Transformações e desafios do novo ensino médio são discutidos na AL

A tarde desta segunda-feira (8) foi de intensos debates na Assembleia Legislativa do RN. Por iniciativa da Frente Parlamentar em Defesa dos Direitos das Crianças e Adolescentes, liderada pelo deputado Hermano Morais (PSB), foi promovida audiência pública para discutir as mudanças e os desafios do Novo Ensino Médio na rede pública do RN.

“Hoje nós vamos tratar de um assunto que vem sendo discutido há muito tempo, mas que ganha corpo agora pela proximidade das mudanças profundas no ensino médio brasileiro, estabelecidas pelo Ministério da Educação. Estamos aqui para discutir sua implantação já a partir de 2022, atendendo aos interesses de todos os estudantes do Estado”, iniciou Hermano.

A audiência contou com a presença de atores envolvidos no assunto, como representantes dos alunos e professores, das universidades, secretarias municipal e estadual de Educação, além dos conselhos de educação.

De acordo com Hermano, o objetivo da reforma é tornar o ensino médio mais atraente e moderno, de forma a estimular criatividade e inovação. “Após a reformulação curricular, teremos apenas três matérias obrigatórias: Português, Matemática e Inglês. As outras serão escolhidas pelo aluno, conforme seu campo de atuação. A ideia é dar mais autonomia para os estudantes definirem os rumos da sua Educação, de acordo com suas afinidades, interesses e objetivos para o futuro profissional”, detalhou.

Ainda segundo o deputado, estudiosos dizem que a reforma ajudará a combater a estagnação dos índices de desempenho dos estudantes brasileiros. “É gritante a distorção que há entre as etapas da educação básica. No ensino médio é onde estão as maiores taxas de abandono, reprovação e atraso escolar. Então existe a necessidade de estimular o jovem para que ele possa não só concluir o ensino médio, mas prosseguir para o ensino técnico e/ou superior”, disse.

Abrindo os discursos da Mesa dos Trabalhos, o subcoordenador do ensino médio da Secretaria Estadual de Educação, professor Manoel Tavares Neto, fez uma explanação histórica e contextualizada da situação, de 2014 até os dias atuais.

“Tudo começou em 2014, com o Plano Nacional de Educação. Houve discussões, foi criada uma medida provisória e, mais tarde, uma lei, que sofreu algumas críticas. Em 2018, vieram as Diretrizes Nacionais do Ensino Médio, que estabeleceram, de forma mais clara, o que os estados deveriam fazer. Após, veio a Base Nacional Comum Curricular para a etapa do Ensino Médio, que estabeleceu um cronograma nacional para que os estados elaborassem seus referenciais curriculares e começassem a implementação da lei. A partir disso, haverá a base nacional e a parte diversificada, chamada de Itinerários Formativos”, explicou.

Em seguida, ele externou as principais dificuldades das secretarias estaduais para efetivar a legislação.

“A mudança da lei não virá acompanhada de investimentos que deem condições para que os estados a implementem. As propagandas dizem que os estudantes terão escolha, mas a gente sabe que não é bem assim, devido às condições estruturais das nossas escolas e da organização da nossa rede. Então, é preciso investimento efetivo, tanto na valorização do professor quanto na infraestrutura das escolas”, alertou.

Com relação ao RN, segundo o subcoordenador, desde 2019 está ocorrendo a implementação das “escolas piloto”. “Nós temos 100 escolas já aplicando algumas mudanças, como a ampliação da carga horária e a flexibilização de parte do currículo. O processo de formação dos professores também foi iniciado de forma virtual, esclarecendo as mudanças que estão por vir”, explicou o professor.

Por fim, Manoel Tavares deixou claro que a legislação não fornecerá exatamente uma escolha para o aluno, “porque tudo vai depender do que a escola poderá oferecer a ele, com base nos investimentos que receber”.

Na sequência, a secretária adjunta estadual de Educação, Márcia Gurgel, disse que a temática vem sendo motivo de preocupação há muito tempo. “Lamentavelmente, nesta reforma as nossas opiniões não foram consideradas”, criticou.

A professora ressaltou também que a pandemia mostrou que não se pode abrir mão da ciência e do pensamento crítico dos estudantes. “Por isso nós acreditamos que não é suficiente a obrigatoriedade de apenas três disciplinas. Todos os campos científicos são fundamentais. E no RN tudo fica mais complicado ainda. Nós temos 133 municípios que possuem uma única escola de ensino médio. Então, como eles vão executar esse plano?”, indagou.

Para a secretária adjunta, será de extrema importância discutir essas mudanças com alunos e professores. “E isso está programado para acontecer no ano que vem. Nós queremos construir o itinerário junto com os estudantes e docentes. Além disso, temos que discutir a carga horária dos professores, a formação das equipes, o transporte e a merenda escolar, dentre outras coisas. E essas questões precisam ser decididas de forma conjunta”, finalizou.

Vice-diretora do Centro de Educação da UFRN, a professora Cynara Ribeiro reforçou o papel estratégico do centro não apenas para a UFRN, mas para toda a sociedade potiguar. “Eu quero apresentar para vocês como o nosso centro tem se articulado interna e externamente para contribuir com as diversas instâncias responsáveis pelas propostas em torno do novo ensino médio no RN, dentre as quais estão a secretaria estadual de educação, demais universidades e escolas públicas”, disse.

Em seguida, ela teceu críticas à falta de diálogo em torno da aprovação da nova legislação.

“Desde 2016, quando foram publicizadas as reformulações para o ensino médio, a UFRN realizou diversos debates, mesas redondas, fóruns e aulas públicas em torno da temática, a fim de discutir seus impactos. Entretanto, infelizmente a aprovação da lei 13.415/2017 se deu de forma pouco dialogada com as universidades, redes de ensino, comunidade científica e movimentos sociais”, lamentou.

A professora ressaltou ainda a contribuição do centro de educação com a implementação da lei no RN, junto à Secretaria Estadual de Educação.

“Em junho deste ano, o centro enviou um documento com suas propostas ao Referencial Curricular do Ensino Médio Potiguar. Então, fica clara a importância da necessidade de escuta aos diversos segmentos da sociedade envolvidos na temática. Por isso, eu faço um apelo para que o Conselho Estadual de Educação esteja atento às demandas de todos, considerando os problemas regionais e locais”, encerrou.

O membro titular do Conselho Estadual de Educação e presidente da Câmara de Educação Básica, professor Otávio Tavares, disse que é importante fazer o trabalho em consonância com os princípios de discussão democrática.

“Essas mudanças e desafios não vão parar. Por isso, devemos respeitar alguns princípios, como o trabalho como princípio educativo, a pesquisa como princípio educativo, a organização curricular e as práticas pedagógicas com base em interação”, opinou.

Para o professor, um dos principais desafios desse momento de transição será articular o ensino médio com a educação profissional e a base científica e tecnológica. “Outro ponto relevante é que a oferta tem que ser de acordo com as demandas locais e tecnológicas”, finalizou.

Para a estudante Gabriela Leopoldo, representante das entidades estudantis (UBES, APES e UMES Natal), o novo ensino médio precisa vir com a ideia de qualificar ainda mais a Educação, pensando tanto nos professores quanto nos alunos.

“O novo ensino médio vai chegar com essa perspectiva de promover mais qualificação. E a secretaria de educação tem trabalhado intensamente para que não seja só mais um programa sem efetividade. É importante que esse novo ensino médio seja da forma que queremos e sonhamos, por isso nós também estamos contribuindo na construção desse novo projeto”, destacou.

Já o promotor da Defesa do Direito à Educação da Comarca de Natal, Oscar de Souza Ramos, afirmou que “o Ministério Público vê com bons olhos essas inovações, porque elas buscam compatibilizar melhor o ensino dos nossos jovens estudantes à realidade que vivenciamos”.

“O ensino não pode fechar os olhos para as mudanças que estamos vivendo. Existe realmente a necessidade de o ensino médio se aprofundar, mas sem deixar de lado a base de alguns temas, porque os nossos jovens poderão continuar o ensino superior e vão precisar dela. Portanto, eu acho que não se pode deixar de lado uma boa base em troca do aprofundamento que será feito nos itinerários formativos. É preciso estudar isso com cuidado”, concluiu.

A coordenadora do Sinte (Sindicato dos Trabalhadores em Educação), Maria de Fátima Cardoso, acredita que “o MEC abandonou o Plano Nacional de Educação, que trazia as metas, diretrizes e estratégias do setor, e foi produto de uma grande mobilização de toda a sociedade, com conferências de mais de quatro mil pessoas”.
Para ela, estão rompendo tudo que vinha sendo trabalhado em anos anteriores, na busca de reduzir as desigualdades sociais e levar equidade aos alunos.

“A nossa ideia era que o ensino médio provocasse nos estudantes algo maior do que o cronograma escolar, fazendo deles sujeitos de direitos e deveres, cidadãos capazes de construir a história. E eu fico preocupada com esse novo ensino médio, porque lá no portal do MEC tem dizendo que ele é focado na aprendizagem por meio de atividades e soluções práticas, aliada a inovação e tecnologia. E eu fico me perguntando, na vida real, se as nossas escolas estão preparadas para isso”, refletiu.

Segundo a coordenadora, o Brasil possui escolas com múltiplos problemas de estrutura, além de estudantes que passaram por desafios “intensos” na pandemia.

“E o que a gente sabe de concreto é que esses alunos só tinham acesso às suas aulas quando seus pais chegavam à noite em casa e lhes entregavam o celular. E muitos não tinham nem essa chance, porque a comida era mais importante que a internet. Então, na vida real, qual é a perspectiva que esses alunos terão?”, provocou.

Ao final, o parlamentar destacou que, nesse processo de renovação, há a necessidade de mais debate, estrutura e investimento, para que a reforma possa surtir o efeito positivo e esperado, priorizando a boa formação dos estudantes brasileiros e uma melhor perspectiva profissional para os nossos jovens.

Confira também

  • Anvisa aprova medicamento para tratar doença de Chagas em pacientes pediátricos

    A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou o registro do medicamento Lampit® (nifurtimox), indicado para o tratamento da doença de Chagas em pacientes pediátricos, (o que inclui recém-nascidos com peso mínimo de 2,5kg) até menores de 18 anos.

    A doença de Chagas é uma infecção causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi e é considerada uma das principais doenças negligenciadas no Brasil, aquelas que despertam pouco interesse para o desenvolvimento de medicamentos e vacinas e costumam afetar populações vulneráveis.

    A doença está associada a elevada carga de morbimortalidade, especialmente em populações vulneráveis. A infecção pode evoluir de forma silenciosa por anos e, quando não tratada, pode levar a graves complicações cardíacas e digestivas.

    Lampit® é um antiparasitário e seu mecanismo de ação envolve a produção de substâncias que danificam o parasita e levam à sua eliminação do organismo.

    Confira a Resolução 2.631/2026 no Diário Oficial da União.

  • Senador Cleitinho pede desculpas por ter pedido foto com Virgínia na CPI das Bets

    Após viralizar por pedir, durante uma reunião da CPI das Bets, uma foto com a influencer Virgínia Fonseca, o senador Cleitinho voltou atrás. Passado mais de ano do evento, o parlamentar subiu a tribuna do Senado Federal nesta quarta-feira (8) para pedir desculpas publicamente por ter protagonizado a cena e ignorado o problema das bets na época. Assista:

    O pedido de “perdão” ao povo brasileiro foi apresentado pelo parlamentar como consequência de um arrependimento pessoal. Segundo Cleitinho, os números atuais das apostas no país mostram que a relação entre influenciadores, publicidade e plataformas de bets precisa ser tratada com mais responsabilidade.

    Durante o pronunciamento, o senador afirmou que, à época da foto, não tinha a dimensão do problema que o mercado de apostas se tornaria no Brasil. Agora, diante do avanço das bets e do impacto financeiro sobre famílias brasileiras, ele disse reconhecer que gestos públicos envolvendo personalidades associadas a esse universo podem ter peso simbólico.

    A fala não foi direcionada como uma acusação pessoal contra Virginia, mas como uma autocrítica do senador sobre a exposição pública ao lado de figuras com grande influência nas redes sociais. Para Cleitinho, a popularização das apostas deixou de ser apenas uma questão de entretenimento e passou a afetar diretamente o orçamento de milhões de brasileiros.

    Levantamentos recentes indicam que o mercado de apostas ganhou ainda mais força em 2026, especialmente durante a Copa do Mundo. Dados divulgados a partir de monitoramentos por Open Finance apontaram que brasileiros já movimentaram centenas de milhões de reais em plataformas licenciadas durante o torneio, sem contar o mercado ilegal.

    Gustavo Negreiros

  • Inscrições para seleção do IBGE se encerram nesta quinta-feira às 14h

    IBGE

    As inscrições para o processo seletivo simplificado do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) destinado à contratação de profissionais temporários podem ser feitas até as 14h (no horário de Brasília) desta quinta-feira (9). Inicialmente, o prazo terminaria no dia 1° de julho, mas foi prorrogado até amanhã.

    Os selecionados irão atuar no 12º Censo Agropecuário, Florestal e Aquícola.

    Também termina nesta quinta o prazo para pedidos de isenção do valor de inscrição e envio de documentos para isenção por doação de medula óssea.

    Inscrições

    As inscrições devem ser feitas exclusivamente pelo site do Instituto Brasileiro de Formação e Capacitação (IBFC), responsável pela organização do certame.

    No ato de inscrição, o candidato deverá escolher o município onde deseja realizar a prova objetiva, conforme a previsão de vagas ofertadas e detalhadas no edital.

    Ao todo, o IBGE oferece 8.258 vagas distribuídas em cinco funções:

    • agente censitário administrativo (1.115 vagas);
    • agente censitário de informática (1.094 vagas);
    • agente operacional regional (953 vagas)
    • agente censitário regional (953 vagas);
    • agente censitário supervisor (4.143 vagas).

    Todos os cargos exigem ensino médio completo.

    Reserva de vagas

    O certame terá as seguintes modalidades de concorrência de vagas: ampla concorrência, pessoas com deficiência (PCD), negros (pretos ou pardos), indígenas e quilombolas.

    A opção por concorrer a vagas reservadas deve ser informada no ato de inscrição.

    Para os candidatos que optarem por concorrer às vagas reservadas, em caso de aprovação na prova objetiva, será realizado o procedimento de confirmação complementar à autodeclaração, no caso de pessoas pretas ou pardas (PPP), aplicado no formato telepresencial (realizada por videoconferência). Para indígenas e quilombolas, será feita a verificação documental.

    A aplicação da prova objetiva ocorrerá em 27 de setembro, em todas as 27 unidades da Federação. A divulgação do gabarito preliminar está prevista para 28 de setembro.

    A publicação do resultado final da prova objetiva será  em 3 de novembro e a divulgação do resultado definitivo da seleção, em 18 de dezembro.

    Contratos temporários

    Os aprovados serão contratados por tempo determinado para atuar na coleta de informações, atividades de suporte administrativo, operacionais, supervisão de equipes e apoio tecnológico das operações censitárias.

    Os contratos temporários dos aprovados terão duração de até 12 meses, podendo ser prorrogados conforme a necessidade.

    Taxa de inscrição

    O valor da taxa de inscrição é de R$ 53 e boleto deve ser pago até esta quinta-feira (9), conforme cronograma atualizado.

    O edital especifica que podem pedir a isenção da taxa de inscrição os doadores de medula óssea com atestado ou de laudo emitido por médico de entidade reconhecida pelo Ministério da Saúde, que comprove a doação; e os inscritos no Cadastro Único para Programas Sociais do governo federal (CadÚnico) e membro de família de baixa renda, não sendo necessário envio de documentação.

    Provas

    De acordo com o edital, a prova objetiva terá duração de quatro horas. De caráter eliminatório e classificatório, será composta por 60 questões de múltipla escolha com cinco alternativas cada e uma única resposta correta, distribuídas pelas disciplinas por função.

    Para ser aprovado, o candidato precisa ter acertado, no mínimo, 18 pontos no total da prova objetiva; e ter acertado, no mínimo, um ponto em cada disciplina.

    Remuneração dos convocados

    As remunerações dos aprovados variam de R$ 2.128 a R$ 4.008, conforme a função exercida. Os contratados também terão direito a benefícios como auxílio-alimentação de R$ 1.192, auxílio-transporte, auxílio pré-escolar, férias proporcionais e décimo terceiro salário proporcional, conforme a legislação vigente.

    Fonte: Agência Brasil

  • Saúde, infraestrutura e inclusão pautam discussões da Câmara de Parnamirim

    Em Sessão Ordinária realizada na manhã desta terça-feira (7), a Câmara Municipal de Parnamirim apreciou matérias voltadas às áreas da saúde, infraestrutura e inclusão social.

    Entre os destaques da sessão, iniciaram tramitação projetos que instituem o Programa Pré-Natal Psicológico e que garantem um dia de licença anual aos servidores públicos para a realização de exames preventivos de câncer. Também entrou em pauta a proposta que autoriza a cessão de um imóvel público para a implantação de uma estação elevatória de esgoto, cuja tramitação em regime de urgência foi apreciada pelo plenário. Além disso, foi apreciado o requerimento de urgência para o projeto que visa proibir a comercialização de fogos de artifício com estampido no município.

    Na Ordem do Dia, foram aprovadas as redações finais dos projetos que criam o Dia Municipal de Combate ao Estupro e estabelecem diretrizes para a Política Municipal de Atenção Integral às Pessoas com Transtornos Psicomotores. O plenário também aprovou requerimentos de urgência para matérias relacionadas à saúde, ao saneamento básico e à Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2027.

  • Comissão de Finanças aprecia Lei Orçamentária de 2027 e veto do governo

     

    Sede da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte – Foto: Eduardo Maia / ALRN

    A Comissão de Finanças e Fiscalização se reuniu, nesta quarta-feira (08), para votar duas matérias enviadas pelo Governo do Estado à Casa Legislativa, o Projeto de Lei nº 247/2026, sobre as diretrizes para elaboração e execução da Lei Orçamentária Anual para o exercício 2027, e o Veto Parcial do governo do Estado ao Projeto de Lei nº 4/2026, sobre direitos dos servidores do Poder Judiciário.

    As pautas foram apreciadas pelos parlamentares Luiz Eduardo (PL), José Dias (PL), Isolda Dantas (PT), Coronel Azevedo (PL) e Gustavo Carvalho (PL). O Veto Parcial ao Projeto de Lei nº 4/2026 foi derrubado pela unanimidade dos presentes, seguindo a relatoria, que considerou o dispositivo vetado pelo Poder Executivo essencial para o pleno exercício da autonomia do Poder Judiciário e para a eficiência do serviço público.

    O Projeto de Lei nº 247/2026, sobre as diretrizes para elaboração e execução da Lei Orçamentária Anual (LOA) para o exercício 2027, teve relatório favorável, considerando as 20 emendas encartadas à redação original. Por sua vez, embora o Projeto tenha sido aprovado por unanimidade dos membros da Comissão, teve as emendas destacadas para permitir o debate delas em plenário. A estimativa é que a LOA seja votada em plenário no dia 15 de julho.

  • Governo do RN lança plataforma de certificação para investimentos e negócios de Impacto Social

    Pioneiro no Brasil ao estruturar o Comitê Estadual de Investimentos e Negócios de Impacto Social (CENIS), o Governo Estado acaba de lançar, nesta quarta-feira (08), o Portal da Economia de Impacto do Rio Grande do Norte, plataforma onde empresas poderão realizar seu cadastro e emitir o Certificado de Negócio de Impacto. O lançamento foi no Auditório da Governadoria, onde também foram empossados os novos membros do CENIS.

    “A Economia de Impacto é uma prioridade do governo porque acreditamos que é possível conciliar desenvolvimento econômico com sustentabilidade e justiça social. A ideia é regionalizar e municipalizar essa agenda”, afirma a governadora Fátima Bezerra.

    Um negócio de impacto é aquele em que a empresa tem um comprometimento claro em resolver problemas sociais ou ambientais. A empresa é financeiramente viável, busca lucro próprio, ao mesmo tempo em que vende uma solução que impacta positivamente o meio social e/ou ambiental onde está inserida. Geralmente o produto ou serviço vendido é a própria solução do problema. É o conceito de uma Nova Economia de Impacto Positivo, que concilia lucro com propósito, crescimento com desenvolvimento sustentável.

    O Certificado de Negócio de Impacto é o reconhecimento concedido a essas empresas que ampliará suas oportunidades de acesso a compras públicas, assim como a obtenção de financiamentos facilitados, possibilitando também a sua inserção em políticas públicas voltadas ao setor e ao setor privado.

    Com isso, ao mesmo tempo que o certificado fortalece as empresas na visibilidade de mercado e na credibilidade das iniciativas comprometidas com a transformação socioambiental, também traz segurança jurídica. A certificação reconhece oficialmente que o empreendimento gera, de fato, impacto socioambiental positivo. É uma garantia para investidores, para o poder público e para a sociedade de que ali existe compromisso com a transformação. E a plataforma veio para transformar esse processo mais ágil, transparente e acessível.

    Leonardo Tinoco, da Fazenda Matina Ambiental, produtora de orgânicos, agroecológicos e aquapônicos, trabalha com peixes, como tilápia, e com produção de hortaliças, frutas e verduras, desenvolve também um trabalho educacional em sua empresa. “A gente recebe muitos grupos de agricultores familiares, grupos de estudantes, onde mostramos que é viável fazer uma agricultura de baixo impacto, uma agricultura de baixo carbono, onde a gente traduza o processo de sustentabilidade, que é entregar um serviço ambiental e também disponibilizar um alimento de excelente qualidade – principalmente sem agrotóxicos”, explica.

    Presente no evento, Márcia Kafensztok, da Primar Orgânica, empresa com 33 anos de atuação e 22 anos com certificação orgânica, trabalha com cultivo de camarão e ostras e tem um laboratório de reprodução de ostras nativas, único em todo o Norte e Nordeste. “Trabalhamos muito com pesquisa, temos convívio com as 20 universidades federais brasileiras, e somos o primeiro associado cooperado do PAX aqui no estado. Nossa produção chega a todo o Rio Grande do Norte”, diz.

    A professora do IFRN, Socorro Silva, leva adiante a ONG Yalode Instituto Afroacademia Lélia Gonzalez, que trabalha com formação e capacitação de mulheres. “A gente criou a Yalode para apoiar mulheres de comunidades quilombolas, indígenas, ciganas, para capacitá-las para que elas também possam estar em mestrado, doutorado e graduação”, esclarece.

    “As empresas e empreendimentos precisam apostar no desenvolvimento sustentável, local, inclusivo, diverso. O que eu desejo aqui hoje é vida longa aos negócios de impacto, e que a gente possa ampliar esse modelo de negócio para as grandes e médias empresas, porque é um modelo viável e necessário para o contexto socioeconômico e ambiental que nós vivemos hoje”, declara Mona Nóbrega, gerente de Desenvolvimento Rural e Negócios de Impacto do SEBRAE-RN.

    Comitê Estadual de Negócios de Impacto Socioambiental (Cenis)

    O Rio Grande do Norte é pioneiro na criação de um Comitê Estadual de Negócios de Impacto Socioambiental (Cenis). O comitê, que reúne cerca de 40 representantes de órgãos públicos, instituições de ensino, federações empresariais e setor bancário, tem como um de seus principais objetivos facilitar o acesso desses negócios às compras públicas do governo estadual.

    Exemplos dessa política é a gestão de resíduos sólidos no estado, onde pelo menos 86 municípios estão têm ações para destinação de resíduos, alcançando 52% do total de municípios potiguares. O RN + Recicla já investiu mais de R$ 34 milhões para implantação de 38 unidades de triagem em 25 municípios do Seridó e 13 do Assú. Também se investiu em estruturação de cooperativas e organizações de catadores para coleta seletiva e comercialização de recicláveis.

    Outro destaque é o Marco Legal do Hidrogênio Verde e da Indústria Verde, primeiro do país, com diretrizes para cadeias produtivas limpas. Também a restauração ecológica da Caatinga, em parceria com BNB e BNDES, promovendo geração de renda e proteção de biomas.

    O apoio do governo do estado à agricultura sustentável e à economia solidária se revela no fortalecimento da agricultura familiar e das cadeias de artesanato potiguar.

    Governo do RN é pioneiro no apoio aos Negócios de Impacto

    O Rio Grande do Norte foi o primeiro estado brasileiro a criar uma legislação específica para Investimentos e Negócios de Impacto. Em 2021, foi dado mais um passo fundamental com o Decreto nº 31.084, que criou a Comissão Estadual de Qualificação de Empreendimentos com Negócios de Impacto Social: a CEQNIS, responsável pela certificação dos empreendimentos.

    Em 2024, o Estado foi um dos primeiros a aderir ao Sistema Nacional de Economia de Impacto – SIMPACTO, iniciativa federal da Estratégia Nacional de Economia de Impacto-ENIMACTO, vinculado ao MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), que promove o FOMENTO e elabora as diretrizes da política pública em âmbito nacional.

    A Plataforma de Comunicação e Certificação dos Negócios representa mais do que uma ferramenta tecnológica. É a materialização do compromisso com a democratização do conhecimento e o fortalecimento dos agentes de transformação em todo o estado.

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