Transformações e desafios do novo ensino médio são discutidos na AL

A tarde desta segunda-feira (8) foi de intensos debates na Assembleia Legislativa do RN. Por iniciativa da Frente Parlamentar em Defesa dos Direitos das Crianças e Adolescentes, liderada pelo deputado Hermano Morais (PSB), foi promovida audiência pública para discutir as mudanças e os desafios do Novo Ensino Médio na rede pública do RN.

“Hoje nós vamos tratar de um assunto que vem sendo discutido há muito tempo, mas que ganha corpo agora pela proximidade das mudanças profundas no ensino médio brasileiro, estabelecidas pelo Ministério da Educação. Estamos aqui para discutir sua implantação já a partir de 2022, atendendo aos interesses de todos os estudantes do Estado”, iniciou Hermano.

A audiência contou com a presença de atores envolvidos no assunto, como representantes dos alunos e professores, das universidades, secretarias municipal e estadual de Educação, além dos conselhos de educação.

De acordo com Hermano, o objetivo da reforma é tornar o ensino médio mais atraente e moderno, de forma a estimular criatividade e inovação. “Após a reformulação curricular, teremos apenas três matérias obrigatórias: Português, Matemática e Inglês. As outras serão escolhidas pelo aluno, conforme seu campo de atuação. A ideia é dar mais autonomia para os estudantes definirem os rumos da sua Educação, de acordo com suas afinidades, interesses e objetivos para o futuro profissional”, detalhou.

Ainda segundo o deputado, estudiosos dizem que a reforma ajudará a combater a estagnação dos índices de desempenho dos estudantes brasileiros. “É gritante a distorção que há entre as etapas da educação básica. No ensino médio é onde estão as maiores taxas de abandono, reprovação e atraso escolar. Então existe a necessidade de estimular o jovem para que ele possa não só concluir o ensino médio, mas prosseguir para o ensino técnico e/ou superior”, disse.

Abrindo os discursos da Mesa dos Trabalhos, o subcoordenador do ensino médio da Secretaria Estadual de Educação, professor Manoel Tavares Neto, fez uma explanação histórica e contextualizada da situação, de 2014 até os dias atuais.

“Tudo começou em 2014, com o Plano Nacional de Educação. Houve discussões, foi criada uma medida provisória e, mais tarde, uma lei, que sofreu algumas críticas. Em 2018, vieram as Diretrizes Nacionais do Ensino Médio, que estabeleceram, de forma mais clara, o que os estados deveriam fazer. Após, veio a Base Nacional Comum Curricular para a etapa do Ensino Médio, que estabeleceu um cronograma nacional para que os estados elaborassem seus referenciais curriculares e começassem a implementação da lei. A partir disso, haverá a base nacional e a parte diversificada, chamada de Itinerários Formativos”, explicou.

Em seguida, ele externou as principais dificuldades das secretarias estaduais para efetivar a legislação.

“A mudança da lei não virá acompanhada de investimentos que deem condições para que os estados a implementem. As propagandas dizem que os estudantes terão escolha, mas a gente sabe que não é bem assim, devido às condições estruturais das nossas escolas e da organização da nossa rede. Então, é preciso investimento efetivo, tanto na valorização do professor quanto na infraestrutura das escolas”, alertou.

Com relação ao RN, segundo o subcoordenador, desde 2019 está ocorrendo a implementação das “escolas piloto”. “Nós temos 100 escolas já aplicando algumas mudanças, como a ampliação da carga horária e a flexibilização de parte do currículo. O processo de formação dos professores também foi iniciado de forma virtual, esclarecendo as mudanças que estão por vir”, explicou o professor.

Por fim, Manoel Tavares deixou claro que a legislação não fornecerá exatamente uma escolha para o aluno, “porque tudo vai depender do que a escola poderá oferecer a ele, com base nos investimentos que receber”.

Na sequência, a secretária adjunta estadual de Educação, Márcia Gurgel, disse que a temática vem sendo motivo de preocupação há muito tempo. “Lamentavelmente, nesta reforma as nossas opiniões não foram consideradas”, criticou.

A professora ressaltou também que a pandemia mostrou que não se pode abrir mão da ciência e do pensamento crítico dos estudantes. “Por isso nós acreditamos que não é suficiente a obrigatoriedade de apenas três disciplinas. Todos os campos científicos são fundamentais. E no RN tudo fica mais complicado ainda. Nós temos 133 municípios que possuem uma única escola de ensino médio. Então, como eles vão executar esse plano?”, indagou.

Para a secretária adjunta, será de extrema importância discutir essas mudanças com alunos e professores. “E isso está programado para acontecer no ano que vem. Nós queremos construir o itinerário junto com os estudantes e docentes. Além disso, temos que discutir a carga horária dos professores, a formação das equipes, o transporte e a merenda escolar, dentre outras coisas. E essas questões precisam ser decididas de forma conjunta”, finalizou.

Vice-diretora do Centro de Educação da UFRN, a professora Cynara Ribeiro reforçou o papel estratégico do centro não apenas para a UFRN, mas para toda a sociedade potiguar. “Eu quero apresentar para vocês como o nosso centro tem se articulado interna e externamente para contribuir com as diversas instâncias responsáveis pelas propostas em torno do novo ensino médio no RN, dentre as quais estão a secretaria estadual de educação, demais universidades e escolas públicas”, disse.

Em seguida, ela teceu críticas à falta de diálogo em torno da aprovação da nova legislação.

“Desde 2016, quando foram publicizadas as reformulações para o ensino médio, a UFRN realizou diversos debates, mesas redondas, fóruns e aulas públicas em torno da temática, a fim de discutir seus impactos. Entretanto, infelizmente a aprovação da lei 13.415/2017 se deu de forma pouco dialogada com as universidades, redes de ensino, comunidade científica e movimentos sociais”, lamentou.

A professora ressaltou ainda a contribuição do centro de educação com a implementação da lei no RN, junto à Secretaria Estadual de Educação.

“Em junho deste ano, o centro enviou um documento com suas propostas ao Referencial Curricular do Ensino Médio Potiguar. Então, fica clara a importância da necessidade de escuta aos diversos segmentos da sociedade envolvidos na temática. Por isso, eu faço um apelo para que o Conselho Estadual de Educação esteja atento às demandas de todos, considerando os problemas regionais e locais”, encerrou.

O membro titular do Conselho Estadual de Educação e presidente da Câmara de Educação Básica, professor Otávio Tavares, disse que é importante fazer o trabalho em consonância com os princípios de discussão democrática.

“Essas mudanças e desafios não vão parar. Por isso, devemos respeitar alguns princípios, como o trabalho como princípio educativo, a pesquisa como princípio educativo, a organização curricular e as práticas pedagógicas com base em interação”, opinou.

Para o professor, um dos principais desafios desse momento de transição será articular o ensino médio com a educação profissional e a base científica e tecnológica. “Outro ponto relevante é que a oferta tem que ser de acordo com as demandas locais e tecnológicas”, finalizou.

Para a estudante Gabriela Leopoldo, representante das entidades estudantis (UBES, APES e UMES Natal), o novo ensino médio precisa vir com a ideia de qualificar ainda mais a Educação, pensando tanto nos professores quanto nos alunos.

“O novo ensino médio vai chegar com essa perspectiva de promover mais qualificação. E a secretaria de educação tem trabalhado intensamente para que não seja só mais um programa sem efetividade. É importante que esse novo ensino médio seja da forma que queremos e sonhamos, por isso nós também estamos contribuindo na construção desse novo projeto”, destacou.

Já o promotor da Defesa do Direito à Educação da Comarca de Natal, Oscar de Souza Ramos, afirmou que “o Ministério Público vê com bons olhos essas inovações, porque elas buscam compatibilizar melhor o ensino dos nossos jovens estudantes à realidade que vivenciamos”.

“O ensino não pode fechar os olhos para as mudanças que estamos vivendo. Existe realmente a necessidade de o ensino médio se aprofundar, mas sem deixar de lado a base de alguns temas, porque os nossos jovens poderão continuar o ensino superior e vão precisar dela. Portanto, eu acho que não se pode deixar de lado uma boa base em troca do aprofundamento que será feito nos itinerários formativos. É preciso estudar isso com cuidado”, concluiu.

A coordenadora do Sinte (Sindicato dos Trabalhadores em Educação), Maria de Fátima Cardoso, acredita que “o MEC abandonou o Plano Nacional de Educação, que trazia as metas, diretrizes e estratégias do setor, e foi produto de uma grande mobilização de toda a sociedade, com conferências de mais de quatro mil pessoas”.
Para ela, estão rompendo tudo que vinha sendo trabalhado em anos anteriores, na busca de reduzir as desigualdades sociais e levar equidade aos alunos.

“A nossa ideia era que o ensino médio provocasse nos estudantes algo maior do que o cronograma escolar, fazendo deles sujeitos de direitos e deveres, cidadãos capazes de construir a história. E eu fico preocupada com esse novo ensino médio, porque lá no portal do MEC tem dizendo que ele é focado na aprendizagem por meio de atividades e soluções práticas, aliada a inovação e tecnologia. E eu fico me perguntando, na vida real, se as nossas escolas estão preparadas para isso”, refletiu.

Segundo a coordenadora, o Brasil possui escolas com múltiplos problemas de estrutura, além de estudantes que passaram por desafios “intensos” na pandemia.

“E o que a gente sabe de concreto é que esses alunos só tinham acesso às suas aulas quando seus pais chegavam à noite em casa e lhes entregavam o celular. E muitos não tinham nem essa chance, porque a comida era mais importante que a internet. Então, na vida real, qual é a perspectiva que esses alunos terão?”, provocou.

Ao final, o parlamentar destacou que, nesse processo de renovação, há a necessidade de mais debate, estrutura e investimento, para que a reforma possa surtir o efeito positivo e esperado, priorizando a boa formação dos estudantes brasileiros e uma melhor perspectiva profissional para os nossos jovens.

Confira também

  • TSE rejeita recursos e mantém cassação de prefeita e vice de Maxaranguape

    Professora Nira e Evanio Pedro — Foto: Divulgação

    O ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), negou seguimento aos recursos apresentados pela prefeita de Maxaranguape, Professora Nira, pelo vice-prefeito Evânio Pedro do Nascimento e por outros dois investigados, mantendo a cassação e condenação por abuso de poder econômico e político nas eleições municipais de 2024.

    A decisão, assinada nesta terça-feira (3), confirma a cassação dos diplomas da prefeita, do vice e de Ronialdo Câmara da Silva, eleito suplente de vereador. Também mantém a inelegibilidade da Professora Nira, de Edmilson de Oliveira Lima, marido da prefeita, e de Ronialdo. A sanção não foi aplicada ao vice-prefeito.

    O caso envolve a distribuição de materiais de construção a famílias em situação de vulnerabilidade social, em troca de apoio político e votos. Segundo a decisão, a investigação reuniu conversas extraídas do celular do proprietário do Depósito São Luiz, orçamentos apreendidos pela Polícia Federal e depoimentos de testemunhas que confirmaram a oferta e a entrega dos materiais.

    Ao analisar as provas, Mendonça destacou que foram identificados 21 orçamentos, com valor total de R$ 31.368,45. Para o ministro, a prática foi reiterada e alcançou diferentes localidades, explorando a vulnerabilidade econômica dos eleitores.

    As defesas questionaram a validade das provas e alegaram falhas na cadeia de custódia dos documentos, além de ausência de gravidade suficiente para justificar as punições. O relator rejeitou os argumentos e afirmou que não houve demonstração concreta de adulteração ou prejuízo às provas.

    O ministro também ressaltou que, para a configuração do abuso de poder, não é necessário comprovar que a conduta alterou diretamente o resultado da eleição, mas que houve gravidade suficiente para comprometer a legitimidade da disputa. A decisão mantém o entendimento do Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte (TRE-RN), que havia determinado a realização de novas eleições no município.

    Blog do BG

  • Legislativo recebe imagem peregrina de Nossa Senhora da Apresentação

    O arcebispo de Natal Dom João Santos Cardoso celebrou missa na sede da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte (ALRN) na manhã desta terça-feira (3). A celebração reuniu parlamentares e servidores marcando a passagem da imagem peregrina da padroeira de Natal, Nossa Senhora da Apresentação. Os deputados Eudiane Macedo, José Dias e Divaneide Basílio participaram do ato religioso, realizado no auditório Cortez Pereira.

    Também participaram os religiosos monsenhor Valquimar Nogueira e o diácono Aldair, que é servidor da Casa. A Festa de Nossa Senhora da Apresentação está em sua 273ª edição e vai se realizar de 11 a 21 deste mês.

    “A presença da imagem de Nossa Senhora neste Legislativo nos recorda que devemos atuar em busca da justiça e da igualdade”, disse o arcebispo.

    O dia da padroeira, quando a festa se encerra, marca a aparição da imagem por pescadores nas águas do Rio Potengi, na Pedra do Rosário, em 1753. Os principais locais de celebrações são a Antiga Catedral, a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Apresentação, na
    Cidade Alta, Catedral Metropolitana de Natal e a Pedra do Rosário.

    Nesta edição, a arte utilizada foi inspirada nos mistérios do Rosário e em uma estrofe do hino que destaca Maria com o terço nas mãos. A proposta celebra os 35 anos do XII Congresso Eucarístico Nacional, realizado em Natal em 1991, e o aniversário da bênção da Cripta da Catedral por São João Paulo II.

    A celebração busca renovar e fortalecer essa devoção nas comunidades, incentivando a contemplação dos mistérios de Cristo sob o olhar de Maria. A memória de São João Paulo II também integra a temática, por meio de sua Carta Apostólica Rosarium Virginis Mariae. O documento apresenta o Rosário como uma escola de oração e uma síntese do Evangelho, convidando os fiéis a refletir sobre os mistérios da fé e a vivenciá-los no cotidiano.

  • Rogério quer voto aberto da direita para derrotar Alcolumbre no Senado

    O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), pretende defender que os parlamentares de direita anunciem publicamente seus votos na eleição para a presidência da Casa, marcada para 1º de fevereiro de 2027. A proposta busca impedir que senadores eleitos com apoio do bolsonarismo apoiem, sob o sigilo da votação, a reeleição do atual presidente, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).

    “Vou defender. É difícil justificar em público o voto no Alcolumbre, né?”, afirmou Marinho, ao confirmar a intenção de apresentar a proposta.

    Rogério Marinho discursa na tribuna do Senado
    Potiguar concorreu à presidência do Senado em 2023 e acabou derrotado — Foto: Edilson Rodrigues/Senado

    A estratégia será discutida pela bancada do PL em reunião prevista para quarta-feira 4. O encontro deverá definir o posicionamento do partido na disputa e pode resultar no lançamento da candidatura de Marinho à presidência do Senado. Outra parlamentar de direita interessada no cargo é Tereza Cristina (PP-MS).

    A eleição é realizada por votação secreta, mecanismo que Alcolumbre considera favorável à sua tentativa de permanecer no comando da Casa. O presidente do Senado mantém relações pessoais e políticas com parlamentares de diferentes legendas e trabalha para conquistar votos inclusive entre integrantes dos partidos de oposição.

    A possibilidade de uma candidatura própria divide o PL. Parte da bancada defende uma aproximação com Alcolumbre após a derrota de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na eleição presidencial, argumentando que um confronto poderia deixar o partido novamente afastado dos principais cargos do Senado. Outra ala considera que o crescimento da direita nas eleições criou condições para derrotar o atual presidente.

    A nova composição do Senado favorece numericamente os partidos conservadores. O PL terá 29 parlamentares, enquanto o Novo contará com outros três. Republicanos, PP, Podemos e PSDB reunirão mais 15 senadores, boa parte deles eleita com apoio de lideranças bolsonaristas. A eleição para a presidência exige maioria absoluta, correspondente a 41 dos 81 votos.

    Tanto Marinho quanto Alcolumbre afirmam contar com o apoio de 48 senadores. Como as duas projeções superam, juntas, o número de integrantes da Casa, há parlamentares incluídos simultaneamente nas contas dos dois grupos.

    Além de Rogério Marinho, a bancada do Rio Grande do Norte no Senado terá, a partir de 2027, o início do novo mandato de Styvenson Valentim (Podemos) e a estreia de Samanda Alves (PT). Os dois foram eleitos no pleito de outubro. Até agora, nenhum dos dois revelou intenção de voto na disputa para a presidência da Casa.

    Espera-se uma aproximação de Samanda com Alcolumbre, por causa do apoio já anunciado da bancada do PT. A incógnita maior é Styvenson. Ele também é próximo do atual presidente da Casa, mas foi reeleito em 2026 com apoio do PL no RN.

    Pressão sobre parlamentares
    A defesa da divulgação dos votos está relacionada ao discurso adotado pelos candidatos de direita durante a campanha eleitoral. Muitos deles foram eleitos com críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e promessas de pressionar pela abertura de processos de impeachment contra ministros da Corte.

    Alcolumbre, por sua vez, resiste a dar andamento a esses pedidos. A posição provocou desgaste com o eleitorado bolsonarista e tornou politicamente difícil, para determinados senadores, justificar um eventual apoio à sua reeleição.

    A intenção dos aliados de Marinho é explorar essa contradição. Embora a votação permaneça formalmente secreta, os parlamentares poderiam declarar suas escolhas e mostrar suas cédulas antes de depositá-las na urna. A exposição pública serviria como instrumento de pressão contra possíveis dissidências.

    A iniciativa tem precedente na própria trajetória de Alcolumbre. Em 2019, quando disputou pela primeira vez a presidência do Senado, ele defendeu a votação aberta para enfraquecer a candidatura de Renan Calheiros (MDB-AL).

    Na ocasião, Alcolumbre contava com o apoio do então presidente Jair Bolsonaro (PL) e procurava aproveitar a chegada de novos senadores eleitos sob um discurso de renovação política. A tentativa de tornar a votação aberta foi barrada por uma decisão liminar do ministro Dias Toffoli, do STF, durante a madrugada.

    Mesmo com a decisão judicial, alguns parlamentares anunciaram voluntariamente seus votos e exibiram as cédulas antes de colocá-las na urna. Agora, aliados de Alcolumbre na direita poderão enfrentar situação semelhante àquela vivida pelos apoiadores de Renan.

    Candidatura provoca divergências
    Na terça-feira 27 de outubro, a federação formada por União Brasil e PP anunciou apoio à candidatura de Alcolumbre à reeleição. A manifestação, entretanto, não representou uma adesão pública de todos os integrantes das duas legendas.

    A maioria dos senadores e dos parlamentares eleitos pelos partidos não declarou apoio ao atual presidente. Tereza Cristina e Guilherme Derrite (PP-SP), por exemplo, criticaram o anúncio nas redes sociais.

    O histórico recente do PL também influencia a discussão. Em 2023, Rogério Marinho concorreu à presidência do Senado contra Rodrigo Pacheco (PSB-MG), então candidato à reeleição. Pacheco venceu por 49 votos a 32.

    A derrota teve consequências para a participação do PL na estrutura de comando do Legislativo. Durante os dois anos seguintes, o partido ficou sem a presidência de comissões consideradas estratégicas e sem representação na Mesa Diretora.

    Em 2025, a legenda mudou de posição e apoiou Alcolumbre, em uma negociação que lhe garantiu espaços de maior relevância, incluindo a vice-presidência do Senado.

    A aliança, porém, sofreu desgaste durante a atual gestão. Parlamentares bolsonaristas avaliam que Alcolumbre deu mais atenção às demandas do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) do que às prioridades da oposição.

    Uma das principais reclamações envolve a discussão sobre a anistia aos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. A direita acusa o presidente do Senado de enfraquecer a articulação pela medida e favorecer uma alternativa de redução das penas, que ainda não havia sido concretizada.

    A resistência de Alcolumbre à abertura de processos de impeachment contra ministros do STF também alimenta as críticas. O assunto ganhou importância na campanha eleitoral e passou a ser apresentado por candidatos bolsonaristas como uma das prioridades da próxima legislatura.

    Outro episódio apontado pela oposição ocorreu durante a disputa presidencial deste ano. Alcolumbre colocou em votação a proposta de emenda à Constituição que encerrou a escala de trabalho de seis dias de serviço para um de descanso, conhecida como jornada 6×1. A medida era uma das principais bandeiras de Lula e contribuiu para fortalecer sua campanha no segundo turno.

    Diante desse histórico, Marinho pretende transformar o posicionamento dos senadores em relação a Alcolumbre em um compromisso público. O resultado dependerá da capacidade do PL de unificar a bancada e atrair integrantes de outras legendas, especialmente aquelas que elegeram parlamentares com apoio do bolsonarismo, mas mantêm relações políticas com o atual presidente do Senado.

    Davi Alcolumbre, presidente do Senado
    Presidente do Senado, Davi Alcolumbre, conta com apoio dos governistas — Foto: Carlos Moura/Senado
    Senador Styvenson Valentim
    Senador Styvenson Valentim (Podemos) — Foto: Waldemir Barreto/Senado
    Samanda Alves ao lado de cabine de votação
    Senadora eleita Samanda Alves (PT) — Foto: Instagram/Reprodução

    Agora RN

  • No EVEx Lisboa 2026, Samanda defende energia como eixo estratégico para o desenvolvimento do RN

    A senadora eleita pelo Rio Grande do Norte, Samanda Alves (PT), participou nesta terça-feira (3), em Lisboa, Portugal, da abertura do EVEx Lisboa 2026, encontro internacional que reúne lideranças do setor energético do Brasil e da Europa. Em sua saudação institucional, defendeu que a energia seja tratada como eixo estratégico do desenvolvimento econômico e social do RN e do país.

    O evento acontece nos dias 3 e 4 de novembro, sob o tema “Pulsar Ibero-Americano: O Ritmo da Nova Energia”, com debates sobre transição energética, integração de mercados, infraestrutura, segurança do abastecimento e novas tecnologias.

    “Este é um dos primeiros encontros internacionais de energia desde as eleições no Brasil. É uma oportunidade de começar esse novo ciclo ouvindo quem trabalha no setor e trazendo a experiência do Rio Grande do Norte. Nosso estado tem uma janela de oportunidade extraordinária, com energia limpa, abundante e competitiva, mas também desafios que exigirão diálogo, articulação e compromisso de quem vai representar o RN no Senado”, afirmou Samanda.

    Entre os temas que deverão integrar a agenda parlamentar estão a busca de soluções para os cortes de geração de energia renovável, conhecidos como curtailment; o desenvolvimento de sistemas de armazenamento; e a regulamentação do Marco Legal da Energia Eólica Offshore (Lei nº 15.097/2025). São questões que exigirão atuação legislativa e articulação com o governo federal, agências reguladoras e instituições do setor.

    Samanda também defendeu uma estratégia que concilie a expansão das fontes renováveis com o aproveitamento responsável do petróleo e do gás natural. Nesse contexto, destacou as oportunidades da Margem Equatorial, especialmente com a chegada à Bacia Potiguar do navio-sonda de perfuração que estava na Bacia da Foz do Amazonas, reforçando a importância da convivência entre diferentes fontes de energia, com sustentabilidade ambiental.

    “O Rio Grande do Norte já demonstrou sua capacidade de produzir energia limpa e tem uma trajetória importante na produção de petróleo e gás natural. Precisamos transformar esse potencial em investimentos, empregos e melhoria das condições de vida da população, garantindo que a riqueza produzida no nosso estado se traduza em oportunidades para os potiguares”, destacou.

    A senadora eleita também ressaltou a necessidade de enfrentar a pobreza energética, garantindo acesso à energia em condições adequadas e a preços acessíveis. “Não podemos discutir o futuro da energia apenas pela perspectiva da produção e dos investimentos. É preciso olhar para as famílias que têm dificuldades para pagar a conta de luz. A transição energética também precisa reduzir desigualdades”, afirmou.

    Integração internacional

    O EVEx Lisboa 2026 reúne representantes de instituições como a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e entidades do setor energético português.

    Samanda também foi convidada a integrar a Missão Mercado Ibérico de Energia, nos dias 5 e 6 de novembro, com visitas técnicas e reuniões para intercâmbio de experiências e cooperação entre instituições do setor.

    A participação de Samanda no evento foi custeada integralmente com recursos próprios, sem qualquer ônus para a Câmara Municipal de Natal.

  • Seca já atinge 86% do território do RN, aponta Monitor de Secas

    Especial – SECA – Lages
    Adutora Sertão – Central Cabugi.
    Fotos/júniorsantos/h-selecionadas

    A seca avançou no Rio Grande do Norte e já atinge 86% do território potiguar, segundo o Monitor de Secas, coordenado pela Agência Nacional de Águas (ANA). Em agosto, a área afetada correspondia a 79% do estado.

    A situação também se agravou em relação à intensidade: a área com seca moderada passou de 25% para 61% entre agosto e setembro.

    O cenário preocupa diante da previsão de fortalecimento do El Niño. Boletim divulgado por órgãos federais em outubro aponta que o fenômeno poderá atingir intensidade muito forte entre novembro de 2026 e janeiro de 2027. Para o período, há maior probabilidade de chuvas abaixo da média em áreas do Nordeste e temperaturas acima do normal em grande parte do país.

    Em setembro, 96% do território nordestino apresentava algum grau de seca. No RN, a área afetada alcançou o maior percentual desde março, enquanto a intensidade do fenômeno chegou ao nível mais elevado desde abril.

  • Nova lei pode reduzir tempo de Bolsonaro em regime fechado para cerca de dois anos e quatro meses

    Presidente da República, Jair Bolsonaro, participa da cerimônia de cumprimento aos Oficiais Generais promovidos

    A lei da dosimetria aprovada pelo Congresso Nacional pode reduzir o período que o ex-presidente Jair Bolsonaro cumpriria em regime fechado, caso seja considerada constitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

    Segundo apuração da CNN, advogados, especialistas e parlamentares estimam que o tempo poderia cair para aproximadamente dois anos e quatro meses. Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão por sua participação na trama golpista.

    Caso a lei seja validada, caberá ao ministro Alexandre de Moraes, relator dos processos relacionados aos atos de 8 de janeiro, recalcular individualmente as penas de Bolsonaro e dos demais condenados. A redução, portanto, não será automática e dependerá da decisão do STF.

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