Dia: 23 de janeiro de 2026

  • Rogério Marinho defende prisão domiciliar para Bolsonaro e cita indulto em eventual governo de direita

    Defesa de Rogério ingressou com pedido de liminar no STF no último dia 10. Foto: Reprodução

    O senador Rogério Marinho (PL) defendeu nesta quinta-feira 22 que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) seja transferido para a prisão domiciliar. Segundo o parlamentar, a medida seria compatível com a condição pessoal do ex-presidente – que, desde novembro de 2025, cumpre pena de 27 anos e 3 meses de prisão, por tentativa de golpe de estado.

    “Nós nos mantemos indignados e mantemos essa pressão para que o presidente tenha um tratamento mais digno. Ele tem 70 anos, comorbidades públicas, sofreu quatro intervenções cirúrgicas agora no cárcere. Antes, já tinha havido, em função da facada que levou, mais operações”, afirmou, em entrevista à rádio 96 FM Natal.

    Ele afirmou também que espera que, na eventual vitória da direita na disputa presidencial de 2026, Bolsonaro seja beneficiado com um indulto na próxima gestão. “Ele e os demais”, declarou, citando outros condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023.

    Rogério Marinho sustentou que o ex-presidente vem sendo alvo de perseguição política e que o processo judicial estaria contaminado por irregularidades. Para ele, a condenação de Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF) foge aos parâmetros tradicionais do devido processo legal. “A primeira vez em que nós vemos na história recente do nosso país um ex-presidente sendo julgado não na primeira instância, mas diretamente no Supremo Tribunal Federal, sem direito a um duplo grau de jurisdição”, disse.

    Além disso, o senador criticou que o julgamento não tenha ocorrido no plenário da Corte. “Na contramão da Constituição”, argumentou. Na avaliação de Rogério, o caso é ainda mais grave pela composição da Primeira Turma – onde o julgamento aconteceu. “Uma turma onde há pelo menos dois inimigos públicos do presidente”, afirmou, ao mencionar os ministros Alexandre de Moraes (relator) e Flávio Dino.

    Rogério Marinho afirmou que a existência de desavenças pessoais deveria resultar no afastamento de magistrados do julgamento. “Ele tem um problema pessoal, uma desavença pessoal com o presidente, e ele descumpre inclusive a lei da magistratura, na hora em que ele, como alguém que é sabidamente desafeto do presidente, não se julga impedido para fazer o seu julgamento”, declarou, referindo-se a Dino.

    Em relação ao mérito das acusações que envolvem tentativa de golpe de Estado, o senador contestou a existência de provas concretas. “Se você ler os autos do processo, até hoje não apareceu. É um papel apócrifo”, disse, ao comentar a chamada “minuto de golpe”. Segundo ele, as acusações do procurador-geral da República, Paulo Gonet Branco, se baseiam em suposições. “Na denúncia da Procuradoria, se infere, se supõe”, acrescentou.

    Rogério também rebateu a caracterização de atos institucionais do governo Bolsonaro como crimes. Ao comentar a reunião com embaixadores, citada no processo, afirmou que se trata de atribuição do chefe do Executivo. “A Constituição Brasileira diz que quem tem interlocução com outros países é o chefe do Estado brasileiro, que é o Presidente da República, ou quem ele determinar”, declarou.

    O senador comparou o atual contexto a decisões que, segundo ele, relativizaram o direito em outros momentos da história recente. “Nós estamos vivendo o que eu chamo de jurisprudência de exceções”, afirmou. Para Rogério, houve um ambiente em que “se ultrapassou a lei para se impedir que Bolsonaro continuasse na vida pública”.

    Durante a entrevista, o parlamentar reconheceu a polarização política no País, mas rechaçou a ideia de que a responsabilização judicial de Bolsonaro decorra de crimes comprovados. “Crime não, eu sou testemunha”, disse, ao ser questionado sobre excessos cometidos durante o governo anterior.