Artigo Ney Lopes: “O RN e a ferrovia transnordestina”

Ney Lopes – jornalista, ex-deputado federal e advogado – [email protected]

Doeu a recente notícia, de que o Presidente da República sobrevoou no Ceará trechos da Transnordestina, cuja proposta remonta ao ano de 1877, quando o Imperador Dom Pedro II determinou estudo de uma ferrovia, ligando o sertão nordestino ao litoral.

Não consigo esquecer a reunião de 12.05.05, no gabinete do ministro da Integração Regional. Lá estavam a governadora do RN, senadores e deputados federais (inclusive, a então deputada Fátima Bezerra) e representações do empresariado.

Participei como deputado federal. O governo Lula decidira iniciar a “ferrovia transnordestina”, ligando o município de Eliseu Martins/PI aos portos de Suape/PE e Pecém/CE.

Perplexo ouvi a exclusão do RN na “Transnordestina”.

Protestei veementemente.

Pode-se admitir o RN afastado da maior obra de transporte terrestre do país e uma das mais importantes intervenções da história do Nordeste?

O RN é o mais nordestino dos estados, com 95% do solo no semiárido.

Por que, o jornal “Valor”, em 31.03.05, excluiu do traçado original o Ceará e o RN e Lula, ao final, eliminou “apenas” o RN?

Por incrivel que pareça, correligionários do presidente Lula justificaram a exclusão, com a absurda alegação de que tinha sido decisão do empresário Benjamin Steinbruch (CSN), ganhador da concorrência, sob o argumento de prejuízo operacional.

Incrível o PT defender a decisão de um empresário, em prejuízo da coletividade.

Até agora, a ferrovia, privatizada por Lula (??), já consumiu R$ 6 bilhões, 90% oriundos de fundos públicos “regionais”, como o Finor, o FNE e o FDNE.

Com o ministro Rogério Marinho no Ministério Desenvolvimento Regional, abre-se nova chance para o RN ser incluído no trajeto. Isto porque, em outubro de 2019, a ANTT já propôs a caducidade da concessão dada à CSN, o que acarretará a. extinção do contrato atual.

Sabe-se, que Pernambuco consegue alterar o traçado para usar a ferrovia a partir de Salgueiro, em direção a Eliseu Martins (PI) e Pecém (CE). Será o caso da inserção do RN, nas alterações a serem feitas.

Em 06.06.19 escrevi artigo nesta “Tribuna do Norte”, apelando à governadora Fátima Bezerra e à bancada, no sentido de “reascenderem” a luta para a ferrovia transnordestina chegar ao nosso território.

A alteração será possível, porque foram privatizadas apenas as concessões de uso da ferrovia, nunca os locais por onde passariam os trilhos, cuja atribuição continua com o Governo federal (ANTT).

Após a exclusão do RN, protestei na tribuna da Câmara (Anais e livros). Recordo ter recebido aparte do ex-governador do Maranhão, deputado João Castelo, que disse:

“Não posso entender também como uma ferrovia, que se chama Transnordestina, exclui um importante Estado do Nordeste – o Rio Grande do Norte” (livros publicados).

Pedi a transcrição nos Anais da Câmara de estudo técnico do professor Marcos Caldas, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, intitulado “Determinação da viabilidade de utilização de trechos da malha ferroviária brasileira – O caso do Estado do RN”.

A conclusão foi a total viabilidade econômica para a inclusão do RN na Transnordestina.

Há anos sofrêramos a inexplicável desativação do ramal Mossoró/Souza, inaugurado em 1915, que foi criminosamente destruído em 1980, com os trilhos arrancados e vendidos como ferro velho.

Apresentei o projeto de lei n° 6372/05, que incluía no percurso da ferrovia Transnordestina, a recuperação dos trechos ferroviários que ligam Mossoró, Souza, Areia Branca, Macau, RN, a João Pessoa, PB, passando por Natal, dando suporte ao porto e a futura área de livre comércio, que sempre sonhei.

O projeto foi arquivado, após a minha saída da Câmara (2007). Ninguém se interessou em prosseguir.

Continuo voz isolada. Em conversa, Aluízio Alves me disse, que como deputado sempre lutou pela vinda da energia de Paulo Afonso e ninguém da terra o apoiava. Ele trouxe a energia, por ter sido governador.

O mesmo aconteceu comigo, não apenas na Transnordestina, mas também na defesa de área de livre comércio, no “Grande Natal”.

A propósito, certamente agora, com a “falência” do aeroporto de São Gonçalo do Amarante, talvez enxerguem que a nossa privilegiada posição geográfica, reconhecida desde as capitanias hereditárias (1534), favorecerá a implantação ao lado, de um “polo exportador e turístico” (área de livre comércio), único meio de garantir a viabilidade econômica do empreendimento, por gerar empregos e incrementar divisas para o país.

Alguém alçará essa bandeira, ou continuarão as propostas requentadas e sem inovação?

Clamar justiça para o RN é uma dor, que não passa! Pobre Estado solitário.

Choro por ti!

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    Com a implantação do prontuário eletrônico, os registros dos pacientes deixarão de ser feitos em papel, garantindo mais rapidez no acesso às informações e maior segurança no armazenamento dos dados. O sistema também permitirá a integração dos serviços da rede municipal de saúde e disponibilizará um portal para facilitar o acesso da população às informações.

    A iniciativa representa mais um investimento da gestão municipal na modernização da saúde pública, oferecendo mais tecnologia e qualidade no atendimento aos usuários da rede municipal.

  • Carlos Eduardo diz que falta de apoio no interior e tratamento contra câncer motivaram desistência de candidatura

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    Segundo Carlos Eduardo, durante as articulações encontrou a maioria das lideranças municipais já comprometida com outros candidatos.

    “Eu fui em busca de apoio. Não tinha um vereador sobrando. Todos estavam comprometidos. Ou estavam no bloco do prefeito apoiando um deputado estadual ou já estavam ‘amarrados’ com outro candidato”, afirmou.

    Ele disse que, apesar de ter boa intenção de voto em Natal, avaliou que não conseguiria uma votação suficiente para conquistar uma vaga na Assembleia Legislativa sem o apoio do interior. De acordo com o ex-prefeito, a federação formada por União Brasil e PP deverá exigir mais de 40 mil votos para eleger um deputado estadual.

    Carlos Eduardo contou que a decisão de coordenar a campanha do pré-candidato ao Governo do Estado, Allyson Bezerra (União Brasil), surgiu após uma conversa com o próprio Allyson e com o deputado Kleber Rodrigues (PP).

    O ex-prefeito também revelou que enfrenta uma recidiva de câncer de próstata e que deve concluir o tratamento em dezembro. Segundo ele, embora os médicos não tenham impedido sua atuação política, recomendaram reduzir situações de estresse durante esse período.

    “Minha esposa e meus filhos disseram: ‘Pai, dá um tempo’. Então eu resolvi juntar todas essas coisas e saí da candidatura para organizar a campanha em Natal”, declarou.

    Com a decisão, Carlos Eduardo deixa a disputa por um mandato nas eleições deste ano e passa a coordenar a campanha de Allyson Bezerra na capital potiguar.

  • Nova tarifa dos EUA sobre produtos brasileiros entra em vigor nesta quarta-feira (22)

    Donald Trump – Foto: REUTERS/Evelyn Hockstein

    A nova tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos entrou em vigor nesta quarta-feira (22), às 1h01 (horário de Brasília). A medida, adotada pelo governo do presidente Donald Trump após investigação do Escritório do Representante do Comércio dos EUA (USTR), atinge cerca de 3 mil produtos e tem como justificativa alegadas práticas comerciais consideradas prejudiciais aos negócios americanos.

    Entre os produtos afetados estão máquinas agrícolas, papel, vestuário e etanol. Com a nova sobretaxa, o Brasil passa a ser o segundo país mais taxado pelos Estados Unidos, atrás apenas da China. Apesar disso, mais de 2.100 produtos brasileiros continuam isentos, incluindo carne, café, petróleo, laranja, suco de laranja e peças para fabricação de aeronaves.

    O USTR apontou como motivos para a medida questões relacionadas ao comércio digital, serviços de pagamento, tarifas, propriedade intelectual, corrupção, etanol e desmatamento ilegal. O governo americano também citou o Pix como um dos fatores que teriam prejudicado empresas de cartões de crédito dos Estados Unidos.

    O governo brasileiro contesta as acusações e afirma que dados mostram redução do desmatamento e crescimento da participação de empresas americanas de cartões no mercado nacional após a criação do Pix. A administração Lula também destaca que o Brasil mantém relação comercial equilibrada com os Estados Unidos.

    Setores produtivos brasileiros demonstram preocupação com os impactos da medida. A Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) estima que mais de US$ 11 bilhões em exportações possam ser afetados, enquanto o governo federal calcula impacto de cerca de US$ 5,8 bilhões.

    Entidades como CNI, Abimaq, Abicalçados e Unica alertam para possíveis perdas de competitividade dos produtos brasileiros no mercado americano. A indústria também teme que a nova tarifa amplie a retração do comércio bilateral, que registrou queda de 12,8% no primeiro semestre, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

    Com informações da Folha de S.Paulo

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