Seja Trump ou Biden o eleito, a grande derrotada nas eleições dos EUA é a mídia

Seja Joe Biden ou Donald Trump vencedor das eleições americanas desta terça, já há um grande perdedor da batalha que o republicano travou durante quatro anos contra jornalistas, gritando “fake news” sempre que ouvia uma notícia que não lhe interessava: é a própria mídia. Trump é um manipulador nato, de quem não se compra uma bicicleta usada, mas a sua pregação encontrou terreno fértil entre os americanos. Pesquisa do instituto Gallup e a The Knight Foundation mostra que está crescendo o percentual daqueles que acreditam que a mídia é tendenciosa e age de acordo com uma pauta de prioridades própria. Interesse público, o fundamento básico do jornalismo e da democracia, deixou de ser a estrela-guia de TVs, rádios, jornais e sites.

Três quartos dos americanos (exatos 73%) dizem que a cobertura enviesada da mídia é o principal problema das notícias que leem, de acordo com o levantamento. Em 2017, esse percentual era de 65%, segundo pesquisa feita pelos mesmos parceiros.

As imprecisões das notícias são intencionais, segundo 80% dos americanos. Os erros, enganos ou equívocos são vistos como parte da agenda da mídia para influenciar os leitores a adotar o mesmo ponto de vista do meio de comunicação. Só 13% consideram que as impropriedades são fruto de ingenuidade.

Há um descrédito total percentual na imparcialidade e objetividade. Quando se pergunta se os meios de comunicação estão tentando influenciar os seus leitores a adotar uma certa opinião, 79% responderam positivamente.

O complemento dessa visão é mais ou menos óbvia. Três quartos dos americanos afirmam temer que as coberturas são influenciadas pelos donos desses veículos.

Há algo que parece ainda mais grave. Republicanos e democratas têm visões opostas sobre a mídia, mostrando que a influência de Trump sobre a sua freguesia foi mais deletéria do que se imaginava. Entre os republicanos, 71% têm uma opinião extremamente negativa de jornais, rádios, TVs e sites. Os filiados ao partido de Trump seguem cegamente a opinião do chefete. Já entre os democratas, o percentual de visão desfavorável é de 22%. Os independentes estão no meio do caminho: 52% têm opinião bastante negativa sobre a mídia.

O engraçado é que a maioria dos americanos concorda que o jornalismo está sob ataque político, mas, quando questionados se isso é justificável, abre-se um abismo entre democratas e republicanos. Enquanto 70% dos ligados ao Partido Democrata consideram os ataques injustificáveis, 61% dos republicanos afirmam que os ataques são, sim, justificados pelo comportamento da mídia.

É óbvio que Trump tem culpa nessa terra devastada, mas seria profundamente ingênuo atribuir a ele todos os males da mídia. A relação dos meios com seu público, que andava levemente enferrujada desde os anos 1970, sofreu um abalo sísmico com a chegada da internet nos anos 1990 e a redes sociais na década seguinte.

Não se trata de competição entre meios. Foi uma guerra comercial de extermínio, sobretudo do Google Ads e da política de micro-alvos do Facebook, capaz de direcionar um anúncio com precisão de um atirador de elite. Desde 2004 fecharam 2.100 jornais nos Estados Unidos, segundo pesquisa de Penny Abernathy, da Universidade da Carolina do Norte. A imprensa local, essencial para manter os laços comunitários e fiscalizar o prefeito e a Câmara, praticamente desapareceu. Entre os jornalões, a debacle significou menos dinheiro para investir em jornalismo de qualidade. Conta-se nos dedos da mão as exceções como o New York Times e Washington Post. Nunca a imprensa americana passou por um período de tamanho pauperismo.

Há ainda o caldo cultural das teorias conspiratórias, um credo que cresce em todo o mundo, mas é particularmente feroz nos Estados Unidos. Foi essa crença que disseminou a ideia aparentemente libertária de que você precisa conhecer a verdade por meios próprios, já que o governo e as grandes corporações manipulam tudo, de acordo com os conspiracionistas. Começou como um movimento de malucos, espalhou-se pela internet e pode chegar, finalmente, ao Congresso dos Estados Unidos. Há 44 candidatos ligados ao QAnon, um movimento de lunáticos que acredita que os democratas e o establisment americano é composto por pedófilos satanistas, que só podem ser derrotadas por uma única pessoa no mundo: Donald Trump.

Para não acabar este artiguete com um vale de lágrimas, encontrei um lado positivo no modo como republicanos manipulam e fraudam informações. Os americanos confiam ainda menos nas redes sociais. A desconfiança com Facebook e Google é ainda maior do que os 73% que apontam a mídia como tendenciosa: os descrentes somam 84%, segundo outra pesquisa da Knight Foundation.

Ao menos para isso a eleição de 2016, marcada por manipulações via Facebook, serviu.

MARIO CESAR CARVALHO – PODER 360

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    A rede municipal de ensino de Parnamirim começa, na próxima segunda-feira 23, a distribuição dos cartões do programa Educa Parnamirim. A iniciativa vai contemplar 24.238 estudantes, com entrega realizada diretamente nas escolas.

    O benefício permite a compra de material escolar e itens de uso pessoal em estabelecimentos credenciados da cidade. A expectativa da gestão municipal é que cerca de R$ 4,8 milhões circulem no comércio local com a medida.

    Os valores variam de acordo com a etapa de ensino. Alunos da Educação Infantil e dos Anos Iniciais recebem R$ 200, enquanto estudantes dos Anos Finais do Ensino Fundamental e da Educação de Jovens e Adultos (EJA) terão acesso a R$ 150. O uso dos recursos é exclusivo para materiais individuais.

    Segundo a prefeitura, o modelo busca garantir autonomia às famílias na escolha dos produtos, ao mesmo tempo em que fortalece a economia do município.

    Empresas credenciadas

    Os cartões poderão ser utilizados nos seguintes estabelecimentos:

    Livraria e Papelaria Tropical (Santos Reis)

    Sacolão (Centro)

    Comercial Andrade (Nova Esperança)

    Mistura Fina (Mercado Novo)

    Lojão dos Alumínios (Centro)

    Loja do Estudante (Shopping Cidade Verde)

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    Em meio à movimentação política para as eleições de 2026, o vice-governador do Rio Grande do Norte, Walter Alves, afirmou que permanecerá no cargo até o fim da atual gestão. A declaração foi dada nesta sexta-feira 20, durante entrevista à 98 FM Natal.

    Pré-candidato a deputado estadual, ele explicou que a decisão está amparada pela legislação eleitoral, que não exige o afastamento de vice-governadores que pretendem disputar outros cargos, desde que não assumam o Executivo nos seis meses que antecedem o pleito.

    Walter também ressaltou que ocupa o cargo como resultado da força política do MDB no estado, partido que preside no Rio Grande do Norte.

    O posicionamento ocorre em um cenário de reconfiguração política. O MDB rompeu com a base da governadora Fátima Bezerra e passou a apoiar o prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra, que desponta como pré-candidato ao Governo do Estado.

    A decisão também dialoga com o movimento recente da governadora, que optou por permanecer no cargo e não disputar o Senado, mantendo a atual composição do Executivo estadual até o fim do mandato.

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    Com o tema “Pela vida das mulheres”, uma audiência pública discutiu a defesa da vida, da dignidade e de políticas públicas que cheguem à população feminina da capital potiguar. O encontro aconteceu na Câmara Municipal de Natal, nesta quinta-feira (19), e integra as atividades legislativas que estão sendo realizadas durante o mês de março em alusão ao Dia Internacional da Mulher. Proposta pela Frente Parlamentar em Defesa da Mulher, a audiência reuniu movimentos sociais, organizações, ativistas e a sociedade civil para dar visibilidade aos desafios enfrentados diariamente por mulheres. As vereadoras Brisa Bracchi (PT), Camila Araújo (União) e Thabatta Pimenta (PSOL) participaram do debate.

    A violência contra a mulher no Brasil atingiu níveis críticos em 2025, com 6.904 casos de feminicídio (consumados e tentados), representando quase seis mulheres mortas por dia. Predomina a violência doméstica (75% dos casos), frequentemente cometida por parceiros ou ex-parceiros, em um cenário de insegurança. Cerca de 70% das vítimas buscam ajuda primeiro na família, enquanto apenas 3 em cada 10 procuram uma delegacia (comum ou “da Mulher”), geralmente quando a violência atinge um patamar insuportável. O Ligue 180 é a principal porta de entrada para a denúncia e o acolhimento. Em duas décadas, a Central prestou mais de 16 milhões de atendimentos.

    Em seu discurso, a presidente da Frente Parlamentar em Defesa da Mulher, vereadora Brisa Bracchi, ressaltou a importância de uma audiência pública sobre violência contra a mulher. “É fundamental, especialmente devido ao aumento de casos de feminicídio, misoginia e ódio online. O evento buscou conscientizar, debater políticas, informar sobre serviços de apoio e ouvir mulheres de diversos segmentos. Tivemos um momento que considero de alta qualidade e essencial para combater o machismo e o patriarcado, enfatizando a urgência do feminismo”.

    Midiany Avelino, secretária adjunta municipal de Políticas Públicas para as Mulheres (SEMUL), falou sobre a necessidade de informar às mulheres, especialmente aquelas em situação de vulnerabilidade, sobre a existência da Secretaria da Mulher e da Casa Abrigo em Natal, que oferecem apoio e acolhimento em casos de violência. “A falta de conhecimento sobre esses serviços é alarmante. Diante desse cenário, trabalhamos no sentido de fortalecer parcerias com lideranças comunitárias, grupos de mulheres e outros agentes sociais para garantir que a informação chegue às mulheres que precisam”, pontuou.

    Na sequência, a Tenente da Polícia Militar do RN e coordenadora operacional da Patrulha Maria da Penha, Priscila Sales, informou que o trabalho tem sido eficaz na proteção de mulheres, com zero feminicídios entre as assistidas pela equipe. “O serviço cresceu e hoje possui 18 polos, cobrindo 167 municípios. Em caso de agressão, a mulher deve denunciar na delegacia, registrar ocorrência, solicitar medida protetiva e acompanhamento da patrulha. Denúncias podem ser feitas por qualquer pessoa, mesmo que não seja a vítima, através do 180 (Central de Atendimento à Mulher) ou 190 (emergência)”.

    Por sua vez, a presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher, Goretti Gomes, explicou como a instituição atua no município. Segundo ela, o conselho é crucial para a construção de políticas públicas em Natal. “Articulamos propostas, definimos prioridades de investimento e ligamos a sociedade, a Secretaria da Mulher e os parlamentares. Então, buscamos o fortalecimento das mulheres e levamos suas demandas à Câmara Municipal para a criação de políticas, com foco naquelas que vivem nas periferias da cidade”, concluiu.

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    Uma nova pesquisa eleitoral mostra Allyson Bezerra liderando a disputa pelo Governo do Estado e ampliando a vantagem em todos os cenários analisados.

    No levantamento divulgado nesta sexta-feira (20), Allyson está na frente tanto na intenção espontânea quanto na estimulada, o que indica um nível elevado de consolidação eleitoral.

    Na intenção espontânea, quando o eleitor não recebe nomes previamente, Allyson já soma 23,7%, superando com folga Álvaro Dias, que registra 17,5%. Isso ostra que o nome do prefeito de Mossoró está mais presente na memória do eleitor.

    Quando o cenário é apresentado ao eleitor, a vantagem cresce. Na pesquisa estimulada, Allyson atinge 37,3%, abrindo mais de 15 pontos sobre Álvaro Dias (21,5%) e deixando Cadu Xavier com apenas 8,1%. O resultado mostra a consolidação da liderança.

    O domínio se mantém, e se fortalece, nas projeções de segundo turno. Em um confronto direto com Álvaro Dias, Allyson aparece com 38,6% contra 25,9%, uma diferença que indica vantagem confortável. Já contra Cadu Xavier, o cenário é ainda mais elástico: 44% a 9,6%, consolidando um quadro de ampla superioridade.

    O Instituto Seta ouviu 1.500 eleitores entre os dias 7 e 9 de março. A margem de erro é de 2,5 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado na Justiça Eleitoral sob os protocolos BR-01174/2026 e RN-07529/2026.

  • Câmara de Parnamirim concede Moção de Aplausos a presidente de conselho comunitário

    Na manhã desta quinta-feira (19), após a 18ª sessão ordinária, a Câmara Municipal de Parnamirim entregou uma Moção de Aplausos em reconhecimento pelo trabalho comunitário de João Maria de Oliveira, conhecido como João Pézinho. Realizada no plenário Dr. Mário Medeiros, a homenagem foi proposta pelo vereador Irani Guedes e subscrito pelos vereadores Chicão e Rárika Bastos.

    João Pézinho é presidente do Conselho Comunitário do Vale do Sol e participa de diversas ações comunitárias em Parnamirim e vem contribuindo para a cidade de Parnamirim e para o bairro, desde o ano de 1984. “Sou uma pessoa humilde, que sempre me dediquei ao esporte e trabalhei muito em Parnamirim como liderança comunitária.

    Gostaria de agradecer a todos os vereadores por proporcionar essa alegria e honra de reconhecer meu trabalho” agradeceu.

  • PT oficializa Samanda Alves como pré-candidata ao Senado no RN

    A definição do nome que representará o PT na disputa ao Senado em 2026 já começou a ganhar forma no Rio Grande do Norte. Em reunião realizada nesta quinta-feira 19, a executiva estadual do partido confirmou a indicação da vereadora de Natal Samanda Alves como pré-candidata à vaga.

    Em nota, o partido destacou que a indicação busca reunir unidade, renovação e compromisso com pautas sociais, características que, segundo a direção, fazem parte da trajetória de Samanda. O texto também reforça a importância estratégica da eleição para o Senado, considerada prioritária pela legenda no cenário nacional.

    A definição ocorre após a governadora Fátima Bezerra desistir de disputar a vaga e optar por permanecer no cargo até o fim do mandato. A decisão foi influenciada pelo cenário político e pela impossibilidade de garantir maioria na Assembleia Legislativa em caso de dupla vacância no Executivo.

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