Governo do RN licencia empresa em Mossoró que vai gerar emprego e renda para a região

A ABG Mineração é uma empresa de capital espanhol que vai produzir cimento com calcário extraído de jazidas próprias

Atraída pela política de incentivos fiscais oferecida pelo Governo do Rio Grande do Norte e também pelo ambiente propício à extração do calcário, principal matéria-prima para a produção do cimento, a empresa de capital espanhol ABG Mineração escolheu o estado potiguar para iniciar suas operações no Brasil. Nesta quarta-feira (17), a governadora Fátima Bezerra entregou as licenças ambientais de instalação, emitidas pelo Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente (Idema), aos executivos Generoso Bertolin e Salvador Viguer, presidente e diretor financeiro da Cemento La Unión, e ao seu representante Jairo Abud.

A gestora destacou a importância da chegada da empresa ao Rio Grande do Norte, especialmente à região Oeste, que será beneficiada com a perspectiva de geração de emprego e renda para as comunidades do entorno da empresa, situada na altura do km 70 da BR-304, zona rural de Mossoró, a caminho da cidade de Assú. “Que beleza termos esse pôr do sol como testemunha de um ato que vai trazer dignidade e cidadania para a nossa população, tão carente de oportunidades. Nosso governo tem feito um trabalho incansável no sentido de atrair empresas para se instalarem aqui e felizmente temos colhido o resultado, como é o caso da chegada da ABG Mineração ao nosso estado”, disse.

Na ocasião, Fátima Bezerra também entregou a concessão de enquadramento da empresa ao PROEDI, Programa de Estímulo à Indústria, através da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico (SEDEC), que em 2019 mudou a política de incentivos fiscais do Governo do Estado em atendimento às necessidades do mercado, visando a criação de um ambiente seguro juridicamente e que possibilite mais competitividade às empresas instaladas em solo potiguar. O que era antes “apoio à indústria” agora é “estímulo”, mudança que tem contribuído bastante para o desenvolvimento do RN. “Estou muito feliz com os resultados das mudanças dos incentivos fiscais que nós proporcionamos, garantindo que os empregos aqui permaneçam e ainda sejam gerados mais postos de trabalho”, enfatizou.

O secretário Jaime Calado (SEDEC), que esteve em missão oficial na Europa, com a governadora na Dinamarca e anteriormente na Noruega, com os colegas Leon Aguiar (Idema) e Roberto Linhares (CAERN), a fim de captar investimentos de grande porte para o estado, destacou a importância do favorecimento da empresa quanto ao PROEDI, pois facilita o acesso da mesma a financiamentos e outros trâmites necessários à instalação. “Quem está aqui neste lugar sonha com empregos e aqui está uma esperança concreta de trabalho”, declarou diante da plateia composta por moradores do assentamento Hipólito e de outras comunidades situadas no entorno da fazendo onde a ABG está se instalando.

Aliada à política de incentivo, há também a determinação da governadora Fátima Bezerra para que o Idema atue com celeridade quanto à emissão das licenças necessárias ao funcionamento das empresas, sem abrir mão do cumprimento da legislação ambiental. “Temos um governo responsável em termos ambientais. Estivemos na Europa e pudemos mostrar o quanto o RN, apesar de ser pequeno territorialmente, é gigante aos olhos do mundo. Começamos produzindo 10 licenças por mês e agora emitimos 40, e tudo isso ocorre exatamente por termos consciência de que, quanto mais empresas sejam instaladas no estado, mais desenvolvimento garantiremos ao nosso povo”, disse Leon Aguiar.

Garantindo respeito, engajamento e interação com as comunidades localizadas ao redor da futura sede da ABG Mineração, o executivo Jairo Abud destacou o compromisso da empresa em contratar, treinar e capacitar a mão de obra local, além de se comprometer em respeitar e cuidar do meio ambiente. “Não há desenvolvimento sem respeito ao meio ambiente, não há desenvolvimento sem envolver as mulheres no processo, não há desenvolvimento sem respeito às comunidades. Nosso compromisso será sempre nos comunicar e interagir com todos vocês”, referiu-se aos moradores, convidado especialmente para a ocasião.

Liderança comunitária no projeto de assentamento Hipólito, onde residem 182 famílias, Risolene Vitorino se emocionou ao saudar a diretoria da empresa que traz a possibilidade de abertura de cerca de 1.000 postos de trabalho no processo de construção, e 350 diretos na operação, podendo gerar cerca de 1.400 empregos indiretos. “Que sejam muito bem-vindos, pois temos certeza de que essa empresa vai realizar grandes sonhos. Há 35 anos, quando fincamos os primeiros paus para fazer as barracas, a gente não tinha sonhos, havia apenas a necessidade de ganhar um pedaço de chão. Agora, temos sonhos sim, o sonho de crescer além de ser necessário agora nos parece possível”, pontuou.

Também participaram da solenidade o secretário adjunto da SEDEC, Sílvio Torquato; o representante da VIPETRO, Caio Gomes; Leandro Lopes (PECOM); Gutemberg Dias (presidente da REDEPETRO e sócio-diretor da PROGEL); Alexandre Ramari (gerente do BNB em Mossoró); o secretário de Desenvolvimento Econômico de Mossoró, Franklin Filgueira; a vereadora Carmem Júlia (Mossoró) e Vilmar Pereira (presidente da Associação Comercial e Industrial de Mossoró – ACIM).

ABG MINERAÇÃO – Com incentivos fiscais do Proedi – Programa de Estímulo ao Desenvolvimento Industrial do Rio Grande do Norte – a ABG Mineração está aportando no Brasil iniciando suas atividades pelo Rio Grande do Norte. A empresa tem como sócio principal o grupo espanhol Cementos La Union, com atuação no Egito, Chile, República Dominicana, Espanha e, em breve, no Brasil.

A empresa tem 2.100 hectares de direitos minerais e adquiriu 800 para exploração de jazidas, com 20% de reserva legal. A área fica a 34 quilômetros de Mossoró, no km 70 da rodovia BR-304, e é desabitada, o que não demandará qualquer processo de desapropriação. A previsão de faturamento anual chega a R$ 700 milhões, com R$ 222 milhões de impostos pagos ao ano. A capacidade de produção é de 10 milhões toneladas/ano e o investimento previsto, de R$ 1,5 bilhão.

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  • Ypê suspende reembolso de produtos após reunião da Anvisa sobre suspeita de contaminação

    A Ypê voltou atrás e suspendeu o reembolso aos consumidores que compraram produtos de lotes investigados por suspeita de contaminação. A decisão foi anunciada nesta sexta-feira (15), após reunião da diretoria da Agência Nacional de Vigilância Sanitária.

    Segundo a empresa, a determinação da Anvisa não obriga, neste momento, o pagamento de indenizações ou o recolhimento dos produtos.

    Em entrevista ao g1.globo.com⁠�, o diretor-executivo de assuntos jurídicos e corporativos da companhia, Sergio Pompilio, afirmou que os produtos seguem seguros, conforme análises internas realizadas pela fabricante.

    Ainda assim, a Ypê informou que propôs à Anvisa a realização de novos testes em laboratórios independentes autorizados pela agência para confirmar a segurança dos itens já distribuídos.

    A orientação atual é que consumidores suspendam o uso de lava-roupas líquidos, lava-louças líquidos e desinfetantes com lote final 1, mas sem necessidade de devolução neste momento.

    A empresa afirmou ainda que produtos sem final 1 no lote continuam liberados para comercialização e uso, assim como itens como lava-roupas em pó, amaciantes, água sanitária, sabões em barra, tira-manchas, limpadores e esponjas.

    Segundo a fabricante, caso novos laudos apontem irregularidades, o recolhimento dos produtos passará a ser tratado oficialmente.

  • Processo seletivo para Auxiliar de Cuidador tem inscrições prorrogadas em Parnamirim

    A Prefeitura de Parnamirim, por meio da Secretaria Municipal de Assistência Social (SEMAS), publicou no Diário Oficial desta sexta-feira (15) a retificação do Edital do Processo Seletivo Simplificado, prorrogando exclusivamente as inscrições para o cargo de Auxiliar de Cuidador.

    O processo seletivo é para a contratação de 20 profissionais, que se dará por meio de análise documental, curricular e de experiência profissional, com caráter classificatório e eliminatório.

    Para o cargo, é exigido Ensino Médio Completo, com remuneração de R$ 1.621,00 e carga horária de 40 horas semanais, em regime de plantão.

    As inscrições serão realizadas por meio do Portal de Editais da Prefeitura, através do link: https://edital.semas.parnamirim.rn.gov.br/#/portal/inicio.

    Os candidatos que já realizaram inscrição anteriormente para o cargo de Auxiliar de Cuidador, permanecem com as inscrições válidas. Já os candidatos que se inscreveram para outros cargos do mesmo processo seletivo (Educador Social, Entrevistador Social e Técnico de Informática), não poderão realizar nova inscrição.

    CRONOGRAMA – Processo Seletivo Simplificado

    Cargo: Auxiliar de Cuidador (20 vagas)

    Período de inscrições: 18 a 22 de maio de 2026

    Publicação do resultado preliminar: 12 de junho de 2026

    Prazo para interposição de recursos: 16 e 17 de junho de 2026

    Resultado final: 23 de junho de 2026

  • Rio Grande do Norte lidera crescimento do turismo no Brasil em fevereiro, aponta IBGE

    O Rio Grande do Norte registrou o maior crescimento do turismo no Brasil em fevereiro de 2026, segundo dados da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira (14).

    De acordo com o levantamento, o volume de atividades turísticas no estado avançou 13,7% na comparação com janeiro, considerando a série com ajuste sazonal. O resultado representa a maior alta entre os estados pesquisados e o melhor desempenho para meses de fevereiro desde o início da série histórica, em 2011.

    O crescimento interrompe uma sequência de retrações registrada entre novembro de 2025 e janeiro de 2026, período em que o setor acumulou queda de 9,1%. Com o novo resultado, o turismo potiguar acumula alta de 3,0% no ano e crescimento de 10,0% em relação a fevereiro de 2025.

    Segundo o gerente da pesquisa do IBGE, Rodrigo Correa Lobo, o avanço foi impulsionado principalmente pelo aumento da movimentação no período carnavalesco.

    “O movimento de crescimento mais intenso de fevereiro de 2026, para além da base de comparação mais baixa, teve como explicação a parte de alimentação, eventualmente impulsionada pelo maior fluxo de pessoas no estado durante o Carnaval”, afirmou.

    Resultado contrasta com cenário nacional

    Enquanto o RN apresentou forte crescimento, o cenário nacional foi de retração. Em fevereiro, o índice de atividades turísticas do Brasil caiu 0,9% frente a janeiro, registrando a terceira queda consecutiva e acumulando perda de 1,7% no período.

    Entre os estados pesquisados, os destaques negativos ficaram com Pará (-11,2%), Ceará (-2,6%), Rio Grande do Sul (-2,0%) e São Paulo (-1,8%). Além do Rio Grande do Norte, apenas Bahia (1,3%) e Pernambuco (2,1%) apresentaram crescimento.

    Setor de serviços também avança no estado

    O desempenho positivo também foi registrado no conjunto do setor de serviços do RN. Segundo o IBGE, o volume cresceu 2,6% em fevereiro, na comparação com janeiro, marcando o segundo mês consecutivo de alta.

    Na comparação com fevereiro do ano passado, o avanço foi de 0,3%, mesmo índice acumulado no ano. Já no acumulado dos últimos 12 meses, o setor registra expansão de 1,8%.

    Os dados reforçam o protagonismo recente do Rio Grande do Norte no turismo nacional, impulsionado principalmente pelas atividades de hospedagem, alimentação fora do lar e transporte de passageiros, em meio ao processo de recuperação gradual do setor de serviços no país.

  • Inmet emite alerta de chuvas intensas para todo o RN nesta sexta-feira (15)

    Raios

    O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu um alerta de chuvas intensas para os 167 municípios do Rio Grande do Norte. O aviso, classificado com grau de severidade “Perigo Potencial”, começou à 0h desta sexta-feira (15) e segue até as 23h59 do mesmo dia. A previsão indica chuvas de até 50 milímetros por dia e ventos que podem variar entre 40 e 60 km/h em todo o estado.

    De acordo com o Inmet, o alerta de cor amarela representa baixo risco para ocorrências como corte de energia elétrica, queda de galhos de árvores, alagamentos e descargas elétricas. Mesmo assim, o órgão orienta que a população adote medidas preventivas durante o período de instabilidade climática.

    Recomendações

    O instituto orienta que a população adote algumas medidas de prevenção durante o período de chuvas intensas. Entre as recomendações estão:

    Evitar se abrigar debaixo de árvores durante rajadas de vento, devido ao risco de quedas e descargas elétricas;

    Não estacionar veículos próximos a torres de transmissão e placas de propaganda;
    Evitar o uso de aparelhos eletrônicos ligados à tomada durante as chuvas.

    Em situações de emergência ou para mais informações, a população pode acionar a Defesa Civil pelo telefone 199 ou o Corpo de Bombeiros pelo número 193.

  • Por unanimidade, STF valida lei com medidas para igualdade salarial entre homens e mulheres

    Computador

    Por unanimidade, o Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) validou trechos da lei que institui igualdade salarial entre homens e mulheres que exerçam a mesma função. A decisão foi tomada na sessão de quinta-feira (14), no julgamento de três ações sobre o tema.

    A Lei 14.611/2023 obriga empresas com mais de 100 empregados a divulgar salários e critérios remuneratórios em relatórios de transparência a serem enviados ao Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), sob pena de multa. Uma vez constatada a desigualdade salarial, elas devem elaborar um plano de ação para mitigá-la, com metas e prazos.

    Para o Tribunal, a norma efetiva comandos constitucionais de combate à discriminação de gênero e promoção da igualdade remuneratória.

    Instrumentos

    Em seu voto, o relator das ações, ministro Alexandre de Moraes, afirmou que a lei cumpre o objetivo de dar transparência a dados atualizados sobre a desigualdade de gênero no Brasil, além de enfrentar os fatores sociais estruturais que ocasionam essa distorção remuneratória. “Não é possível a construção de uma sociedade livre, justa e solidária, um dos objetivos fundamentais da República, se houver discriminação de gênero”, disse.

    Segundo o ministro, o relatório de transparência permite a fiscalização e a implementação da legislação social e trabalhista. Quanto ao plano de ação, ele afastou a alegação de ingerência indevida na empresa e destacou que o instrumento é compatível com a Convenção 100 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que estabelece o princípio da igualdade de remuneração entre mão de obra masculina e feminina por trabalho de igual valor.

    O relator também afastou a interpretação de que a legislação prevê sanção pela mera identificação de desigualdade no relatório. Segundo destacou, a penalidade aplica-se apenas ao descumprimento da obrigação de divulgar os relatórios.

    Igualação

    Para a ministra Cármen Lúcia, a leitura que deve ser feita do princípio constitucional da igualdade é a de uma dinâmica de igualação, isto é, uma ação permanente do Estado e da sociedade em busca da efetiva igualdade, objetivo que a lei procura concretizar. Nesse sentido, ressaltou que, para além das diferenças salariais, as mulheres ainda enfrentam diversas outras formas de discriminação no ambiente de trabalho, como a dificuldade de promoção, estereótipos de gênero e distribuição desigual de tarefas.

    Proteção de dados

    Alguns ministros manifestaram preocupação em relação ao sigilo de informações. Para o ministro Cristiano Zanin, deve-se enfatizar a necessidade de que as informações divulgadas no relatório sejam anônimas, em observância à Lei Geral de Proteção de Dados.

    Como forma de reforçar os mecanismos de proteção, o relator acolheu essa manifestação e propôs que as empresas não sejam responsabilizadas pela não apresentação dos relatórios caso alterações nas normas regulamentares da lei, como portarias e instruções normativas, possibilitem a identificação de dados protegidos.

    A Corte ainda refutou a tese de que as diferenças salariais legítimas, previstas na Consolidação das Leis do Trabalho, foram desconsideradas pela lei.

    Ações

    A Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 7612 foi apresentada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e pela Confederação Nacional do Comércio, Bens, Serviços e Turismo (CNC). A ADI 7631 é de autoria do Partido Novo. A Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) 92 foi proposta pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), pela Confederação Nacional dos Metalúrgicos e pela Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias Têxtil, Couro, Calçados e Vestuário.

  • Anvisa deve decidir nesta sexta (15) se mantém suspensão de produtos da Ypê

    A Diretoria Colegiada da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deve analisar nesta sexta-feira (13) o recurso apresentado pela Química Amparo, fabricante dos produtos da marca Ypê, contra a decisão da própria agência que suspendeu a fabricação e determinou o recolhimento de lotes de detergente lava-louças, sabão líquido para roupas e desinfetante.

    A análise deve começar por volta das 9h30, na sede da Anvisa em Brasília.

    ⚖️ ENTENDA: A Diretoria Colegiada da Anvisa é a instância máxima de decisão da agência reguladora. Os diretores votam temas como registro de medicamentos, vacinas e normas sanitárias. As deliberações ocorrem em reuniões oficiais do órgão.

    A medida contestada pela empresa é a Resolução 1.834/2026, publicada em 5 de maio, que atingiu todos os lotes desses três produtos com numeração final 1.

    A decisão foi tomada a partir de uma avaliação técnica de risco sanitário conduzida pela Anvisa em articulação com o Sistema Nacional de Vigilância Sanitária, após inspeção conjunta com o Centro de Vigilância Sanitária de São Paulo e a Vigilância Sanitária de Amparo, no interior paulista, onde fica a unidade da Química Amparo.

    Durante a inspeção, segundo a Anvisa, foram constatados descumprimentos relevantes em etapas críticas do processo produtivo, incluindo falhas nos sistemas de garantia da qualidade, produção e controle de qualidade.

     

    Os problemas identificados comprometem o atendimento aos requisitos das chamadas Boas Práticas de Fabricação de saneantes e indicam risco à segurança sanitária dos produtos, com possibilidade de contaminação microbiológica — a presença indesejada de microrganismos que podem causar doenças, como a Pseudomonas aeruginosa, bactéria que foi identificada em mais de 100 lotes de produtos acabados da marca.

    📝ENTENDA: As Boas Práticas de Fabricação (BPF) da Anvisa são um conjunto de normas, princípios e procedimentos técnicos obrigatórios que garantem a segurança, qualidade e eficácia de produtos como medicamentos, alimentos, cosméticos e saneantes.

    Após a publicação da resolução, a empresa apresentou recurso administrativo com pedido de efeito suspensivo, o que paralisa as obrigações impostas pela Anvisa até que a Diretoria Colegiada delibere sobre o caso.

    Em nota divulgada no dia 8 de maio, a agência informou que mantém a avaliação técnica de risco e orientou os consumidores a NÃO utilizarem os produtos atingidos pela medida, mesmo durante o período em que o recolhimento está suspenso.

    A responsabilidade de orientar a população sobre troca, devolução ou ressarcimento, segundo a Anvisa, é da própria empresa, por meio do Serviço de Atendimento ao Consumidor, que vem apresentando problemas.

    Imagens mostram inspeção sanitária realizada na fábrica da Ypê — Foto: Reprodução/TV Globo

    Imagens mostram inspeção sanitária realizada na fábrica da Ypê — Foto: Reprodução/TV Globo

    Entenda riscos

     

    A determinação da Anvisa levantou uma série de dúvidas entre consumidores que usaram os produtos nos últimos meses.

    As principais perguntas giram em torno do risco para a saúde, da necessidade de procurar um atendimento médico e do que fazer com utensílios domésticos que tiveram contato com os itens recolhidos, como a esponja da pia.

    Mas para entender o tamanho do risco, é preciso conhecer primeiro a bactéria associada ao caso.

    Pseudomonas aeruginosa foi identificada pela própria fabricante em lotes de lava-roupas em novembro de 2025. Ela é um microrganismo comum no ambiente, encontrado em água, solo e superfícies úmidas.

    Contudo, para a maioria das pessoas, o risco é considerado BAIXO, segundo especialistas ouvidos pelo.

    Em nota na segunda (11) a Ypê também afirmou que as imagens da inspeção sanitária realizada em sua fábrica de Amparo (SP) e divulgadas no último domingo (10) pelo Fantástico retratam locais que não têm contato com os produtos comercializados pela empresa.

    A fabricante também sustentou que a inspeção da Anvisa “não encontrou contaminação” em seus itens.

    A inspeção, realizada no fim de abril em conjunto com o Centro de Vigilância Sanitária (CVS) de São Paulo, identificou o que a Anvisa classificou como “descumprimentos relevantes em etapas críticas do processo produtivo”, incluindo falhas nos sistemas de garantia da qualidade, produção e controle de qualidade.

    O relatório aponta sinais de corrosão em equipamentos usados na fabricação de detergentes e lava-roupas líquidos, problemas no estado de conservação do tanque de manipulação de produtos para lavar louças e o registro de restos de produtos armazenados e devolvidos às linhas de envase.

    Segundo a Ypê, as áreas mostradas nas fotos integram um “plano robusto de melhorias” em curso na unidade.

    Entenda mais abaixo.

    Prédio da Anvisa em Brasília — Foto: Adriano Machado/Reuters

    Prédio da Anvisa em Brasília — Foto: Adriano Machado/Reuters

    Quem corre mais risco?

     

    Segundo os especialistas, a maior preocupação é com pessoas que têm alguma condição que reduza as defesas do organismo ou facilite a entrada de microorganismos.

    “Para a população em geral, é pouco provável [que o contato com a bactéria cause uma infecção]. O risco aumenta quando há alguma porta de entrada, como uma lesão de pele mais grave ou uma cicatriz cirúrgica”, afirma Alberto Chebabo, presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia.

     

    A infectologista Thaís Guimarães, presidente da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar do Instituto Central do Hospital das Clínicas da FMUSP, também afirma que o simples contato com a pele íntegra, na maior parte das vezes, NÃO costuma causar doença.

    “O risco aumenta principalmente quando há contato com olhos, mucosas, feridas, queimaduras ou dermatites, ou em pessoas imunossuprimidas”, explica.

     

    Entram nesse grupo os chamados pacientes imunossuprimidos, pessoas em tratamento contra câncer, transplantados, pacientes que usam medicamentos imunossupressores, pessoas com feridas, queimaduras, dermatites ou lesões de pele.

    Bebês pequenos e idosos mais fragilizados também merecem atenção maior.

    Chebabo explica que a bactéria pode causar diferentes tipos de infecção, mas o risco aumenta principalmente quando a pessoa já tem uma condição de saúde que a torna mais vulnerável.

    “No caso das pessoas imunossuprimidas, isso realmente aumenta o risco de infecção, porque são pessoas muito mais frágeis”, afirma.

     

    Segundo ele, a exposição tende a ocorrer mais por contato com a pele ou com objetos que tiveram contato com os produtos, como roupas, pratos, talheres e utensílios de cozinha.

    O risco por inalação é considerado menos provável.

    Produtos Ypê recolhidos de supermercado — Foto: Reprodução/EPTV

    Produtos Ypê recolhidos de supermercado — Foto: Reprodução/EPTV

    Quem usou o produto precisa procurar um médico?

     

    De forma geral, NÃO.

    Quem usou um produto do lote afetado, mas não apresentou sintomas, não precisa procurar atendimento médico apenas por causa do uso.

    A orientação dos especialistas é interromper o uso do produto, seguir as instruções de recolhimento e observar se aparece algum sinal de irritação ou infecção.

    “Quando a pessoa utiliza o produto, a princípio só tem que observar o aparecimento de sinais e sintomas que possam justificar um quadro infeccioso. Não precisa buscar o médico só porque usou o produto”, diz Chebabo.

    Procure atendimento se houver:

    • Irritação importante na pele, vermelhidão persistente, dor, secreção ou lesões;
    • Coceira intensa, piora de dermatite ou sinais de infecção em feridas;
    • Irritação nos olhos, conjuntivite, dor, secreção ou alteração visual;
    • Febre ou mal-estar após contato com o produto;
    • Qualquer sinal de infecção em pessoas imunossuprimidas, transplantadas ou em tratamento contra câncer.

     

    Em caso de contato com olhos, boca, feridas ou mucosas, a recomendação é lavar o local imediatamente com água abundante e observar se há ardência persistente, vermelhidão, secreção, dor, inchaço ou alteração visual.

    Se os sintomas persistirem ou piorarem, a pessoa deve procurar avaliação médica.

    Pseudomonas aeruginosa com pigmento fluorescente em luz UV — Foto: BiotechMichael/Divulgação

    Pseudomonas aeruginosa com pigmento fluorescente em luz UV — Foto: BiotechMichael/Divulgação

    E roupas, toalhas e itens de bebê?

     

    Produtos como lava-roupas e detergentes levantaram outra dúvida: há risco maior quando o item foi usado em roupas íntimas, toalhas, roupas de cama ou peças de bebê?

    Segundo Thaís Guimarães, esses itens merecem atenção porque ficam em contato mais próximo e prolongado com a pele e, em alguns casos, com mucosas.

    Isso vale especialmente para bebês, pessoas com dermatite, feridas, imunossupressão ou pele mais sensível.

    Ainda assim, para a maioria das pessoas saudáveis, o risco continua sendo considerado baixo quando não há sintomas ou fatores de risco importantes.

    Na prática, especialistas recomendam atenção maior a roupas íntimas, toalhas e peças usadas por pessoas vulneráveis.

    Caso haja dúvida, uma medida simples é lavar novamente essas peças com outro produto, especialmente se forem de bebês, idosos fragilizados ou pessoas imunossuprimidas.

    Especialistas recomendam atenção maior a roupas íntimas, toalhas e peças usadas por pessoas vulneráveis.  — Foto: Divulgação

    Especialistas recomendam atenção maior a roupas íntimas, toalhas e peças usadas por pessoas vulneráveis. — Foto: Divulgação

    Precisa trocar a esponja da pia?

     

    Outra pergunta frequente é se a pessoa que usou detergente de lote final 1 precisa trocar a esponja da pia.

    Para Chebabo, o ideal é descartar a esponja se ela foi usada junto com um dos produtos recolhidos.

    “É importante que haja troca da esponja se ela foi utilizada junto com um desses produtos, porque a bactéria pode ficar ali e se manter mesmo depois da troca do detergente”, afirma.

    Segundo ele, a orientação mais segura é trocar o produto e usar uma esponja nova

    Pano de prato, esponja e paninho de pia concentram fungos e bactérias se não forem higienizados; — Foto: Patrícia Teixeira/g1

    Pano de prato, esponja e paninho de pia concentram fungos e bactérias se não forem higienizados; — Foto: Patrícia Teixeira/g1

    O que diz a Ypê

     

    Na última quinta, a Ypê manifestou “indignação com a decisão“, classificou a medida como “arbitrária e desproporcional” e recorreu da decisão.

    Segundo a empresa, com a apresentação do recurso, a proibição de fabricar e comercializar produtos das categorias lava-louças, lava-louças concentrado, lava-roupas líquido e desinfetantes teve seus efeitos automaticamente suspensos até novo pronunciamento da Anvisa.

     

    A fabricante diz que baseia esse entendimento no artigo 17 da RDC 266/2019 da própria agência.

    “Ainda que a interposição do recurso tenha resultado na suspensão dos efeitos da medida anterior, a Ypê reforça que a segurança dos seus consumidores é — e sempre será — sua maior prioridade”, afirmou a empresa em nota.

     

    O recurso da Ypê deverá ser julgado nos próximos dias pela Diretoria Colegiada da Anvisa.

    O que é a bactéria encontrada em novembro

     

    Pseudomonas aeruginosa é um microrganismo comum no ambiente. Está presente no ar, na água, no solo e pode ser encontrada inclusive na pele de pessoas saudáveis.

    Ela é classificada na literatura médica como uma bactéria oportunista: raramente causa infecção em pessoas saudáveis, mas pode provocar ou agravar quadros infecciosos em pessoas com o sistema imunológico comprometido.

    De acordo com o Manual MSD, referência em informações médicas, “essas bactérias são favorecidas por áreas úmidas, como lavatórios, sanitários, banheiras de hidromassagem e piscinas com cloro inadequado, e soluções antissépticas vencidas ou inativadas. Às vezes, essas bactérias estão presentes nas axilas e na área genital de pessoas saudáveis”.

    As infecções por Pseudomonas aeruginosa variam de infecções externas pequenas a distúrbios sérios com risco de morte, segundo a MSD.

    Fábrica da Ypê em Amparo (SP) — Foto: Ypê/Divulgação

    Fábrica da Ypê em Amparo (SP) — Foto: Ypê/Divulgação

    Quem são os imunossuprimidos

     

    São pessoas cujo sistema de defesa do organismo está enfraquecido, seja por doenças ou por tratamentos. Entram nesse grupo, por exemplo:

    • Pacientes em tratamento contra o câncer (quimioterapia, radioterapia)
    • Pessoas transplantadas que usam imunossupressores
    • Pessoas com HIV/aids sem controle adequado
    • Pacientes em uso prolongado de corticoides ou outros imunossupressores
    • Pessoas com doenças autoimunes em tratamento

     

    Nesses casos, microrganismos que normalmente não causariam problema podem representar um risco maior.

    De acordo com a MSD, as infecções ocorrem com mais frequência e tendem a ser mais severas em pessoas que:

    • Estão enfraquecidas (debilitadas) por certos distúrbios graves
    • Têm diabetes ou fibrose cística
    • Estão hospitalizadas
    • Têm um distúrbio que enfraquece o sistema imunológico, como infecção avançada pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV)
    • Tomam medicamentos para suprimir o sistema imunológico, como aqueles usados para tratar câncer ou para evitar a rejeição de um órgão transplantado

     

    Anvisa determinou suspensão da fabricação e recolhimento de produtos da marca Ypê — Foto: Divulgação

    Anvisa determinou suspensão da fabricação e recolhimento de produtos da marca Ypê — Foto: Divulgação

    O que diz a empresa sobre os riscos

     

    Em um comunicado divulgado em novembro, a fabricante afirmou que:

    • O uso normal do produto, diluído na água da máquina de lavar, reduz drasticamente qualquer carga bacteriana
    • Não há registro na literatura médica de infecção causada por roupas lavadas com detergentes domésticos, mesmo em cenários de contaminação
    • A bactéria não se volatiliza, não é transportada por fragrâncias e não oferece risco por inalação
    • O maior cuidado deve ser evitar contato direto e prolongado do produto concentrado com a pele, especialmente em pessoas imunossuprimidas com feridas abertas

    A orientação é lavar as mãos após o manuseio e garantir que as roupas estejam bem enxaguadas e secas antes do uso.

    Fonte: G1

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