Artigo Ney Lopes: “Todos na mesma mesa”

Ney Lopes- Ney Lopes- advogado, jornalista e ex-deputado federal- @blogdoneylopes

11 de março de 2020 é a data que mudou os rumos do mundo, com a decretação da pandemia pela OMS.

No Brasil contemporâneo, o vírus fragilizou a saúde coletiva e as sucessivas crises políticas debilitam as instituições democráticas.

A economia é conduzida, de forma ortodoxa, pelo “czar” Paulo Guedes, que com poderes totais se nega abrir “diálogo social amplo”, concentrando-se na proteção ao “andar de cima”, sem “divisão de sacrifícios”.

Não se levam em conta alternativas de receitas fiscais, existentes em países de livre mercado. Os incentivos e as renuncias, sem prestação de contas, continuam intocáveis e consomem mais de 5.1% do PIB.

O foco é “subtrair” da classe média e assalariados, que “pagam o pato” sozinhos. Esse “vulcão” poderá entrar em erupção no futuro, semelhante ao que ocorreu no Chile e outros países.

Ultimamente, surgiram “luzes no final do túnel”. O presidente usou a expressão “vamos conversar”. Disse, ainda, em tom moderado, que deseja “resgatar os valores que formam nossa nacionalidade”.

Para amanhã está prevista reunião virtual do Chefe do Governo com governadores e prefeitos. Que seja o primeiro passo!

O gesto ressurge a possibilidade da construção de um diálogo nacional, no qual seja possível “unir convergências e superar divergências”, sem que haja “dono da verdade”.

Há exemplos de paz política no Chile (“Concertación”), Espanha (Pacto de Mocloa), Portugal (Revolução dos Cravos e Polônia (Lech Wałęsa). Atualmente, em Israel, com diferenças tidas como intransponíveis, forma-se governo de coalizão, liderado por Netanyahu e Benny Gantz, encerrando a maior crise do país.

Para tornar viável a proposta do diálogo, o presidente teria que propor a divisão de responsabilidades, partindo do pressuposto de recuos nas posições recíprocas já adotadas, sem que seja considerado demérito, ou fraqueza.

O presidente apresentaria as linhas gerais de um consistente “Plano”, que permitisse manter o isolamento em locais cientificamente recomendados e flexibilizar em outros. O ministério da saúde faria “agenda”, incorporando propostas dos governadores e prefeitos, sem acusações, ou lamurias.

Esse caminho ativaria o diálogo, através de “Comitê da União, Estados e Municípios”, composto por representantes dos entes federativos, com atuação harmônica, sem protagonismos.

Não pode continuar é o “campo de guerra” atual. O vírus é um exército invisível, que ataca sem avisar. Para enfrentá-lo, a única estratégia sensata será “unir” as forças dos governos federal, estadual e municipal. Assim recomenda a Constituição, confirmado pelo STF. Esse comportamento não significará adesismos. Ao contrário, colocará as forças políticas em nível de respeito e aplauso da opinião pública.

Sabe-se não ser racional a defesa da vida, paralisando a economia. Mas, liberar a economia, sem critérios rígidos e científicos, será agredir a vida. O mundo mostra que o dilema não é “comer ou morrer”, no sentido de que os mais pobres morrerão de fome se cumprirem o isolamento.

A verdadeira questão é ter “bom senso! ”.

A história confirma a possibilidade de consenso. Entre os anos de 430 e 428 AC houve grande praga em Atenas. A causa foi a aglomeração nas ruas, logo combatida. Na “gripe espanhola”, a cidade da Filadélfia (1918) ignorou o distanciamento social, realizou parada com 200 mil pessoas e morreram milhares de pessoas.

Na mesma época, a cidade de Saint Louis cancelou seu desfile e fechou atividades, evitando o crescimento da praga.

Todos desejamos o “isolamento” flexibilizado. Os mais pobres precisam trabalhar para levar o “pão” para a família, desde que as UTIs “também” lhes atendam na rede pública.

Até o mercado financeiro considera ser precipitado sair abruptamente do isolamento. A justificativa é que o número de casos aumentará, a economia para novamente, a população terá medo de sair de casa e não voltará a consumir.

A flexibilização gradual na Europa e Ásia tem sido diferente. Os países abrem, após “achatar” a curva e aplicarem testes em massa, uso de máscaras e equipamentos de proteção.

Nesta conjuntura, a palavra de ordem é “todos na mesma mesa” (presidente, governadores e prefeitos), o que se assemelharia a fumaça branca, expelida da chaminé da Capela Sistina, quando os cardeais anunciam novo papa.

O “diálogo nacional” aliviaria a nação e se poderia exclamar que “habemus paz”, para enfrentar e vencer a pandemia.

Amém!

Confira também

  • Prefeitura do Natal paga folha complementar a servidores municipais

    Prefeitura de Natal, Palácio Felipe Camarão — Foto: Igor Jácome/g1

    Pagamento contemplou servidores do Plano Geral e da carreira médica, referentes aos PLCs nº 11/2026 e nº 10/2026. Valores foram quitados em folha complementar, sem necessidade de aguardar a próxima folha regular. Plano da Saúde segue pendente em razão de estudo técnico-legislativo solicitado pelo sindicato.

    A Prefeitura do Natal realizou o pagamento da recomposição remuneratória de 4,44% dos servidores contemplados pelo Plano Geral de Cargos, Carreiras e Vencimentos e pela matriz remuneratória da carreira médica.

    Os valores foram pagos com efeitos retroativos ao mês de março, sem parcelamento, por meio de folha complementar. A medida contemplou os servidores alcançados pelo PLC nº 11/2026, referente ao Plano Geral, e pelo PLC nº 10/2026, referente à carreira médica.

    Com isso, a Administração Municipal assegurou a implantação imediata dos reajustes após a aprovação dos projetos pela Câmara Municipal, sanção, publicação e conclusão dos ajustes operacionais necessários no sistema da folha de pagamento.

    Segundo a Secretaria Municipal de Administração, o pagamento em folha complementar demonstra o compromisso da gestão em dar celeridade à recomposição, evitando que os servidores precisassem aguardar o processamento da próxima folha regular.

    “O Município não apenas garantiu a recomposição de 4,44%, como realizou o pagamento retroativo a março, sem parcelamento e sem esperar a próxima folha. A orientação da gestão foi clara: assim que houvesse autorização legal e condição operacional, o pagamento deveria ser feito imediatamente em folha complementar”, afirmou o secretário municipal de Administração, Brenno Queiroga.

    O secretário destacou ainda que o processo foi conduzido com responsabilidade fiscal, segurança jurídica e respeito ao fluxo legislativo.

    “Os projetos foram encaminhados pelo Executivo, analisados, aprovados pela Câmara, sancionados, publicados e implantados no sistema da folha. No caso do Plano Geral, por meio do PLC nº 11/2026, e da carreira médica, por meio do PLC nº 10/2026, a tramitação foi concluída e o Município realizou o pagamento dos valores devidos de forma integral, retroativa e célere”, acrescentou.

    No caso específico dos servidores abrangidos pelo Plano da Saúde, disciplinado pela Lei Complementar nº 120/2010, o pagamento ainda não foi realizado porque o projeto correspondente não seguiu o mesmo fluxo dos demais. A matéria foi retirada de pauta após solicitação da representação sindical da categoria, que pediu a realização de um estudo técnico-legislativo sobre o projeto.

    Assim, enquanto o Plano Geral e a carreira médica tiveram seus projetos aprovados e os efeitos financeiros implantados em folha complementar, o Plano da Saúde permanece pendente em razão dessa etapa adicional solicitada pelo próprio sindicato.

    “No caso da Saúde, a situação é diferente. O pagamento não foi incluído nesta folha complementar porque o projeto foi retirado de pauta a pedido do sindicato para realização de um estudo técnico-legislativo solicitado pela própria representação da categoria. Portanto, a Administração aguarda a conclusão dessa etapa para adotar as providências cabíveis”, explicou Brenno Queiroga.

    A Prefeitura reforça que, superada a etapa técnica referente ao Plano da Saúde, adotará as medidas necessárias para o regular encaminhamento da matéria, observando a legalidade, a responsabilidade fiscal e a segurança jurídica indispensáveis à implantação dos efeitos financeiros.

  • TRE-RN realiza eleições suplementares em Itaú e Ouro Branco neste domingo (17)

    O Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte (TRE-RN) realizará, neste domingo (17), eleições suplementares nos municípios de Itaú e Ouro Branco para os cargos de prefeito e vice-prefeito. A votação ocorrerá das 8h às 17h.

    As novas eleições foram determinadas pela Resolução TRE-RN nº 165/2026, após a cassação dos prefeitos e vice-prefeitos dos dois municípios por abuso de poder e prática de condutas vedadas pela legislação eleitoral.

    Segundo o DivulgaCand, foram registradas duas candidaturas para prefeito e vice em cada município. Inclusive os dados sobre os candidatos que pediram registro à Justiça Eleitoral e suas contas eleitorais e partidos políticos, podem ser consultados através do site: divulgacandcontas.tse.jus.br. Os eleitos aos cargos serão diplomados no dia 9 de junho e permanecerão nos cargos até 31 de dezembro de 2028.

    Ao todo, cerca de 10 mil eleitores estão aptos a votar nas duas cidades. Em Ouro Branco, pertencente à 23ª Zona Eleitoral, em Caicó, são 4.527 eleitores. Já Itaú, da 45ª Zona Eleitoral, em Apodi, possui 5.085 eleitores aptos ao voto.

    Locais de votação:

    Ouro Branco

    Três locais de votação atenderão os eleitores do município:

    Escola Municipal José Nunes de Figueiredo (seções 27 a 41);

    Escola Estadual Manoel Correia (seções 21 a 26 e 61);

    Creche Kleyse Medeiros (seção 69).

    Itaú

    No município de Itaú, dois locais concentrarão as 16 seções eleitorais:

    Escola Estadual Francisco de Assis Pinheiro (seções 77 e 97 a 100);

    Escola Municipal José Porto de Queiroz (seções 19, 24 a 31, 76 e 101).

    Eleições suplementares

    As eleições suplementares de 2026 foram estabelecidas pela Portaria nº 567/2026 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e estão previstas no artigo 224 do Código Eleitoral (Lei nº 4.737/1965).

    De acordo com o parágrafo 3º do dispositivo, a decisão da Justiça Eleitoral que resulte no indeferimento do registro, cassação do diploma ou perda do mandato de candidato eleito em pleito majoritário acarreta a realização de novas eleições, independentemente do número de votos anulados.

    A distribuição do tempo de propaganda eleitoral gratuita segue os critérios estabelecidos na Resolução TSE nº 23.610/2019, considerando o tamanho das bancadas partidárias na Câmara dos Deputados conforme o resultado das eleições gerais de 2022.

  • Corpo de Bombeiros alerta para riscos elétricos durante período de chuvas no RN

    O Corpo de Bombeiros Militar do Rio Grande do Norte reforçou o alerta sobre a importância da revisão preventiva das instalações elétricas durante o período chuvoso no estado.

    Segundo a corporação, o aumento das chuvas eleva os riscos de curtos-circuitos, choques elétricos e incêndios provocados por infiltrações, sobrecarga na rede e fiações antigas ou danificadas. A umidade pode comprometer a segurança das instalações, principalmente em imóveis sem manutenção periódica.

    O CBMRN orienta a população a observar sinais como tomadas aquecidas, cheiro de queimado, disjuntores desarmando com frequência, fios expostos e oscilações de energia. Nesses casos, a recomendação é procurar um profissional qualificado para avaliação da rede elétrica.

    Os bombeiros também alertam para evitar o uso excessivo de extensões e benjamins, não manusear aparelhos elétricos com as mãos molhadas e desligar equipamentos da tomada durante tempestades com raios.

    Em situações de emergência, o Corpo de Bombeiros pode ser acionado pelo telefone 193.

  • Câmara de Natal aprova projeto que prevê pagamento de ônibus por PIX na capital

     

    Carteira de estudante (Arquivo) — Foto: Natinho Rodrigues / SMV

    A Câmara Municipal de Natal aprovou projetos de lei voltados às áreas de mobilidade urbana, saúde e sustentabilidade durante sessão legislativa.

    Entre as propostas aprovadas está o Projeto de Lei nº 540/2025, do vereador Cleiton da Policlínica, que autoriza o pagamento da tarifa de ônibus por meio do PIX no transporte coletivo da capital.

    Na área da saúde, os parlamentares aprovaram o PL nº 477/2025, de autoria do vereador Ériko Jácome, que cria um programa de educação e conscientização sobre o câncer nas escolas municipais.

    Também foi aprovado o PL nº 386/2024, apresentado pelo vereador Preto Aquino, que prevê a implantação de um programa permanente de reciclagem de resíduos orgânicos em instituições públicas municipais.

    Já o PL nº 08/2025, do vereador Eribaldo Medeiros, cria o Selo Escola Sustentável, voltado ao incentivo de práticas ambientais nas unidades de ensino.

  • Prefeitura de Parnamirim garante pavimentação das avenidas Brasil e Eliza Branco

    A Prefeitura de Parnamirim vai iniciar a pavimentação de duas importantes avenidas do bairro Cophab: a avenida Brasil, com mais de 335 metros de extensão, e a avenida Eliza Branco, com cerca de 263 metros. A obra, aguardada há muitos anos pela população, teve a ordem de serviço assinada nesta segunda-feira (12) pela prefeita Nilda Cruz, garantindo o início dos trabalhos.

    A iniciativa é conduzida por meio da Secretaria de Infraestrutura e Saneamento (SEINFRA) e contempla duas vias de grande relevância para mobilidade urbana da região, já que ligam áreas residenciais e outras avenidas importantes do bairro, facilitando o deslocamento de moradores, motoristas e pedestres.

    Com investimento aproximado de R$ 832 mil, a obra vai melhorar a infraestrutura urbana, proporcionar mais segurança no tráfego e oferecer mais qualidade de vida para quem vive e circula pela Cophab.

    “Vamos garantir uma obra que há muito tempo é esperada pela população, mas agora vamos tirar do papel e melhorar a qualidade de vida das pessoas”, afirmou a prefeita.

  • Senado aprova proposta que permite renovação automática da CNH para motoristas sem infrações

    Nova Carteira Nacional de Habilitação – Foto por: Lidiana Cuiabano/Detran-MT

    O Senado Federal aprovou nesta terça-feira (12) a medida provisória que permite a renovação automática da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) para motoristas cadastrados no Registro Nacional Positivo de Condutores (RNPC).

    A proposta beneficia condutores que não cometeram infrações sujeitas à pontuação nos últimos 12 meses. Como o texto sofreu alterações no Congresso, a matéria segue agora para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

    Apesar da mudança, continuam obrigatórios os exames de aptidão física e mental. A avaliação psicológica seguirá exigida para quem pretende exercer atividade remunerada ao volante ou tirar a primeira habilitação.

    Pelo texto aprovado, a renovação automática não poderá ser utilizada por motoristas com 70 anos ou mais. Já condutores a partir de 50 anos poderão usar o benefício apenas uma vez.

    O projeto também prevê que o motorista possa escolher entre receber a CNH física, digital ou ambas. Outra mudança estabelece tarifa única nacional para exames médicos e psicológicos ligados ao processo de habilitação, com valores definidos pela Secretaria Nacional de Trânsito e reajuste anual pelo IPCA.

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