionais as partidas entre 5h e 10h horas da manhã podem ficar 22% mais baratas”. “Para os voos nacionais é o oposto: o melhor período do dia é entre 10h e 22h, quando o preço médio fica até 12% mais em conta.”

Compre com antecedência

Segundo Luiz Moura, diretor de marketing e sócio-fundador da Voll, conseguir uma passagem aérea mais barata está diretamente ligado ao comportamento e planejamento do consumidor. “É preciso antecipar a compra das passagens com cerca de três semanas antes da data da viagem. Por exemplo, uma ponte aérea entre Rio de Janeiro e São Paulo, a mesma passagem pode ter aumento de até 216% se, em vez de comprada com 20 dias de antecedência, ela for adquirida apenas três dias antes”, afirma.

Use aeroportos alternativos

Um levantamento da Onfly mostrou que trechos com tráfego de passageiros mais elevado, os reajustes entre 2021 e 2022 foram de três a quatro vezes maiores. Voos de São Paulo (Congonhas) para o Rio de Janeiro (Santos Dumont) subiram 433%. Já o destino São Paulo (Congonhas) para Belo Horizonte ficou 430% mais caro. Passagens de Belo Horizonte para São Paulo (Congonhas) aumentaram 307% e de Guarulhos para Vitória registram alta 291%. Essas são viagens que levam em média 1h20min.

Uma forma de baratear a passagens aérea é escolher pousar em aeroportos com mais oferta de voos, fazendo com que sejam mais baratos. Há cidades em que há dois aeroportos. O passageiro pode ainda usar outro meio de transporte para chegar ao seu destino final.

Não viaje nos dias de maior fluxo

Ainda de acordo com Palácio, outra estratégia para economizar é não viajar nos dias em que os aeroportos costumam ficar mais cheios. Nos feriadões, a demanda aumenta muito e os preços disparam. A dica é comprar a passagem aérea de ida para um dia antes do início de períodos com grande fluxo e a de volta para depois do término de feriados.

Prefira passagens com datas flexíveis

Escolher passagens aéreas que podem ser remarcadas com facilidade permite que o consumidor escape das variações do dólar.

Via R7

Governo do Estado tem “restos a pagar” de R$ 64 milhões para fornecedores e prestadores de serviços

Foto: José Cruz/Agência Brasil

O Rio Grande do Norte tem R$ 64.001.361,25 milhões em restos a pagar para fornecedores e prestadores de serviços a diversas secretarias e órgãos do Governo do Estado. Os dados foram obtidos pelo jornal Tribuna do Norte via Lei de Acesso à Informação (LAI).

Destes, R$ 55,876 milhões são de restos a pagar “processados”, isto é, quando o serviço ou produto foi realizado ou entregue, e R$ 6,364 milhões não processados, que é quando o recurso está garantido para o serviço, mas que ainda não foi feito. Os valores estão atualizados até junho.

De acordo com o secretário de Planejamento e Finanças do Rio Grande do Norte, Aldemir Freire, os restos a pagar não processados “não são problema”, porque significam, do ponto de vista contábil, que o bem ou serviço não foi entregue. “É uma reserva de orçamento”, diz.

Aldemir disse ainda que os valores em aberto com fornecedores são “absolutamente gerenciáveis” e que o Estado, atualmente, não vive crise com as empresas. Segundo ele, a maioria dos bens e serviços é do ano de 2022.

“Do mesmo jeito que equacionamos razoavelmente a questão dos servidores, a relação com os fornecedores avançou significativamente. Quando assumimos, tinha fornecedor com 10, 12 meses de atraso. Regularmente fazemos o pagamento do mês e fomos abatendo os restos a pagar ao longo do tempo. Aqui e acolá explode uma coisa ou outra, mas são pontuais, do processo burocrático que não andou direito. Não temos uma crise generalizada com fornecedores”, explica o secretário.

Entre as principais contas do Governo do Estado com restos a pagar, segundo a Seplan, estão gastos com energia, saúde, alimentação de apenados, restaurantes populares, combustíveis, serviços terceirizados na saúde e educação, locação de veículos, entre outras.

Em 2022, R$ 38,3 milhões foram pagos a empresas e fornecedores em restos a pagar. Na planilha enviada à Tribuna do Norte, R$ 10 milhões de restos a pagar foram cancelados em 2022, segundo Aldemir Freire. “A gente cancela um resto a pagar quando a gente compra um bem, empenhamos o valor, e a empresa alega que não quer mais entregar porque o preço que ela vendeu não consegue mais entregar. Nisso, cancelamos o empenho”, explica.

Até o momento, segundo dados atualizados da Seplan, o Rio Grande do Norte pagou R$ 210 milhões em restos a pagar em 2022. Este valor, no entanto, inclui fornecedores e prestadores de serviços e restos a pagar de outros programas e outras transferências, como Proadi, repasses para municípios, precatórios e Requisições de Pequeno Valor (RPV).

“Esse valor inclui bolsas de pesquisa que viraram o ano, programa do leite, inclui Proadi que a gente ainda devia, Progás, precatórios”, comenta.

“Tem algumas despesas que estamos em discussão judicial. Por exemplo, com os municípios: eles apresentam uma conta e nós apresentamos outra. São contas das duas gestões anteriores. Vamos fazer acordo judicial. Isso com os municípios são contas do Samu, Farmácia Básica, que não se pagava. Despesas mais antigas, de empresas, não temos uma, salvo quem cobra judicialmente. Temos tentado acordos com bancos de negociação com consignados que não foram pagos”, acrescenta.

Via Tribuna do Norte

Teto do ICMS deve reduzir preço da gasolina em R$ 0,80 no RN

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A aprovação do teto de ICMS sobre os combustíveis deve reduzir o preço do litro da gasolina em R$ 0,80, segundo estimativas feitas pelo consultor Dietmar Schupp. As informações são da Tribuna do Norte.

Dietmar Schupp, que é especialista em tributação do setor, explica que, em média, o preço médio da gasolina deve cair R$ 0,657 por litro no país com o teto de 17%. O impacto final, explica ele, vai variar de acordo com a alíquota atual de cada estado. Em média, a alíquota ICMS é de 27,6% no País.

“No caso do RN, onde a alíquota é de 29% e a redução é de R$ 0,795, ou seja R$ 0,80. As alíquotas de ICMS variam entre os estados, de 25% a 34%”, reforça Dietmar Schupp.

No Brasil, a maior redução no preço do litro será no Rio de Janeiro, cuja alíquota é de 34%. Em contrapartida, o menor impacto será sentido no Amapá, com 25%. “É maior no Rio de Janeiro, que tem hoje a maior alíquota sobre o combustível do país, de 34%”, explana.

O teto do ICMS limita a uma faixa de 17% a 18% a cobrança do tributo sobre combustíveis (gasolina, querosene de aviação, óleo diesel, álcool anidro e álcool hidratado), além de energia elétrica, transporte coletivo e comunicações. O projeto foi aprovado esta semana no Congresso, mas ainda aguarda sanção presidencial.
Via Blog do BG

Trabalhadores nascidos em dezembro podem sacar até R$ 1 mil no FGTS

Quem não tiver depósito automático deve pedir liberação/ Foto: Marcelo Casal Jr

A partir de hoje (15), cerca de 3,3 milhões de trabalhadores nascidos em dezembro receberão até R$ 1 mil das contas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). A Caixa Econômica Federal depositará o dinheiro na conta poupança digital, usada para o pagamento de benefícios sociais e previdenciários.

Com o lote de dezembro, a Caixa conclui o pagamento do saque extraordinário do FGTS, que beneficiou perto de 42 milhões de pessoas. A nova rodada de saques foi anunciada pelo governo em março para estimular a economia e fornecer uma ajuda para os trabalhadores após a pior fase da pandemia de covid-19.

Os valores só podem ser movimentados por meio do aplicativo Caixa Tem, que permite o pagamento de contas domésticas e a realização de compras virtuais em estabelecimentos não conveniados. O Caixa Tem também dá direito ao saque em caixas eletrônicos e transferência para a conta de terceiros.

O trabalhador precisa ficar atento. A maioria está recebendo o dinheiro automaticamente na conta poupança social digital da Caixa. No entanto, em caso de dados incompletos que não permitam a abertura da conta digital, a pessoa terá de pedir a liberação dos recursos.

Todo o processo para pedir o saque é informatizado. O beneficiado não precisa ir a uma agência da Caixa, bastando entrar no aplicativo oficial do FGTS, disponível para smartphones e tablets, e inserir os dados pedidos.

O aplicativo está dando a opção para o trabalhador pedir o crédito em qualquer conta-corrente ou poupança de qualquer banco. A possibilidade, no entanto, só vale para quem aceitar fornecer a foto de um documento oficial com fotografia para cadastrar a biometria.

O calendário foi divulgado em março. A liberação dos recursos seguiu um cronograma baseado no mês de nascimento. O dinheiro foi liberado em etapas entre 20 de abril e hoje.

*Com informações da Agência Brasil

Prato feito fica 25% mais caro em Natal

Almoçar nos restaurantes de Natal ficou até 25% mais caro em um ano. O tradicional prato feito, que custava entre R$ 16 e R$ 17 em 2021, já é encontrado por R$ 20, conforme constatou a reportagem da TRIBUNA DO NORTE, que percorreu estabelecimentos em diferentes regiões da cidade. A alta acompanha a subida dos preços dos ingredientes que compõem o famoso “PF”, como feijão, arroz, macarrão, legumes e carne. Na capital potiguar, em doze meses, a cesta básica ficou 24,4% mais cara, segundo apurou o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Econômicos (Dieese), em abril deste ano.

Foto: Magnus Nascimento

Para tentar sobreviver na crise, os proprietários de restaurantes populares se desdobram criando promoções, mudando cardápio, trocando ingredientes, oferecendo opções mais baratas e pesquisando cada vez mais nos supermercados e atacadões. O grande desafio é reduzir os custos, mas sem perder a qualidade do serviço e da comida. A manutenção do padrão de atendimento e a transparência com o cliente são aliados na hora de, inevitavelmente, repassar reajustes no preço final. “Conversamos com o cliente, explicamos o porquê dos aumentos e ele entende porque sabe como as coisas estão caras”, relata Márcia Cabral, que trabalha em um restaurante na Cidade Alta.

Na zona Sul, o almoço com preço fixo, que era de R$ 13 no período pré-pandemia, em 2019, é vendido a R$ 20. O prato com preço fixo passou por seguidos reajustes diante do constante aumento dos insumos nos supermercados, afirma Silvana Carvalho, uma das proprietárias do Coronel Mostarda, restaurante popular de Neópolis. No estabelecimento, que fica na Avenida Ayrton Senna, o PF era comercializado por R$ 16 no ano passado, mas passou para R$ 18 no início deste ano, até chegar aos R$ 20 atuais.

“É muito difícil porque o nosso restaurante é um restaurante popular, não podemos fugir disso. Nós aumentamos R$ 2 há uns três meses, mas não fez nem efeito. Não segura. Antes, a gente aumentava por ano, a cada oito meses, hoje não tem mais como. Como nosso estilo é esse [popular], a gente não consegue repassar porque senão afasta o cliente, mas está absolutamente difícil. Todos os dias é um preço diferente no supermercado, não tem mais aquilo de época, antigamente tinha aquilo de que se tivesse na safra baixava, se não tivesse, subia”, comenta a empresária.

Silvana afirma que uma das saídas encontradas para tentar driblar a alta inflacionária é pesquisar mais. “Eu saio daqui e faço uma rota por Mineirão, Sam’s Clube, Atacadão, Assaí, Superfácil, aí onde for mais barato eu compro. Fico rodando que nem barata tonta”, brinca. “O problema dessa rota é a gasolina. É isso e tirar coisas mais caras do buffet, como um corte mais nobre de carne, por exemplo”, complementa.

Silvana divide a administração com o marido Maurício. Os dois decidiram mudar o cardápio e criar opções menores de pratos feitos e quentinhas. “É uma alternativa, criamos uma ‘mini’ de R$ 9 para quem não tem condições de pagar os R$ 20 e temos o meio-termo, que são as quentinhas de R$ 16, R$ 18. Antigamente vinha a família comer aqui no espaço e aí cada um pagava pelo seu prato. Agora é comum que uma pessoa da família venha aqui faça uma ou duas quentinhas e leve para casa e aí lá faz a divisão. A gente percebe isso demais”, comenta.

Do outro lado da cidade, no bairro de Pajuçara, os funcionários de um restaurante, localizado na Avenida Dr. João Medeiros Filho, zona Norte de Natal, também tiveram que se adaptar à carestia para manter o funcionamento do estabelecimento sem afastar a clientela. Maria Fernanda, que trabalha na churrascaria há quatro anos, diz que de 2020 para cá, o preço do PF subiu de R$ 15 para R$ 20. O último reajuste ocorreu neste ano, quando o antigo preço de R$ 17, praticado em 2021, deu lugar aos atuais R$ 20.

“É muito caro, é absurdo porque está tudo aumentando. Todo mundo sente, a gente, o cliente, supermercado, aí não tem como manter”, diz a profissional. Ela explica que o estabelecimento passou por uma recente mudança no cardápio por causa da inflação. “A gente oferecia o churrasco e as carnes no buffet, mas agora tiramos as carnes e deixamos só o churrasco. Só colocamos as proteínas junto com o churrasco para o cliente nos fins de semanas. A situação está complicada”, comenta Fernanda, da Beniccio’s Grill.

A crise também afeta comportamento do cliente. A autônoma Clenilda Andréia diz que passou a frequentar menos o restaurante perto de casa, ela conta que prefere comprar uma quentinha por um valor menor do que comer dentro do estabelecimento. “O prato aqui está R$ 20, mas tem essas opções mais em conta de quentinhas por R$ 17. Colocando na ponta do lápis vale mais a pena, minha rotina como autônoma é assim, então nem sempre tenho tempo de fazer comida. A solução muitas vezes é essa”, pontua.

Criatividade e promoções para afastar a crise

Trabalhando no vermelho desde a reabertura após o período mais restritivo da pandemia, o Sadoche Restaurante, na Cidade Alta, zona Leste de Natal, lançou uma promoção para atrair mais clientes. Quem almoça no local antes das 12h e depois das 14h tem 10% de desconto na hora do pagamento, conta a gerente Márcia Cabral. “É uma tentativa de chamar o pessoal de volta, aqueles que comiam aqui e deixaram de comer por causa de algum aumento, por exemplo. A gente pensa que é uma forma justa de oferecer um benefício ao cliente”, diz.

Com o desconto, o preço do prato, que pode ser montado via self-service, cai de R$ 20 para R$ 18. O horário promocional tem atraído clientes, como o auxiliar financeiro Franklin Cirino, que trabalhar em uma clínica e almoça todos os dias no Sadoche. “Rapaz, infelizmente estamos vivendo com todos esses aumentos e aqui no restaurante não é diferente. Trabalho aqui na Jundiaí e aproveito esse desconto porque qualquer coisa já serve, a gente entende o lado também do restaurante, que faz o que pode para manter a qualidade e preço, mas é isso, no supermercado está tudo caro. Não tem para onde correr”, declara.

A gerente do Sadoche diz que o desafio é fazer economia no supermercado, procurando produtos de marcas menos conhecidas, por exemplo, mas sem comprometer a qualidade da comida oferecida. “É dessa forma que a gente tenta diminuir custos, tentando substituir o que era mais caro por algo que não seja de baixo padrão, mas que seja um pouco mais barato. Acho que todos estão fazendo algo parecido para ver se conseguem sobreviver porque o custo mensal não é só supermercado, entram energia, água, aluguel, material de limpeza, funcionários. É uma balança complicada”, diz.

Além das promoções, os restaurantes devem buscar variar seus cardápios e oferecer opções mais baratas ou menores, destaca Artur Fontes, diretor executivo da Associação de Bares e Restaurantes (Abrasel). “Diminuir o produto, o prato, por exemplo, não pega bem nesse segmento. Os clientes estão acostumados a comer aquele determinado prato que ele come sempre, no mesmo padrão. O que pode se fazer é variar o cardápio. Por exemplo, uma hamburgueria que vende um hambúrguer de 120g, pode oferecer uma outra versão de 70g, mas sem alterar aquela de 120g que o cliente já estava acostumado. Pode ser uma saída”, afirma Fontes.

Uma pesquisa da Associação de Bares e Restaurantes (Abrasel) revelou que dos bares e restaurantes do Rio Grande do Norte, 39% fecharam o mês de abril no vermelho e 30% registram lucro. No entanto, para 58% dos empreendimentos do Estado o faturamento do mês passado foi até maior do que o registrado em abril de 2021. Já 20% tiveram resultados abaixo, considerando o mesmo período. Em contrapartida, o mês de abril teve resultado diferente no panorama nacional. Entre os estabelecimentos de todo o País, 35% disseram ter trabalhado com lucro em abril, contra 28% em que registraram prejuízo.

Pesquisar é uma opção para fugir dos altos preços

O aumento verificado em Natal acompanha um levantamento do Instituto Brasileiro de Economia, da Fundação Getúlio Vargas (FGV Ibre), que mostrou que o prato feito subiu 23,5% no cenário nacional, no comparativo de maio de 2021 com maio último.

A entidade considera o Índice de Preços ao Consumidor Mercado (IPC-M) e leva em conta as variações de preços dos dez itens mais presentes no PF: arroz, feijão-preto, feijão-carioca, alface, batata-inglesa, cebola, tomate, frango em pedaços, ovos e carnes bovinas.

O especialista em mercado financeiro Henrique Souza diz que a melhor opção é mesmo a pesquisa, uma vez que os comerciantes sempre estarão suscetíveis às oscilações de preços.

“A composição de preços desses produtos, que são itens da cesta básica, os que puxam mais são os hortifrutigranjeiros. Tomate, cenoura, cebola, são considerados vilões nesses aspectos. Como são alimentos constantemente utilizados no preparo das refeições, o comerciante se vê numa situação, que, infelizmente, tem que passar para o consumidor final. Nesse aspecto, a alternativa que se tem é a busca por outros fornecedores diante da diversidade do mercado e das pesquisas que venham a ser realizadas”, explica Souza.

Os alimentos se tornaram o principal vilão da inflação brasileira — os preços gerais da economia subiram 12,13% nos últimos 12 meses, mas a alimentação no domicílio (que exclui comida comprada em restaurantes) subiu 16,12%. No último mês, a alimentação e transportes responderam por 80% da alta geral dos preços no País.
Via Tribuna do Norte

Economia Rendimento dos brasileiros é o menor desde 2012, aponta IBGE

Fim do auxílio emergencial contribuiu para escalada de desigualdade/ Foto: Marcelo Camargo

No segundo ano de pandemia, em 2021, o rendimento médio dos brasileiros caiu para o menor patamar registrado desde 2012. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o rendimento médio mensal real domiciliar per capita em 2021 foi de R$ 1.353. Em 2012, primeiro ano da série histórica da pesquisa, esse rendimento era o equivalente a R$ 1.417. Em 2020, no primeiro ano de pandemia, era de R$ 1.454.

Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua Rendimento de todas as fontes 2021, divulgados hoje (10). Esses valores referem-se a uma média de quanto recebe cada um dos brasileiros, por mês. Os valores de anos anteriores são atualizados pela inflação do período para que possam ser comparados. Esses rendimentos tratam-se de médias, o que significa que há grupos que ganham mais, grupos que ganham menos e ainda aqueles que não possuem rendimento.

A pesquisa mostra que, em média, os brasileiros estão recebendo menos e também que menos brasileiros possuem algum rendimento. O percentual de pessoas com rendimento na população do país caiu de 61% em 2020 para 59,8% em 2021, o mesmo percentual de 2012 e também o mais baixo da série histórica.

O IBGE considera no levantamento os rendimentos provenientes de trabalhos; de aposentadoria e pensão; de aluguel e arrendamento; de pensão alimentícia, doação e mesada de não morador; além de outros rendimentos.

Considerados apenas os brasileiros que possuem rendimento, a média mensal registrada em 2021 foi R$ 2.265, segundo o IBGE, a menor da série histórica. As menores médias desde 2012 entre as pessoas com rendimento também foram registradas em aposentadoria e pensão, com média de R$1.959 e em outros rendimentos (R$ 512).

*Com informações da Agência Brasil

Mercado financeiro prevê inflação em 9% neste ano

A previsão está no Boletim Focus do Banco Central, divulgado hoje/ Foto: Marcelo Casal Jr

O mercado financeiro prevê inflação pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em torno de 9%, neste ano. A estimativa está no Boletim Focus, divulgado hoje (6) pelo Banco Central (BC).

A mediana (desconsidera os extremos das projeções) da previsão dos últimos 30 dias prevê inflação em 8,89%. Se for considerado um período mais recente, de cinco dias, a mediana fica em 9%.

Para 2023, a projeção é de que a inflação fique em 4,39% (mediana de 30 dias). Na projeção que considera cinco dias, o índice é 4,5%.

As projeções para este ano estão acima da meta de inflação que é de 3,50%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual, ou seja, o limite inferior é 2% e o superior, 5%. Para 2023, o centro da meta é 3,25%, com intervalo de 1,75% a 4,75%.

O Boletim Focus reúne a projeção de cerca de 100 instituições do mercado para os principais indicadores econômicos do país.

Esta é a primeira divulgação do boletim, após cinco semanas de suspensão, em razão da greve dos servidores do BC, que seguem em paralisação. A edição de hoje do boletim tem informações parciais das projeções do mercado financeiro feitas até a última sexta-feira (3).

Economia brasileira cresce 1% no 1º trimestre, diz IBGE

O PIB totalizou R$ 2,2 trilhões, no primeiro trimestre/ Foto: Marcello Casal JR

O Produto Interno Bruto (PIB), a soma de todos os bens e serviços produzidos no país, cresceu 1% no primeiro trimestre deste ano, na comparação com o trimestre anterior. O dado foi divulgado hoje (2) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Segundo o IBGE, o PIB totalizou R$ 2,2 trilhões, em valores correntes, no primeiro trimestre do ano. Na comparação com o primeiro trimestre de 2021, a economia do país cresceu 1,7%. Os dados também mostram um crescimento de 4,7% no acumulado de 12 meses.

O setor de serviços impulsionou o crescimento do primeiro trimestre deste ano, na comparação com o quarto trimestre de 2021. O setor cresceu 1%. A indústria teve variação de 0,1%. A agropecuária recuou 0,9% no período.

Sob a ótica da demanda, a alta do PIB no período foi puxada pelo consumo das famílias, que subiu 0,7%. O consumo do governo variou 0,7%, enquanto que a formação bruta de capital fixo, isto é, os investimentos, caiu 3,5%.

No setor externo, as exportações de bens e serviços cresceram 5%, enquanto as importações caíram 4,6%.